OPERAÇÃO VÉRNIX

Deolane diz que "estava trabalhando" ao ser questionada sobre suposta lavagem de dinheiro

A advogada e influenciadora Deolane Bezerra foi presa preventivamente pela Operação Vérnix, sob a suspeita de atuar como "caixa" e lavar dinheiro para Marcola, líder do PCC

Ao ser detida, Deolane declarou que
Ao ser detida, Deolane declarou que "estava trabalhando". A Justiça bloqueou R$ 357,5 milhões de diversos alvos. - (crédito: Instagram)

Presa preventivamente nesta quinta-feira (21/5) em Alphaville, na Grande São Paulo, Deolane Bezerra, afirmou à TV Globo ao deixar a sede da Policia Civil que “estava trabalhando” ao ser questionada sobre as acusações de lavagem de dinheiro para Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A advogada e influenciadora é alvo da Operação Vérnix conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil, que investiga há sete anos um esquema de milionário de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao PCC. Além de Deolane e Marcola, parentes dele e operadores financeiros do grupo estão sendo apontados

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Segundo os investigadores, duas contas ligadas à influenciadora teriam recebido depósitos de uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, município de São Paulo apontada como empresa de fachada usada pela facção criminosa para movimentar recursos ilegais e dificultar o rastreamento do dinheiro.

Prisão aconteceu em condomínio de luxo

A prisão ocorreu no condomínio onde Deolane mora, em Alphaville, na cidade de Barueri (SP). De acordo com a investigação, ela é suspeita de atuar como uma espécie de “caixa” da organização criminosa, auxiliando na movimentação financeira do grupo.

Após ser detida, a influenciadora foi encaminhada inicialmente para a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte de São Paulo. Agora, na manhã desta sexta-feira (22), ela foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista. Além de Deolane, a operação também mira parentes de Marcola e operadores financeiros ligados à facção.

Como começou a investigação: Operação Vérnix

As investigações começaram em 2019, após agentes penitenciários apreenderem bilhetes manuscritos de dois presos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. O material deu origem a três inquéritos policiais sucessivos, cada um responsável por revelar uma nova camada da estrutura criminosa investigada. 

Os documentos continham referências a ordens internas do PCC, contatos entre integrantes da facção e até possíveis ataques contra servidores públicos. Em um dos trechos analisados pelos investigadores, aparecia a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria ajudado a levantar informações sobre agentes públicos.

O primeiro inquérito teve como foco os dois presos que foram pegos com o bilhete. A partir disso, a Polícia Civil abriu outros dois inquéritos para identificar quem era essa mulher e qual era a ligação da transportadora com a organização criminosa.

Transportadora é apontada como empresa de fachada

Segundo o MP-SP, a empresa investigada é a Lopes Lemos Transportes Ltda., conhecida como “Lado a Lado Transportes”, fundada em 2015 em Presidente Venceslau. A suspeita é de que a transportadora funcionasse como braço financeiro do PCC, recebendo dinheiro ilícito e redistribuindo os valores para contas de terceiros com o objetivo de esconder a origem dos recursos.

A investigação aponta que duas dessas contas estariam em nome de Deolane. A mulher citada nos bilhetes foi identificada como Elidiane Saldanha Lopes Lemos, ex-sócia da empresa e mulher de Ciro Cesar Lemos. Ela já foi condenada, mas atualmente está foragida.

Depósitos e movimentações financeiras

De acordo com os investigadores, análises bancárias mostraram que, entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido mais de R$ 1 milhão da transportadora investigada. Os depósitos teriam sido feitos de forma fracionada, em valores inferiores a R$ 10 mil, estratégia conhecida como “smurfing”, usada para evitar alertas automáticos de órgãos de fiscalização financeira, como o Coaf.

A Polícia Civil também afirma que um celular apreendido durante a Operação Lado a Lado, em 2021, continha comprovantes de depósitos destinados a contas ligadas à influenciadora e a outros investigados. Segundo o inquérito, a organização utilizava empresas registradas em nome de terceiros e contas pulverizadas para misturar dinheiro ilegal com receitas consideradas lícitas.

Bloqueio milionário e apreensões

A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 357,5 milhões em bens e contas dos investigados. Também foram bloqueados veículos de luxo, imóveis e contas bancárias. Segundo a investigação, 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões foram sequestrados judicialmente.

Durante as buscas, a polícia também realizou apreensões na residência de Deolane e em endereços ligados a outros investigados.

Quem são os outros alvos da operação

Além de Deolane, a Operação Vérnix também teve como alvos:

  • Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola;
  • Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do líder do PCC;
  • Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho;
  • Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da facção.

Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão em diferentes cidades. O influenciador digital e filho adotivo de deolane, Giliard Vidal dos Santos, e um contador também foram alvos de busca e apreensão.

*Estagiária sob supervisão de Paulo Floro.

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postado em 22/05/2026 16:25 / atualizado em 22/05/2026 16:25
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