O iFood entrou na Justiça contra a plataforma chinesa Keeta, acusando a concorrente de espionagem corporativa e concorrência desleal durante a preparação da entrada da empresa no mercado brasileiro. A ação foi protocolada na 1ª Vara Empresarial de São Paulo e pede indenização de R$ 1 milhão por danos morais, além de reparação por prejuízos materiais.
Segundo documentos obtidos pelo Correio, o iFood afirma que mais de 240 funcionários da empresa foram abordados por consultorias internacionais por meio de redes sociais para participar de “conversas remuneradas” sobre o mercado de delivery no Brasil. De acordo com a ação, os contatos aconteciam sem que o verdadeiro interessado nas informações fosse identificado de forma clara.
As abordagens ocorreram no mesmo período em que a Keeta, controlada pela gigante chinesa Meituan, organizava sua chegada ao país. Ainda conforme o processo, os profissionais procurados eram questionados sobre dados considerados estratégicos para ajudar na estruturação da operação da empresa chinesa no Brasil.
O iFood sustenta que as conversas eram apresentadas como entrevistas de mercado, mas tinham como objetivo obter informações confidenciais sobre o funcionamento da companhia. Na ação, a empresa afirma que a estratégia buscava dar “aparência lícita” à coleta de dados sigilosos e dificultar a identificação dos responsáveis.
Durante a investigação interna conduzida pelo iFood, um ex-funcionário da empresa, identificado como Matheus Santana, admitiu ter participado de reuniões pagas organizadas pela consultoria China Insights Consultancy (CIC). Segundo o processo, ele compartilhou informações sensíveis sobre a operação da plataforma brasileira.
Os documentos anexados à ação indicam ainda que funcionários ligados à Meituan participaram diretamente das reuniões virtuais. Registros obtidos pelo iFood junto à plataforma Zoom, por meio de uma ação judicial movida nos Estados Unidos, apontam a presença de usuários com e-mails de domínio “@meituan.com” nas videoconferências.
De acordo com a empresa brasileira, os acessos partiram de cidades como São Paulo, Barueri, Hong Kong e Pequim. O processo também reúne registros de IP e a confissão do ex-funcionário sobre o compartilhamento de informações estratégicas.
Para o iFood, as provas mostram que representantes da Meituan e da Keeta teriam participado diretamente da obtenção de dados confidenciais da companhia. A empresa afirma que esta é a primeira vez que consegue reunir evidências concretas da participação de uma concorrente em ações de espionagem corporativa envolvendo o setor de delivery.
Além da indenização de R$ 1 milhão por danos morais, o iFood pede que a Justiça determine, em caráter de urgência, que a Meituan e a Keeta parem de abordar funcionários da companhia para obter informações internas. A empresa solicita ainda multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
Em nota, o iFood informou que seguirá colaborando para identificar todos os envolvidos no caso e afirmou defender “um ambiente ético e de respeito às leis no ecossistema de delivery brasileiro”.
Saiba Mais
-
Brasil Ypê alerta consumidores para não utilizarem produtos contaminados
-
Brasil Waldirene, a 1ª mulher trans a passar por cirurgia de mudança de sexo no Brasil, morta aos 80 anos
-
Brasil Senado aprova PL que estabelece diretrizes para a recuperação da Caatinga
-
Brasil Lotofácil, Quina, Timemania e Dia de Sorte: resultados desta terça
-
Brasil Lula presta solidariedade a diplomata após morte da filha em acidente
-
Brasil Desembargador é encontrado morto após um mês desaparecido no Rio
