
Os dados mais recentes do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT), do Ministério da Previdência Social, mostram forte desigualdade no mercado de trabalho brasileiro. Em 2024, 53% dos acidentes atingiram a população negra. Dos 787,4 mil registros, 417,6 mil envolveram trabalhadores pretos e pardos.
O crescimento desses acidentes também foi maior entre esse público. Em relação a 2023, os acidentes com trabalhadores brancos aumentaram 9,7%. Entre pretos e pardos, o aumento foi de quase 16%. Foram registrados 347.053 acidentes com pardos (44%) e 70.508 com pretos (9%). Entre brancos, o total foi de 360.907 registros (45,8%).
A maioria dos casos (88,1%) resultou em atendimento médico imediato ou afastamentos curtos. Mesmo assim, os números de casos graves seguem elevados. Em 2024, o país registrou 3.394 mortes e 9.315 casos de invalidez permanente por acidentes de trabalho.
Os setores com maior incidência continuam sendo o atendimento hospitalar, com mais de 70 mil acidentes, seguido pelo comércio varejista e pelo transporte rodoviário de cargas.
Pela primeira vez, o estudo apresentou dados que cruzam raça ou cor com nível de escolaridade. Essa mudança permite identificar com mais precisão os grupos mais vulneráveis no ambiente de trabalho. Segundo Alexandre Zioli, coordenador-geral de Estatísticas e Estudos Previdenciários, o aumento de 10,6% nos acidentes na última década não se explica apenas pelo crescimento do emprego. “Há um aumento real das ocorrências, que afetou 16,9 trabalhadores a cada mil”, explica.
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