
A Polícia Civil de Goiás concluiu que o secretário de Itumbiara Thales Naves Alves Machado matou os dois filhos, de 12 e 8 anos, enquanto eles dormiam, e depois tirou a própria vida. O resultado do inquérito foi apresentado na manhã desta sexta-feira (27/2), em entrevista coletiva. Segundo os investigadores, ele agiu sozinho.
Ao iniciar a coletiva, o delegado Felipe Soares Sala criticou a circulação de notícias falsas durante o andamento do caso. “Inicialmente, atribuíram um infarto ao prefeito Jhony, avô das crianças. Nada aconteceu com ele. Permaneceu forte, cumprindo seu papel de pai e de avô”, afirmou.
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O delegado também citou outras informações que não eram verdadeiras. “Atribuíram uma carta à Sara, que seria escrita por ela. Foi uma fake news que tomou proporções enormes. Também falaram em ameaças no funeral, o que não aconteceu”, declarou. Segundo a polícia, a mãe das crianças foi ouvida e confirmou que não sofreu ameaças.
De acordo com a investigação, 24 testemunhas foram ouvidas, incluindo o frentista que vendeu gasolina ao secretário e o detetive particular contratado por ele. Imagens de câmeras de segurança, comprovantes de pagamento via pix e laudos periciais também foram anexados ao inquérito.
Às 18h03, ligou para os pais e marcou um jantar. Segundo depoimento deles, o encontro teve um “tom de despedida”, algo que só foi percebido depois da tragédia.
Às 20h13, ele comprou quatro galões de gasolina em um posto de Itumbiara. Segundo o frentista, Thales estava nervoso e errou a senha do cartão várias vezes. Às 20h25, entrou no condomínio onde morava com os filhos dentro do carro.
Ainda naquela noite, às 20h39, fez uma chamada de vídeo para a esposa. “Temos informações de que a conversa já não era amigável e havia ameaças”, afirmou o delegado. Às 23h39, ele publicou nas redes sociais uma foto com os filhos e uma mensagem de despedida.
Para a polícia, o crime ocorreu entre 23h39 e meia-noite. O avô das crianças chegou ao local por volta da meia-noite. Como tinha a senha da casa, entrou e encontrou a cena do crime. “A casa estava fechada, sem sinais de arrombamento ou invasão. Em momento algum surgiu qualquer elemento que indicasse a presença de um terceiro na cena do crime”, destacou.
A perícia apontou que as crianças estavam dormindo quando foram atingidas. A arma usada foi uma pistola Glock G25 calibre .380, registrada em nome do secretário.
Após atirar nos filhos, ele disparou contra ele mesmo. “Ele foi a óbito imediato. Os meninos foram resgatados com vida. Um deles morreu no mesmo dia. O outro passou por cirurgia e ficou internado em UTI, mas não resistiu”, disse.
O inquérito foi enviado ao Poder Judiciário, com pedido de arquivamento, já que a punibilidade é extinta com a morte do autor.

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