FRONTEIRA

Venezuela: Padilha diz que Brasil está em "absoluta prontidão" para impacto da crise

Segundo o ministro da Saúde, até o momento, não houve registro de sobrecarga no Sistema Único de Saúde (SUS)

Segundo Padilha, a Venezuela tem cerca de 16 mil pacientes em tratamento dialítico -  (crédito: Fernanda Strickland/CB/D.A Press)
Segundo Padilha, a Venezuela tem cerca de 16 mil pacientes em tratamento dialítico - (crédito: Fernanda Strickland/CB/D.A Press)

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quarta-feira (7/1), em coletiva no Palácio do Planalto, que o governo federal acompanha de forma permanente os desdobramentos da crise na Venezuela e está preparado para responder a um eventual aumento do fluxo migratório para o Brasil, especialmente pela fronteira de Roraima. Segundo ele, até o momento, não houve registro de sobrecarga no Sistema Único de Saúde (SUS).

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“Felizmente, não teve nenhum aumento do fluxo migratório da Venezuela para o Brasil”, disse o ministro, ao atualizar informações dadas nos dias seguintes ao ataque ao país vizinho. Padilha atribuiu a estabilidade ao contexto interno venezuelano, marcado por toque de recolher e restrições à circulação de pessoas, e garantiu que o monitoramento segue ativo.

De acordo com o ministro, mais de 40 profissionais do Ministério da Saúde já atuam em Roraima no âmbito da Operação Acolhida. Apenas no fim de 2025, cerca de 3 mil atendimentos foram realizados na fronteira e em Boa Vista. No acumulado de 2024 e 2025, aproximadamente 500 mil doses de vacinas foram aplicadas na operação.

Padilha informou ainda que três equipes permanentes seguem na região e que técnicos da Força Nacional do SUS concluíram um diagnóstico da estrutura de saúde disponível em Pacaraima. O levantamento apontou que, se necessário, é possível ampliar a capacidade do hospital municipal existente, sem a necessidade de montar um hospital de campanha adicional. “Basta levar equipamentos e fazer ampliação”, explicou.

Segundo o ministro, um plano de contingência já foi elaborado. Ele destacou que o governo está pronto para reforçar equipes em Pacaraima e Boa Vista e ampliar a estrutura hospitalar caso haja aumento no número de migrantes. Padilha citou também o novo Hospital Universitário Federal de Roraima, inaugurado no ano passado, como retaguarda estratégica para atendimentos de maior complexidade.

Apesar da prontidão, Padilha ressaltou que, até agora, não foi preciso acionar essas medidas. “O Ministério da Saúde está em absoluta prontidão. Nossa prioridade absoluta é proteger o SUS brasileiro, reduzir ao máximo os impactos de um possível fluxo migratório e organizar a acolhida já na entrada da fronteira”, afirmou.

Além das ações internas, o ministro confirmou que o Brasil foi demandado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para ajudar a Venezuela após o bombardeio ao principal centro de distribuição de insumos e medicamentos do sistema de saúde venezuelano, localizado no estado de Guárico. O ataque comprometeu o abastecimento de materiais essenciais para a diálise, considerada uma situação crítica.

Segundo Padilha, a Venezuela tem cerca de 16 mil pacientes em tratamento dialítico, e a destruição do centro logístico ameaça a continuidade do fornecimento de insumos nas próximas semanas. O Brasil, afirmou, está mobilizando doações e, se necessário, fará a contratação de materiais para envio ao país vizinho. Ele ressaltou que a ajuda se limita a insumos e medicamentos, sem envio de máquinas ou profissionais, e não afetará os mais de 170 mil pacientes em diálise atendidos pelo SUS no Brasil.

“Fazemos isso por uma questão humanitária”, disse o ministro, ao lembrar que, durante a crise de oxigênio em Manaus, no auge da pandemia da covid-19, a Venezuela enviou 130 mil metros cúbicos de oxigênio para socorrer a população brasileira. “Não vamos nos furtar em ajudar um país vizinho numa situação como essa”, afirmou.

Os insumos já estão sendo reunidos no centro de distribuição do Ministério da Saúde, no aeroporto de Guarulhos, e a logística de transporte está sendo coordenada pela Opas em articulação com autoridades venezuelanas. Segundo Padilha, o objetivo é apoiar o sistema de saúde da Venezuela sem comprometer, sob nenhuma hipótese, o atendimento à população brasileira.

 

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postado em 07/01/2026 14:56 / atualizado em 07/01/2026 14:56
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