
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançaram, nesta quarta-feira (7/1), um programa para construir os chamados "hospitais inteligentes" do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa vai incorporar tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA) e conexão 5G para acelerar o atendimento em urgência, emergência e em unidades de tratamento intensivo (UTIs). O primeiro hospital inteligente público será instalado em São Paulo e servirá como referência para outras instituições. O governo federal também prometeu modernizar hospitais já existentes.
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O anúncio foi feito em cerimônia fechada no Palácio do Planalto, com a presença de ministros, autoridades e delegações da China e da Índia, que serão parceiras do projeto — a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes. De acordo com o Ministério da Saúde, os serviços inteligentes usam tecnologias como IA, big data, telemedicina e monitoramento remoto para fornecer um atendimento mais rápido, acessível e personalizado.
Em discurso, Lula defendeu que a pandemia de covid-19 fez com que a população brasileira entendesse a importância dos hospitais públicos. "O SUS era tratado de forma pejorativa. Ou seja, só se tratava de desgraça, miséria, morte no SUS", afirmou.
Ao tratar da modernização dos hospitais, Lula citou o acidente doméstico que sofreu em outubro de 2024, e a cirurgia de emergência à qual se submeteu, pouco mais de um mês depois, para drenar uma hemorragia no crânio. "Eu estava na capital do país e disseram que eu tinha que ir para São Paulo, urgente, para fazer o tratamento. Não tinha nem o avião presidencial aqui. Eu tive que esperar, nessa emergência, três horas no hospital e, depois, viajar mais uma hora e meia de avião. Quando eu cheguei no hospital, da equipe médica, dos quatro que estavam lá, dois estavam chorando porque achavam que eu poderia ter entrado em coma dentro do avião", disse o presidente. "Que a gente coloque uma coisa inteligente em Brasília porque, se isso aconteceu com o presidente, imagina com o coitado do povo", enfatizou.
UTI inteligente
Segundo Padilha, o primeiro eixo do programa será a implantação de 14 UTIs inteligentes nas cinco Regiões do país, com investimento de R$ 34 milhões em hospitais já existentes. O segundo eixo será a construção do primeiro hospital inteligente do SUS, o Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), que fará atendimentos de urgência e emergência, além da atenção especializada. O hospital terá capacidade para atender 200 mil pacientes por ano na emergência, com 250 leitos, mais 350 leitos de UTI, 25 salas cirúrgicas, departamentos de neurologia e trauma, e enfermaria com 200 leitos.
A unidade contará com aporte de R$ 1,7 bilhão do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o Banco do Brics, pagos ao longo de quatro anos. "São hospitais que se utilizam da mais alta tecnologia de informação e de inteligência artificial, da conexão dos seus equipamentos, de uma rede que se sustenta, internet que consegue garantir essa conexão e que permite atendimentos à distância, monitoramento à distância, e uso da IA para acelerar diagnósticos", discursou Padilha.
O terceiro eixo do programa será a modernização de hospitais de excelência do SUS, com implantação das novas tecnologias: Hospital Unifesp (SP); hospitais federais do Rio de Janeiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio); o novo Hospital Oncológico da Baixada Fluminense (RJ); o Instituto do Cérebro (RJ); e o novo Hospital do Grupo Hospitalar Conceição (RS). Essa etapa contará com aporte de R$ 1,1 bilhão do Ministério da Saúde, mas apenas para as instituições fluminenses.
A ex-presidente da República e presidente do NBD, Dilma Rousseff, que também participou do anúncio, destacou a cooperação tecnológica com China e Índia, que vão contribuir com as ferramentas utilizadas na modernização do Instituto Tecnológico de Emergência da USP, primeiro hospital do tipo. Destacou ainda a importância do financiamento feito pelo banco internacional.
"O NBD não tinha a praxe, até então, de financiar projetos no Brasil. Não era o Brasil o país que recebia o maior número de recursos. E eu acredito, também, que não era o Brasil que tinha os projetos mais importantes dos países do Brics, emergentes e em desenvolvimento", disse Dilma.
"Fizemos um grande esforço para mudar a qualidade dos projetos financiados no Brasil", acrescentou. Segundo a presidente do NBD, a instituição aprovou, no ano passado, US$ 1,5 bilhão em empréstimos para o Brasil, especialmente, ao setor de infraestrutura.
Em seu discurso, Lula também cobrou rapidez na entrega dos hospitais. Também participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.
"Dilma, libere esse dinheiro logo. Dario, receba logo e libere logo. Padilha, por favor, execute a obra no tempo mais rápido possível", cobrou o presidente. Como não houve nenum anúncio de prazos para implementação do programa, Lula perguntou qual a previsão das entregas. Segundo Padilha, as UTIs inteligentes começam a funcionar ainda neste ano, e o hospital inteligente da USP deve demorar entre três e quatro anos para ficar pronto.
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