A semaglutida, o princípio ativo do medicamento Ozempic, teve sua patente expirada na última sexta-feira (20/3). O presidente do Grupo FarmaBrasil, Reginaldo Arcuri, participou do CB.Poder — uma parceria entre Correio e TV Brasília —, desta segunda-feira (23) para comentar sobre o futuro das canetas emagracedoras no mercado brasileiro.
Arcuri disse ser importante esclarecer que houve o vencimento da patente, e não quebra ou extensão. De acordo com ele, a patente garante ao inventor o privilégio de exclusividade no mercado por 20 anos, mas, ao fim desse prazo, a sociedade tem o direito de ter mais produtores disputando o mercado, o que reduz o preço.
“Estamos entrando justamente nessa fase. Esses medicamentos são complexos, de descoberta e uso recentes, com um processo de produção sofisticado, caro e demorado. Haverá redução de preço, mas não será imediata. O custo é influenciado pela própria caneta aplicadora e, nos casos de comprimidos, pelo uso de mais princípio ativo para resistir ao processo digestivo.”
O dirigente destacou que muitas empresas já protocolaram pedidos na Anvisa para fabricar medicamentos à base de semaglutida, o que garantirá a entrada sucessiva de competidores no mercado brasileiro.
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“Já existe um número significativo de pedidos de registro na Anvisa. Não é apenas uma possibilidade futura; é uma entrada previsível de competidores que barateará a compra privada e abrirá caminhos para o sistema público. Estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul já testam o uso em ambientes controlados, o que servirá de exemplo para a expansão futura”, declarou.
Para Arcuri, a democratização do acesso tem duas dimensões: por meio privado, quando o preço reduzido amplia o acesso, e pelo meio público, através do Sistema Único de Saúde (SUS).
“A tendência é que o sistema ofereça o que há de melhor, mas o valor ainda será alto, mesmo com as reduções por volume de compra. O Ministério da Saúde e a Conitec analisam como atingir um valor suportável para o sistema público”, explicou.
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O representante do Grupo FarmaBrasil mencionou, porém, que o Brasil ainda importa grande parte da tecnologia.
"No caso da liraglutida, a empresa brasileira EMS já desenvolveu a molécula e produz o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo). Quanto à semaglutida, as empresas se prepararam através da 'Cláusula Bolar', que permite o desenvolvimento antes do fim da patente", apontou. "Por isso, já existem 17 pedidos na Anvisa", disse.
Assista à entrevista na íntegra
*Estagiário sob a supervisão de Carlos Alexandre de Souza
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