
Nesta sexta-feira (17/4), é lembrado o aniversário de 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, a mais violenta ação policial em um conflito latifundiário do Brasil. A matança, no sul do Pará, repercutiu internacionalmente e marcou a história da luta por terras no país.
O caso foi amplamente noticiado pelo Correio Braziliense. Nos dias seguintes ao massacre, ocorrido 17 de abril de 1996, o jornal denunciou as mortes e acompanhou o desenrolar das investigações: “Vergonha!”, lia-se no especial de reportagem que se estendeu durante a semana.
Ao todo, 21 pessoas foram mortas e dezenas foram feridas por policiais militares durante a repressão à uma marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na BR-155. Elas faziam parte de um grupo de mais de 1.500 famílias acampadas nas proximidades da Fazenda Macaxeira.
A desproporção da ação policial foi evidenciada desde as primeiras notícias do massacre. Análises preliminares de equipes médicas mostravam sinais de execução, com corpos com marcas de tiros à queima roupa, agressões com cassetetes e objetos cortantes. “A matança durou mais de duas horas. O sangue ficou na estrada”, noticiou o repórter Ronaldo Brasiliense.
Depoimentos angustiantes dos sobreviventes e as reações de políticos da época tomaram as páginas do jornal. “Nada justifica que policiais atirem contra pessoas que estão manifestando opiniões. O que houve no Pará é inaceitável, é injustificável, constrange o país e o presidente da República”, declarou o então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Respostas
O episódio motivou a criação do Ministério da Reforma Agrária, uma semana após o massacre. O Exército chegou a ser enviado ao local para conter a violência e uma comissão externa do Congresso foi criada para apurar os crimes. Legistas ouvidos pelo coelgiado apuraram sinais de execução e espancamento nos corpos das vítimas.
Até hoje, apenas dois policiais foram condenados pelo massacre: o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira. Eles foram condenados a 228 e 158 anos de reclusão, respectivamente. Outros 155 policiais que participaram da operação foram indiciados, mas não sofreram punição. Fazendeiros que teriam participado dos crimes também não foram condenados.
“Na chacina de ontem, Oliveira confessou a jornalistas que só não estava mais feliz com a operação porque os líderes dos sem-terra do Pará não estavam todos entre os mortos”, noticiou o repórter do Correio Warner Bento Filho, na época, em conversa com um local.
O arquiteto Oscar Niemeyer chegou a projetar um memorial para o massacre, o Monumento Eldorado Memória. A obra foi inaugurada ainda em 1996, em Marabá (PA), mas foi destruída em menos de um mês.
No ano seguinte, a Fazenda Macaxeira foi desapropriada e o MST instaurou o Assentamento 17 de abril. Em memória das vítimas, a data se tornou o Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária.
Saiba Mais

Brasil
Brasil
Brasil
Brasil