
Condenada a quase 40 anos de prisão por mandar matar os próprios pais, Suzane von Richthofen entrou na justiça para requerer parte da herança deixada pelo tio Miguel Abdala Netto. O médico foi encontrado morto em casa, na Zona Sul de São Paulo, no sábado (10/1). O patrimônio é estimado em cerca de R$ 5 milhões e também é reivindicado por Silvia Magnani, prima de primeiro grau do médico.
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Segundo divulgado pelo jornal O Globo, o conflito começou antes mesmo do sepultamento. No fim de semana, Suzane e Silvia procuraram, separadamente, a polícia e o Instituto Médico Legal (IML) para tentar liberar o corpo de Miguel. No entanto, o pedido foi negado a Suzane e a prima foi quem conseguiu a autorização e ficou responsável pelo enterro, realizado na terça-feira (13), em Pirassununga, cidade de origem da família.
Segundo a prima, o sepultamento contrariou a vontade do médico, que desejava ser enterrado ao lado da mãe e dos avós. A cerimônia foi simples e contou apenas com a presença dela. "Ele vivia isolado e sem contato frequente com ninguém", disse.
Até o momento, apenas Suzane e Silvia se apresentaram como interessadas diretas nos bens. Silvia afirma que busca o que considera justo para preservar a memória de Miguel e diz que, durante os anos que conviveram, ele demonstrava forte rejeição à sobrinha. "Porque ela matou a irmã dele e deixou o sobrinho (Andreas) destruído emocionalmente", contou. Ainda assim, afirma que aceitará a decisão judicial, seja qual for.
A definição sobre quem ficará com a herança depende da existência ou não de um testamento. De acordo com a legislação brasileira, metade do patrimônio pode ser destinada livremente, enquanto a outra parte é reservada aos herdeiros legais. Como Miguel não tinha filhos, cônjuges, pais ou irmãos vivos, os sobrinhos aparecem como herdeiros preferenciais, à frente dos primos. Nesse cenário, Suzane e o irmão, Andreas von Richthofen, teriam prioridade.
Andreas, no entanto, não foi localizado até agora. Silvia afirma ter tentado contato, sem sucesso, e que ele estaria vivendo em endereço indefinido no litoral paulista. Com isso, a disputa prática ficou restrita às duas mulheres. Suzane já ingressou com ação judicial pedindo a tutela do cadáver, com o objetivo de se tornar inventariante de todos os bens.
Morte do médico e tio
Miguel Abdalla Netto, 76 anos, foi encontrado morto na madrugada de sábado (10/1), sentado em uma poltrona do quarto da residência, no bairro Campo Belo. Um vizinho acionou a polícia após estranhar a falta de contato por cerca de dois dias. O corpo estava em estado avançado de decomposição.
A Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita e aguarda os laudos periciais. De forma preliminar, a principal hipótese é de um mal súbito, possivelmente um ataque cardíaco, já que não foram identificados sinais aparentes de violência.
A disputa pela herança também se estendeu ao imóvel onde o médico morava. Suzane e Silvia procuraram, em momentos distintos, o vizinho que guarda a chave da casa. Ele informou que só entregará o acesso mediante ordem judicial.
Miguel foi tutor de Andreas após a morte da irmã e do cunhado, em 2002, e chegou a atuar como inventariante dos bens do casal. Suzane foi posteriormente declarada indigna de receber a herança dos pais, que ficou integralmente com o irmão.

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