
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acatou um pedido do Ministério Público Federal (MPF) de tombar como patrimônio histórico o Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) da Tijuca, no Rio de Janeiro. O local funcionou como um centro de repressão e tortura na ditadura militar entre os anos de 1970 e 1979. Atualmente, ainda abriga o 1º Batalhão de Polícia do Exército (BPE).
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O Iphan se baseou em um requerimento apresentado pelo MPF, em conjunto com a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, em 2013. Segundo o órgão, a preservação do prédio serve como um registro material dos crimes ocorridos à época e um símbolo da repressão do Estado brasileiro, sendo uma forma de recordar a memória das vítimas.
O MPF se apoiou nos relatos de vítimas que descreveram as torturas com choques elétricos, pau de arara e agressões físicas. Além disso, foram utilizados depoimento de militares que atuaram na unidade, que recebiam ordem de captura e interrogatórios ilegais.
No documento, o Ministério constatou que o prédio sofreu alterações antes de se tornar o DOI-Codi. Alguns exemplos foram as portas de acesso exclusivo que evitavam o registro oficial dos presos e as celas projetadas para isolar e torturar os detentos.
O DOI-Codi da Tijuca foi o local onde Rubens Paiva e outros 52 mortos ou desaparecidos foram vistos pela última vez. Em homenagem ao preso político, na Praça Lamartine Babo, está instalado o busto de Rubens Paiva, inaugurado em 12 de setembro de 2014, pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio e pela Comissão Estadual da Verdade.
*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro
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