Violência

Polícia Federal desbarata esquema que lavou R$ 1,6 bilhão

Operação prende os MCs Ryan SP e Poze do Rodo, além de dois influenciadores — um deles responsável pela página on-line "Choquei" — e operadores financeiros. O grupo seria responsável por rifas e apostas ilegais, e movimentaria o dinheiro de facções

Ryan é acusado de ser o chefe da organização criminosa -  (crédito: Fotos: Reproduções/Instagrams pessoais)
Ryan é acusado de ser o chefe da organização criminosa - (crédito: Fotos: Reproduções/Instagrams pessoais)

A Polícia Federal (PF) deflagrou, ontem, a Operação Narcofluxo, que investiga uma organização criminosa de ] e transações ilegais, que teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão. Foram presos os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página on-line Choquei, e Chrys Dias, produtor de MC Ryan SP. Tiago de Oliveira e José Ricardo dos Santos Junior também foram detidos, acusados de serem os operadores financeiros do esquema. Os valores apreendidos chegam a R$ 20 milhões só em veículos de alto luxo.

MC Ryan SP — nome artístico de Ryan Santana dos Santos, de 25 anos — foi detido em uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga (SP). Ele é um dos principais cantores do funk nacional, com mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais. Com ele, foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos, além de armas e um colar com uma imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo.

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Para a PF, o cantor é o chefe da estrutura criminosa, que lavaria dinheiro para o crime organizado. Segundo a investigação, MC RYan SP "foi identificado como líder e beneficiário econômico da engrenagem, utilizando empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para mesclar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais".

Já MC Poze do Rodo — como é conhecido artísticamente Marlon Brandon Coelho Couto Silva, de 27 anos — foi preso em casa, em um condomínio no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Ele foi preso, em 2019, em um show em Sorriso (MT) por apologia ao crime. É acusado de envolvimento com o tráfico de drogas e de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho (CV).

Por sua vez, Raphael é suspeito de usar o perfil em rede social para "gestão de imagem e promoção digital" do grupo, que teria movimentado R$ 1,6 bilhão com rifas e bets ilegais patrocinadas pelo crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC). A PF acredita ter reunido indícios suficientes para apontar o dono da "Choquei" como "operador de mídia da organização", com "recebimento de valores elevados diretamente" de MC Ryan SP. O perfil no Instagram da "Choquei" tem 27 milhões de seguidores.

Chrys Dias é influenciador e empresário de MC Ryan SP. Também estaria envolvido na promoção de rifas e sorteios on-line de bens de alto valor, como veículos e imóveis.

A apuração aponta que a organização criminosa movimentava grandes quantias em espécie, transferências bancárias e operações com criptoativos, especialmente a moeda digital USDT (Tether), no Brasil e no exterior. Segundo a PF, o esquema utilizava a indústria audiovisual e o showbusiness digital para movimentar recursos ilícitos. A investigação aponta que empresas de produção musical e entretenimento misturam receitas formais com valores de origem ilegal.

Segundo a PF, foram identificadas transferências sucessivas entre contas para dificultar o rastreamento e a utilização de uma rede de "laranjas", composta por operadores logísticos e parentes, para esconder os verdadeiros beneficiários. De acordo com os investigadores, o alto volume de engajamento e a visibilidade pública dos envolvidos funcionavam como "escudo de conformidade", o que reduz as suspeitas sobre movimentações financeiras elevadas.

A operação é desdobramento de investigações anteriores que indicavam a atuação do grupo em esquemas de lavagem de capitais. Foram cumpridos 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos. As ordens judiciais foram executadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal.

As defesas dos investigados afirmam não terem obtido acesso integral aos autos.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

 

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postado em 16/04/2026 03:55
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