HOMENAGEM

Artista cria homenagem a cão Orelha em praia de Florianópolis

Desenho foi feito na areia da Praia da Galheta após morte de cão comunitário agredido na Praia Brava

Uma arte com cerca de 40 metros de extensão foi desenhada na areia da Praia da Galheta, em Florianópolis, como homenagem ao cão comunitário Orelha, morto após ser agredido na Praia Brava. A obra foi criada pelo artista visual Clayton Balduino, na última quarta-feira (28/1).

Em entrevista ao Correio, o artista afirmou que a escolha do local foi decisiva para a execução do trabalho. “Essa arte foi feita na Praia da Galheta, em Florianópolis, que é um dos lugares onde eu mais gosto de trabalhar. Moro ao lado da praia e ela tem uma extensão de areia muito boa, bem lisa. Nesse dia, a maré estava baixa, as condições estavam perfeitas”, afirmou.

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Natural de São Paulo, Clayton vive em Florianópolis há 11 anos. Ele conta que começou a desenvolver esse tipo de intervenção ainda no estado paulista. “Trabalho com land art há 13 anos. Sou de São Paulo e moro em Florianópolis há 11 anos. Comecei esse tipo de trabalho ainda em São Paulo, na Praia do Sul, por volta de 2012, e quando me mudei para cá dei continuidade ao projeto”, relatou.

Segundo ele, a homenagem faz parte de uma nova perspectiva de trabalho. “Neste ano, eu estava num processo de estudo mais aprofundado, focado em rostos, personalidades, buscando algo mais artístico e também um pouco mais realista. Quando surgiu a história do Orelha, pensei: ‘acho que vou tentar desenhar um cachorro dentro desse estudo”, disse.

A decisão, segundo ele, foi tomada de forma espontânea. “Foi tudo muito espontâneo. Não fiquei muito tempo planejando. A história começou a repercutir, eu resolvi tentar e, sinceramente, não imaginava que a arte fosse ter um resultado tão forte”, contou.

As condições do dia contribuíram para o resultado final, assim como a resposta do público. “O dia ajudou muito, tudo colaborou. Fiquei muito feliz com o resultado e, principalmente, com a reação das pessoas. Tenho recebido muitas mensagens de gente emocionada com a homenagem, pedindo autorização para compartilhar as imagens”, afirmou.

Para o artista, a repercussão tem dado novo significado ao trabalho. “Está sendo muito bonito ver essa repercussão tão positiva. Saber que a arte está tocando as pessoas e ajudando a manter viva essa história me deixa muito feliz”, disse ao Correio.

A intervenção levou cerca de duas horas e meia para ser concluída. “Comecei por volta das cinco da manhã e terminei entre sete e meia e oito horas, quando comecei a fotografar”, relatou. Em seguida, foram feitas imagens aéreas do trabalho. 

 

Arquivo Pessoal - Artista visual Cleyton Baduíno trabalha com land art há 13 anos

Caso Orelha

A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) tomou conhecimento do caso no dia 16 de janeiro. O cachorro foi encontrado ferido por frequentadores da praia Brava e encaminhado a uma clínica veterinária. No entanto, não resistiu aos ferimentos e, no dia seguinte, diante da gravidade do quadro, foi submetido à eutanásia.

Laudos periciais indicaram que o animal sofreu um golpe na cabeça provocado por um objeto contundente, sem ponta ou lâmina. O instrumento utilizado na agressão não foi localizado.

Os policiais também apuram uma tentativa de afogamento de outro cão comunitário, conhecido como Caramelo, ocorrida na mesma praia. Imagens registraram adolescentes segurando o animal, e testemunhas relataram que ele teria sido arremessado ao mar.

Quatro adolescentes são apontados como envolvidos na agressão contra Orelha. Dois deles já haviam sido alvo de uma operação policial realizada na segunda-feira (26/1). Em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que assegura sigilo em casos envolvendo pessoas com menos de 18 anos, não foram divulgados nomes, idades ou endereços.

A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE). Até o momento, não há data definida para a oitiva dos adolescentes.

Além disso, três adultos, dois pais e um tio dos adolescentes, foram indiciados sob suspeita de coação de testemunha. Segundo a Polícia Civil, a vítima da suposta intimidação seria um vigilante de condomínio que possuía uma fotografia considerada relevante para o esclarecimento do caso.

No Distrito Federal, a Polícia Civil ressalta a importância de denunciar casos de maus-tratos a animais. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 197, opção 0, pelo e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br ou pelo WhatsApp (61) 98626-1197.

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