Eu, Estudante

RIO DE JANEIRO

Vídeo: Policial militar agride estudantes dentro de escola pública

Agressões foram registradas em vídeo dentro de escola na Zona Sul do Rio

Um policial militar agrediu dois estudantes dentro da Escola Estadual Senor Abravanel, na Zona Sul do Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira (25/3). Os jovens participavam de um protesto do movimento estudantil. Parte da ação foi registrada em vídeo.

Nas imagens, o policial aponta para uma estudante que filmava a situação. Ela pede para que ele “não encoste”, mas o militar desferiu dois tapas no rosto da jovem e rasgou sua blusa. Em seguida, outro aluno tenta intervir e é atingido com um soco no rosto, caindo no chão. O policial então volta a agredir a primeira estudante com mais um tapa.

O vídeo também mostra uma mulher tentando afastar o agente dos alunos.

À reportagem, a Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (Ames-Rio) informou que uma das vítimas é a presidente da entidade, Marissol Lopes. O outro estudante agredido é Theo Oliveiras, diretor da associação. A gravação foi feita por João Herbella, do Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo a Ames-Rio, os estudantes foram agredidos e detidos pela Polícia Militar. “Os representantes das entidades foram convocados pelos alunos para apoiar um abaixo-assinado que pedia o afastamento de um professor acusado de assédio durante as investigações”, diz trecho da nota.

A entidade afirma ainda que os estudantes tinham autorização para entrar nas escolas, conforme lista enviada à Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), e que a unidade acionou a polícia para retirá-los. “O subtenente agrediu os estudantes ainda dentro da escola, com tapas e socos. Do lado de fora, a agressão continuou com spray de pimenta, e a presidente da AMES-RJ teve a camisa rasgada antes de ser detida junto aos outros representantes”, acrescenta.

Em nota ao Correio, a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro informou que a Polícia Militar foi acionada de forma preventiva durante o protesto, com o objetivo de garantir a segurança. A pasta também comunicou o afastamento do professor alvo das denúncias e a abertura de sindicância para apurar o caso.

“A Seeduc lamenta o ocorrido e não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar, prática incompatível com os princípios da educação pública. A secretaria prestará todo o apoio necessário aos alunos envolvidos”, diz o texto.

Já a Polícia Civil informou que o caso foi registrado na 9ª DP (Catete) e que as circunstâncias estão sendo apuradas. O Correio tentou contato com a Polícia Militar, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno. O espaço segue aberto. 

Notas na íntegra

Polícia Civil

"O caso está sendo registrado na 9ª DP (Catete). A unidade vai apurar todos os fatos."

Secretaria de Educação do Rio de Janeiro

"A Secretaria de Educação lamenta o ocorrido e reforça que não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar, prática incompatível com os princípios que orientam a educação pública. A Seeduc prestará todo apoio necessário aos alunos envolvidos.

A Polícia Militar foi acionada durante um protesto de estudantes de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança de todos e preservar um ambiente adequado ao diálogo.

A Seeduc determinou o afastamento imediato do professor alvo da manifestação e uma sindicância foi aberta para apurar o caso e a conduta dos demais servidores envolvidos."

Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (Ames-Rio)

"Na manhã de hoje (25/03), a presidente Marissol Lopes e o Theo Oliveiras diretor da AMES-RJ junto do diretor João Herbella do DCE da UFRJ foram agredidos e detidos pela Policia Militar na Escola Estadual Amaro Cavalcanti (atual Escola Senhor Abravanel), no Largo do Machado.

Os representantes das entidades foram convocados pelos estudantes para apoiar o abaixo assinado pedindo que um professor acusado de assédio fosse afastado durante as investigações.

Apesar de terem autorização para entrar nas escolas, representando a AERJ em lista enviada e recebida pela SEEDUC, a escola chamou a polícia para expulsar os estudantes, que tentou impedir um direito legítimo dos estudantes de circular livremente nas escolas.

O subtenente agrediu os estudantes ainda dentro da escola, com tapas e socos. Do lado de fora, a agressão continuou com spray de pimenta, bandas e a presidente da AMES-RJ teve sua camisa rasgada antes de ser detida junto aos outros dois representantes e encaminhados para 9ª delegacia policial."