
O Exército Brasileiro ampliou a área de buscas pelos irmãos Ágata Isabelle, 6 anos, e Allan Michael, 4, desaparecidos há 19 dias no povoado de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão. Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (22/1), o tenente-coronel João Carlos Duque, comandante do 24º Batalhão de Infantaria de Selva (24º BIS), informou que uma força-tarefa percorreu mais de 200km a pé e por embarcação no entorno da comunidade, incluindo regiões de difícil acesso.
Segundo o militar, as equipes do Exército atuaram em locais onde voluntários e moradores não conseguiam chegar, como áreas de mata fechada, terrenos alagadiços e trechos isolados. “Fomos a pontos de difícil acesso, locais que voluntários não conseguiam acessar. Isso nos dá a garantia de que essas áreas foram varridas e, ao mesmo tempo, a esperança de que as crianças não estejam nesses locais”, afirmou.
De acordo com Duque, dentro da perspectiva técnica, um ser humano consegue sobreviver em ambiente hostil, com pouca água e sem alimentação adequada, por um período estimado entre oito e doze dias. “Já ultrapassamos essa linha. O fato de não termos encontrado vestígios, pegadas ou qualquer elemento que levasse à localização das crianças nesse terreno amplia a possibilidade de que elas estejam em outro lugar”, explicou.
Com o avanço das buscas e o esgotamento das áreas inicialmente priorizadas, o Exército informou que manterá equipes especializadas em rastreamento de prontidão. A estratégia prevê resposta imediata caso surja qualquer nova informação envolvendo locais de difícil acesso. “Vamos manter especialistas, o uso de drones e o contato permanente com São Luís, para que qualquer dado novo seja checado rapidamente”, disse o comandante.
As buscas seguem integradas com outros órgãos de segurança e salvamento, enquanto a investigação sobre o desaparecimento das crianças continua em andamento.
“Empregamos todos os meios disponíveis”, diz secretário
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, afirmou que as buscas pelos irmãos chegaram ao 19º dia com reforço máximo das forças de segurança e de salvamento. Segundo ele, desde o primeiro dia, a Polícia Militar de Bacabal esteve no local e, de forma progressiva, recebeu reforços da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Força Estadual Integrada, Exército e Marinha.
De acordo com o secretário, a operação mobilizou até 260 policiais em um único momento e contou com o apoio de aeronaves, cães farejadores, drones e equipamentos de imagem em vídeo 3D. Também participaram das buscas unidades especializadas, como os canis da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, além de reforços vindos dos estados do Pará e do Ceará. “Chegamos a ter mais de mil homens espalhados nessa mata em busca das crianças”, disse.
Maurício Martins ressaltou que nenhum integrante das equipes sofreu ferimentos graves durante a operação e que todos os profissionais envolvidos passam bem. Segundo ele, os esforços se concentraram tanto em buscas terrestres quanto aquáticas, com atuação da Marinha no rio Mearim, utilizando equipamentos capazes de fazer varreduras subaquáticas. “Infelizmente, não localizamos as duas crianças até o momento, mas a missão continua”, afirmou.
O secretário destacou ainda que, paralelamente às buscas, a Secretaria de Segurança Pública instaurou uma comissão especial para conduzir a investigação sobre o desaparecimento. O grupo é formado por dois delegados de São Luís e pela delegada de Bacabal. “Desde o início, as buscas e a investigação caminham juntas. Mantemos o mesmo propósito e não perdemos a esperança, confiando no trabalho técnico da segurança pública”, concluiu.

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