O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), por meio de uma representação com pedido de medida cautelar, protocolada, na tarde desta sexta-feira (8/5), pelo procurador-geral Lucas Furtado, pediu que a Corte de Contas apure se o Ministério da Saúde está tomando as medidas necessárias para evitar a disseminação do hantavírus pelo país, após a confirmação de dois casos no estado do Paraná.
Na argumentação da representação, o subprocurador aponta alguns princípios jurídicos, como a “fumaça do bom direito”. “Fazendo-se presentes, no caso ora em consideração, o ‘fumus boni iuris’ e o ‘periculum in mora’, determine ao Ministério da Saúde, em caráter cautelar, até que seja decidido o mérito da questão, que acompanhe, com a urgência que o caso requer, os casos de infecção pelo hantavírus no estado do Paraná, com vistas a evitar a disseminação da doença pelo país”, escreveu Furtado pedindo que uma cópia do pedido fosse enviada para a Presidência do presidente do Congresso Nacional.
Ao justificar a representação, o subprocurador citou reportagem da CNN Brasil em que a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná confirmou que dois casos de hantavírus foram registrados no estado: um no município de Pérola d'Oeste e outro em Ponta Grossa. Outros 21 casos foram descartados e 11 seguem em investigação.
Ele ainda destacou que o alerta da secretaria paranaense ocorreu após a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgar casos e mortes por hantavirose registrados em um navio de cruzeiro que viajava da Argentina para Cabo Verde. A OMS informou, nesta sexta-feira, que o risco representado pelos passageiros da embarcação para o restante da população é mínimo.
Nota do Ministério da Saúde minimiza riscos
Em nota publicada na noite de hoje, poucas horas após a representação ser protocolada no TCU, o Ministério da Saúde informou que “o risco global de disseminação do hantavírus permanece baixo, segundo avaliação mais recente da OMS”.
“O surto com casos confirmados e suspeitos em passageiros de um navio com histórico de circulação na América do Sul está sendo investigado sem impacto direto para o Brasil até o momento”, informou a nota. “Não há registro da circulação do genótipo Andes no Brasil, variante relacionada ao episódio raro de transmissão interpessoal registrados na Argentina e no Chile, e que está em circulação no navio”, acrescentou o comunicado publicado no site da pasta, hoje, às 19h17.
De acordo com a pasta, os casos humanos no Brasil não apresentam transmissão entre pessoas. Até o momento, o país identificou nove genótipos de Orthohantavírus em roedores silvestres, e nenhuma transmissão entre pessoas. “Os dois casos confirmados de Hantavírus no Paraná não têm qualquer relação com a situação internacional atualmente monitorada pela Organização Mundial da Saúde. No ano passado, o Brasil registrou 35 casos da doença. Em 2026, até o momento, sete casos foram confirmados”, acrescentou o documento.
Ainda segundo o Ministério da Saúde, especialistas destacam que a transmissão entre pessoas do hantavírus do tipo Andes “é considerada limitada e costuma ocorrer em contatos próximos e prolongados”.
“Apesar disso, ambientes como navios de cruzeiro exigem atenção devido à grande circulação de pessoas e ao compartilhamento de espaços fechados. Até o momento, as medidas de isolamento e controle adotadas pelas autoridades sanitárias internacionais são adequadas para reduzir o risco de disseminação.
Após a publicação da nota do Ministério da Saúde, Furtado classificou que o objetivo dele ao protocolar a representação "foi alcançado", pois era alertar a população.
Entenda a doença
A hantavirose é uma zoonose viral aguda, cuja infecção em humanos, no Brasil, se apresenta na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), doença que pode comprometer pulmões e coração, conforme dados do Ministério da Saúde.
O vírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, saliva e fezes de roedores silvestres infectados, especialmente pela inalação de partículas presentes no ambiente contaminado. No país, a hantavirose é uma doença de notificação compulsória há mais de duas décadas, permitindo o monitoramento contínuo dos casos humanos e dos genótipos virais circulantes.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular?
Nas Américas, a hantavirose manifesta-se sob diferentes formas, desde doença febril aguda inespecífica, até quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).
Conforme dados do Ministério da Saúde, desde a identificação do hantavírus no Brasil, em 1993, foram confirmados 2.412 casos e 926 óbitos até dezembro de 2025.
Saiba Mais

Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil