VACINAS

Ministério da Saúde mantém 32 milhões de doses da Janssen sem uso em galpão

Dos 41 milhões originalmente disponíveis, somente 9,2 milhões chegaram aos estados. Motivo, segundo a pasta, é falta de infraestrutura para receber os imunizantes

Maria Eduarda Angeli*
postado em 27/01/2022 17:36 / atualizado em 27/01/2022 17:36
 (crédito:  Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Mais de 31,7 milhões de doses do imunizante da Janssen estão parados em um galpão na cidade de Guarulhos, em São Paulo. O depósito — Centro de Distribuição da pasta — é propriedade do Ministério da Saúde, que alega que as algumas redes estaduais não possuem infraestrutura suficiente para conservar as vacinas. Desse modo, as unidades federativas teriam pedido a suspensão do envio por parte da pasta federal.

Até dezembro do ano passado, o Brasil recebeu 41 milhões de doses da Janssen — três milhões de unidades foram doados pelo governo dos Estados Unidos. Os outros 38 milhões foram adquiridos por contrato direto firmado pelo Ministério da Saúde com o laboratório. Acontece que, segundo um informe divulgado pela pasta na quarta-feira (26), apenas 9,2 milhões desse total chegaram aos municípios. A informação foi revelada no Jornal Nacional.

Em nota, o órgão esclareceu que a saturação da rede de frio — geladeiras e freezers utilizados no armazenamento dos imunizantes — foi o que motivou alguns estados a solicitarem a suspensão do envio das vacinas, sem especificar os envolvidos.

A vacina da Janssen, que tem dose única, foi autorizada em março do ano passado para uso emergencial no país. Desde novembro, o ministério passou a recomendar a dose de reforço.

A princípio, a pasta da Saúde declara que as doses estão disponíveis para distribuição a qualquer momento em que forem requisitadas.

Envio por demanda

No ano passado, estados e municípios solicitaram ao Ministério da Saúde que o envio dos imunizantes fosse feito com a adoção de uma análise semanal das necessidades de cada região, afirma o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). O Conass também diz não ter conhecimento de qualquer imposição de preferência dos estados por marcas específicas de vacinas.

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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