O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu um alerta em 4 de agosto para a formação de um ciclone extratropical, conhecido como ciclone-bomba, que deve atingir o Brasil a partir de 6 de agosto. O fenômeno trará uma intensa frente fria, com previsão de ventania e temporais que afetarão principalmente a Região Sul do país, com alertas também para áreas do Sudeste e sul do Mato Grosso do Sul.
O termo técnico para o evento é ciclogênese explosiva. O nome pode assustar, mas descreve com precisão a principal característica do sistema: a rapidez com que ele se forma e se intensifica. A palavra “ciclogênese” significa simplesmente a formação de um ciclone.
Já o apelido “bomba” vem da velocidade com que a pressão atmosférica cai no centro do ciclone. Para ser classificado dessa forma, a pressão precisa diminuir pelo menos 24 milibares (hPa) em um período de 24 horas. Essa queda abrupta gera ventos muito fortes e instabilidade generalizada na atmosfera.
Como o ciclone-bomba se forma?
A formação do ciclone-bomba ocorre pelo encontro de uma massa de ar frio e seco, geralmente de origem polar, com uma massa de ar quente e úmido vinda do oceano ou da região amazônica. Esse contraste de temperatura e umidade serve como combustível para o sistema meteorológico.
Quando essas duas massas de ar se chocam, o ar quente, que é mais leve, sobe rapidamente. Esse movimento cria uma área de baixa pressão atmosférica perto da superfície. O ar ao redor se desloca para preencher esse espaço, gerando ventos fortes que giram no sentido horário no Hemisfério Sul.
Por que o fenômeno acontece no Brasil?
A costa sul e sudeste do Brasil é uma área propícia para esse tipo de evento, especialmente durante o outono e o inverno. Nessa época do ano, as frentes frias vindas da Antártida avançam com mais força pelo continente e encontram o ar mais aquecido das regiões costeiras e do oceano.
Esse cenário geográfico e climático favorece o choque entre massas de ar com características muito diferentes, criando as condições ideais para o desenvolvimento rápido e intenso de ciclones extratropicais.
Quais são os principais impactos esperados?
A passagem de um ciclone-bomba geralmente causa uma série de transtornos e exige atenção da população. Os efeitos mais comuns incluem:
- Ventos fortes: as rajadas podem superar 100 km/h, com potencial para destelhamentos, queda de árvores e postes, além de interrupção no fornecimento de energia elétrica.
- Chuva intensa: o volume de chuva pode ser elevado em um curto período, aumentando o risco de alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra em áreas de risco.
- Queda brusca de temperatura: a massa de ar polar associada ao ciclone provoca um declínio acentuado nas temperaturas nas áreas por onde passa.
- Agitação marítima: no litoral, o fenômeno causa ondas altas e ressaca, representando perigo para embarcações e para a faixa de areia.










