CRIME

Madrasta é condenada a 49 anos por envenenar enteados no Rio

Júri considerou mulher culpada pela morte de jovem de 22 anos e pela tentativa de homicídio do irmão, de 16; crime ocorreu em 2022 com uso de "chumbinho" na comida das vítimas

O Conselho de Sentença do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou, na manhã desta quinta-feira (5/3), Cíntia Mariano Dias Cabral a 49 anos e seis meses de prisão em regime fechado pela morte da enteada Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos, e pela tentativa de homicídio do enteado Bruno Carvalho Cabral, que tinha 16 anos na época dos fatos. Segundo a acusação, a mulher colocou veneno conhecido como “chumbinho” em alimentos servidos aos dois jovens em 2022. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

O julgamento começou na tarde de quarta-feira (4/3) e se estendeu por quase 16 horas, atravessando a madrugada no fórum da capital fluminense. Após os debates entre acusação e defesa, os jurados deliberaram por menos de meia hora antes de anunciar o veredito. A sentença foi lida pela juíza Tula Mello, que destacou a gravidade do crime e as consequências para a família das vítimas.

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De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, o primeiro envenenamento ocorreu em março de 2022. Fernanda passou mal após ingerir feijão contaminado e foi internada em estado grave. A jovem morreu 13 dias depois no hospital.

Dois meses mais tarde, o irmão dela, Bruno, também teria sido envenenado após consumir uma refeição preparada pela madrasta. O adolescente percebeu um gosto estranho no alimento e notou pequenos pontos azulados no feijão, associados ao raticida popularmente chamado de “chumbinho”. Ele foi socorrido e sobreviveu após atendimento médico.

Laudos periciais confirmaram a presença de carbamato, substância presente no veneno, tanto no caso da morte de Fernanda quanto nas lesões sofridas por Bruno. A promotoria sustentou que o crime teria sido motivado por conflitos familiares e ciúmes da relação dos jovens com o pai, companheiro da acusada.

Durante o julgamento, testemunhas relataram tensões frequentes entre a ré e os enteados. Os próprios filhos biológicos de Cíntia também prestaram depoimento e afirmaram que a mãe teria confessado os crimes em conversas familiares.

Cíntia Mariano Dias Cabral está presa desde maio de 2022, quando foi detida durante depoimento na delegacia. Com a condenação no júri popular, ela continuará cumprindo pena enquanto a defesa prepara recurso contra a sentença.

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