A recente localização de uma criança no exterior, que pode ser brasileira, trouxe à tona o papel da Interpol no Brasil. Acionada para auxiliar na troca de informações, a Organização Internacional de Polícia Criminal atua como uma ponte essencial entre as forças de segurança nacionais e as de outros 195 países-membros, garantindo que as fronteiras não se tornem um obstáculo para a justiça.
Diferente do que muitos imaginam, a Interpol não possui agentes próprios que realizam prisões em campo. Sua função é estratégica e de cooperação. No Brasil, essa engrenagem funciona por meio do Escritório Central Nacional (ECN), localizado na sede da Polícia Federal em Brasília. É este escritório que centraliza todas as comunicações e pedidos de auxílio entre as polícias brasileiras e o resto do mundo.
Quando uma autoridade brasileira, seja a Polícia Civil de um estado ou a própria Polícia Federal, precisa localizar um foragido em outro país ou obter dados sobre um crime transnacional, ela envia a solicitação ao ECN. A equipe em Brasília analisa o pedido, o traduz se necessário e o insere nos sistemas globais da Interpol, alertando os demais países.
Como funciona a cooperação?
A principal ferramenta de comunicação são as difusões, alertas internacionais codificados por cores que permitem às polícias compartilhar informações críticas. Cada cor tem um propósito específico, agilizando a resposta das autoridades em qualquer parte do planeta.
- Difusão vermelha: para localizar e prender pessoas procuradas para fins de extradição.
- Difusão amarela: para ajudar a localizar pessoas desaparecidas, frequentemente menores de idade.
- Difusão azul: para coletar informações adicionais sobre a identidade de uma pessoa, localização ou atividades relacionadas a um crime.
- Difusão verde: para emitir alertas e informações sobre pessoas que cometeram delitos e são consideradas possíveis ameaças à segurança pública.
- Difusão prateada: para localizar e recuperar ativos ligados ao crime organizado.
- Difusão preta: para solicitar informações sobre corpos não identificados.
- Difusão laranja: para alertar sobre eventos, pessoas, objetos ou processos que representam ameaça grave e iminente.
- Difusão roxa: para compartilhar informações sobre modus operandi, objetos, dispositivos e métodos de ocultação usados por criminosos.
Quais os principais crimes combatidos?
A atuação da Interpol no Brasil é focada em crimes que ultrapassam fronteiras e exigem uma resposta coordenada. A troca de informações é fundamental para desarticular redes criminosas complexas que operam em escala global.
Entre as prioridades estão o combate ao terrorismo, crimes cibernéticos, tráfico de drogas e de pessoas. A organização também presta apoio em investigações sobre crimes ambientais, como o desmatamento ilegal e o tráfico de animais silvestres, além de roubo de obras de arte e outros bens culturais.
A relevância do Brasil na organização foi reforçada com a eleição do brasileiro Valdecy Urquiza para o cargo de Secretário-Geral da Interpol, com mandato iniciado em novembro de 2024. Em 2026, essa colaboração se aprofundou com uma parceria para criar uma coalizão sul-americana de combate ao crime organizado, evidenciando a atuação proativa do país no cenário da segurança global.









