Belo Horizonte

Coleta de dados é passo inicial para investigar tragédia aérea em BH

Polícia Civil conduz investigação para apurar eventuais responsabilidades e condições do voo

Com o impacto, o avião abriu um buraco no terceiro andar do edifício do Bairro Silveira, em Belo Horizonte: nenhum morador foi atingido -  (crédito:  Leandro Couri/EM/D.A Press)
Com o impacto, o avião abriu um buraco no terceiro andar do edifício do Bairro Silveira, em Belo Horizonte: nenhum morador foi atingido - (crédito: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Menos de cinco minutos depois de decolar do Aeroporto da Pampulha, um monomotor com cinco pessoas chocou-se contra um prédio de três andares no Bairro Silveira, em Belo Horizonte. Três pessoas morreram — duas no local e a terceira, no hospital. Ninguém ficou ferido no prédio atingido, que foi evacuado e interditado.

Morreram no local o piloto Wellington de Oliveira Pereira, de 34 anos, e o médico veterinário Fernando Moreira Souto, de 36 — filho do prefeito de Jequitinhonha, na Região do Vale do Jequitinhonha, que viajava no assento do copiloto. Leonardo Berganholi Martins, 50, chegou a ser resgatado com vida, mas não resistiu e morreu no hospital. O filho dele, Arthur Schater Berganholi, 25, e Hemerson Cleiton Almeida Souza, 53, estão internados.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

O avião, um monomotor modelo EMB-721C — conhecido como Sertanejo —, saiu de Teófilo Otoni, a 450km de Belo Horizonte, e fez uma parada na capital mineira, quando duas passageiras desceram e um homem embarcou no aparelho. Às 12h16, decolou do Aeroporto da Pampulha, com cinco pessoas a bordo, com destino ao terminal Campo de Marte, em São Paulo. Em seguida, o piloto reportou à torre de controle dificuldades para ganhar altitude e foi orientado a retornar. Cinco minutos depois da decolagem, o aparelho se chocou contra o prédio, a 6km do aeródromo.

Veterano

Fabricada em 1979, a aeronave, com capacidade para piloto e cinco passageiros, está registrada na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em nome de Flávio Loureiro Salgueiro. Com matrícula PT-EYT, o monomotor estava em situação normal de aeronavegação, segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB). Entretanto, de acordo com a delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Andréa Pochmann, o avião havia sido vendido recentemente, e, segundo dados preliminares, um dos compradores seria Fernando Moreira Souto, que morreu no acidente.

"A aeronave, inclusive, estava em processo de transferência. Tanto que, quando a gente verifica na Anac, ainda não tem o nome correto dos proprietários", informou a delegada. Segundo ela, até então, isso não configura uma irregularidade.

A Polícia Civil conduz investigação para apurar eventuais responsabilidades e condições do voo. Entre as medidas previstas está a verificação da presença de álcool no organismo do piloto. Até o momento, não há informações confirmadas sobre o abastecimento da aeronave na Pampulha.

Equipe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), também iniciou as apurações, no local, das causas da queda do avião. Em nota, a Anac informou que, na chamada "ação inicial", os investigadores atuam na coleta de dados, preservação de evidências, análise dos danos e levantamento de informações técnicas que possam contribuir para esclarecer as circunstâncias da queda.

Corpo de Bombeiros, Samu e Defesa Civil, além da Polícia Militar de Minas Gerais, atenderam a ocorrência. O prédio atingido foi evacuado e, apesar de não apresentar abalos estruturais, ficará interditado até que o aparelho seja retirado do local.

Pampulha aberta

Em 2023, a queda de um monomotor no Jardim Montanhês foi o estopim para o fechamento do Aeroporto Carlos Prates, relacionado a uma séria de acidentes em áreas residenciais da região. Ontem, o prefeito Álvaro Damião descartou a possibilidade de o mesmo ocorrer com o Aeroporto da Pampulha. No local do acidente, que classificou como "muito triste", o prefeito prestou solidariedade às famílias das vítimas e disse que não vê relação entre o funcionamento do terminal e a ocorrência.

Segundo ele, a Pampulha segue operando normalmente. "Enquanto eu for prefeito, não vai ser fechado, não existe possibilidade nenhuma de fechar o Aeroporto da Pampulha. Quem vai ter que investigar é o Cenipa, e não é momento para falar sobre abertura ou fechamento por causa de um acidente como esse", afirmou.

 


  • Google Discover Icon
MC
LR
LS
SP
QH
postado em 05/05/2026 05:50
x