FÓRUM DA SAÚDE

"É difícil imaginar a qualidade de vida de quem viaja 800km para receber medicação", diz especialista

Mara Rúbia Figueiredo, coordenadora do Serviço de Fibrose Cística e Bronquiectasias do Hospital de Messejana, em Fortaleza, falou sobre diagnóstico tardio e desigualdade regional durante evento do Correio

Especialista alertou para falhas no diagnóstico da doença e apresentou um plano de expansão estruturado para os próximos 12 meses -  (crédito: ED Alves/CB/D.A Press)
Especialista alertou para falhas no diagnóstico da doença e apresentou um plano de expansão estruturado para os próximos 12 meses - (crédito: ED Alves/CB/D.A Press)

A ampliação do diagnóstico precoce e a reorganização da rede de atendimento à fibrose cística estiveram no centro do segundo painel do Fórum da Saúde: Da triagem ao cuidado — A fibrose cística no Brasil, realizado pelo Correio Braziliense, em parceria com a Vertex Farmacêutica.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Durante a discussão sobre modelos de cuidado e equidade regional, a professora de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor) e coordenadora do Serviço de Fibrose Cística e Bronquiectasias do Hospital de Messejana, Mara Rúbia Figueiredo, alertou para falhas no diagnóstico e apresentou um plano de expansão estruturado para os próximos 12 meses.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

Apesar do avanço da triagem neonatal no país, a médica destacou que parte dos pacientes ainda recebe o diagnóstico tardiamente. “No nosso serviço, 25% dos nossos pacientes nós diagnosticamos em fase adulta já”, afirmou. Para ela, o dado pode indicar lacunas no rastreamento precoce e na organização da linha de cuidado.

Associação como elo entre pacientes e gestão

Ao abordar soluções já implementadas no Ceará, Mara Rúbia ressaltou o papel estratégico da associação estadual de pacientes, que atua de forma integrada com a Secretaria de Saúde e os dois serviços especializados do estado — infantil e adulto.

Segundo ela, essa articulação tem permitido fortalecer ações contínuas, indo além de campanhas pontuais. Parcerias com universidades, desenvolvimento de projetos acadêmicos e iniciativas voltadas ao suporte de pacientes e cuidadores fazem parte do modelo adotado. “As evidências científicas mostram isso, não apenas o paciente impactado com uma doença crônica como essa”, observou, ao mencionar o impacto também sobre familiares.

Entre as ações destacadas estão mutirões e organização ágil da distribuição de medicamentos para pacientes elegíveis a novas terapias, iniciadas em “tempo recorde”, segundo a professora. “A associação é um ponto chave”, disse. “Assim como os centros fortalecem a associação, a associação fortalece o centro.”

Cinco eixos para reorganizar o cuidado

Durante o painel, a coordenadora do Serviço de Fibrose Cística do Hospital de Messejana apresentou cinco propostas consideradas prioritárias: Educação continuada para profissionais de saúde; Fortalecimento dos centros de referência, dentro da política de doenças raras; Padronização e monitoramento, com definição de indicadores assistenciais; Implementação de telemedicina interestadual; e Descentralização do acesso à medicação e acompanhamento.

A médica destacou que há pacientes que percorrem até 800 quilômetros mensalmente para receber tratamento. “É realmente difícil a gente imaginar que qualidade tem um paciente que tem que viajar 800km a cada mês para poder receber a sua medicação”, afirmou.

O plano apresentado por ela no evento prevê uma expansão progressiva da rede ao longo de um ano. A primeira etapa envolve a consolidação da governança, com criação de grupo técnico nacional e alinhamento dentro da política de doenças raras. Em seguida, seriam definidos indicadores prioritários e critérios de habilitação.

Nos trimestres seguintes, a proposta inclui padronização da assistência, capacitação de equipes multidisciplinares, integração a um registro nacional e implementação de projetos-piloto interestaduais para testar o modelo de telemedicina estruturada.

A estimativa, segundo Mara Rúbia, é que a iniciativa possa impactar até 500 pacientes, considerando a colaboração entre centros. Ao final dos 12 meses, os resultados seriam apresentados ao Ministério da Saúde, com pactuação formal das habilitações conforme os indicadores previamente estabelecidos.

A ampliação do diagnóstico precoce e a reorganização da rede de atendimento à fibrose cística estiveram no centro do segundo painel do Fórum de Saúde “Da triagem ao cuidado: A Fibrose Cística no Brasil”, realizado nesta terça-feira (3/3), no Correio Braziliense.
 Durante a discussão sobre modelos de cuidado e equidade regional, a professora de Medicina da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e coordenadora do Serviço de Fibrose Cística e Bronquiectasias do Hospital de Messejana, Mara Rúbia Figueiredo, alertou para falhas no diagnóstico e apresentou um plano de expansão estruturado para os próximos 12 meses.
Apesar do avanço da triagem neonatal no país, a médica destacou que parte dos pacientes ainda recebe o diagnóstico tardiamente. “No nosso serviço, 25% dos nossos pacientes nós diagnosticamos em fase adulta já”, afirmou. Para ela, o dado pode indicar lacunas no rastreamento precoce e na organização da linha de cuidado.
 Associação como elo entre pacientes e gestão
Ao abordar soluções já implementadas no Ceará, Mara Rúbia ressaltou o papel estratégico da associação estadual de pacientes, que atua de forma integrada com a Secretaria de Saúde e os dois serviços especializados do estado — infantil e adulto.
Segundo ela, essa articulação tem permitido fortalecer ações contínuas, indo além de campanhas pontuais. Parcerias com universidades, desenvolvimento de projetos acadêmicos e iniciativas voltadas ao suporte de pacientes e cuidadores fazem parte do modelo adotado. “As evidências científicas mostram isso, não apenas o paciente impactado com uma doença crônica como essa”, observou, ao mencionar o impacto também sobre familiares.
Entre as ações destacadas estão mutirões e organização ágil da distribuição de medicamentos para pacientes elegíveis a novas terapias, iniciadas em “tempo recorde”, segundo a médica. “A associação é um ponto chave”, disse. “Assim como os centros fortalecem a associação, a associação fortalece o centro.”
Cinco eixos para reorganizar o cuidado
Durante o painel, a coordenadora apresentou cinco propostas consideradas prioritárias: Educação continuada para profissionais de saúde; Fortalecimento dos centros de referência, dentro da política de doenças raras; Padronização e monitoramento, com definição de indicadores assistenciais; Implementação de telemedicina interestadual; e Descentralização do acesso à medicação e acompanhamento.
A médica destacou que há pacientes que percorrem até 800 quilômetros mensalmente para receber tratamento. “É realmente difícil a gente imaginar que qualidade tem um paciente que tem que viajar 800 km a cada mês para poder receber a sua medicação”, afirmou.
O plano apresentado prevê uma expansão progressiva da rede ao longo de um ano. A primeira etapa envolve a consolidação da governança, com criação de grupo técnico nacional e alinhamento dentro da política de doenças raras. Em seguida, seriam definidos indicadores prioritários e critérios de habilitação.
Nos trimestres seguintes, a proposta inclui padronização da assistência, capacitação de equipes multidisciplinares, integração a um registro nacional e implementação de projetos-piloto interestaduais para testar o modelo de telemedicina estruturada.
A estimativa é que a iniciativa possa impactar até 500 pacientes, considerando a colaboração entre centros. Ao final dos 12 meses, os resultados seriam apresentados ao Ministério da Saúde, com pactuação formal das habilitações conforme os indicadores previamente estabelecidos.

  • Google Discover Icon
postado em 03/03/2026 12:01 / atualizado em 03/03/2026 12:04
x