O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira (28/5), que as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) estão classificadas como “terroristas globais especialmente designados” e que ainda pretende apontar os dois grupos como “organizações terroristas estrangeiras”.
Para o professor de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Gunther Rudzit, o impacto da decisão ficará inicialmente restrito à atuação de instituições brasileiras no mercado norte-americano. “Elas terão de ter cuidado redobrado de quais são os seus clientes. [A decisão] vem no dia em que ocorre mais uma fase da operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que mostra o quanto estas fintechs estão ligadas ao crime organizado”, aponta.
Para o professor, uma ação militar dos EUA no Brasil é improvável, considerando o tamanho do país geográfica e politicamente falando. No entanto, a decisão impõe uma derrota ao governo brasileiro em ano de eleições.
Ele aponta que a motivação da postura norte-americana tem caráter ideológico e menos relacionado à segurança nacional, tendo em vista a recente visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca seguida de uma reunião com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA. “Rubio tem uma agenda anti-esquerda e o governo brasileiro é visto dessa forma por ele”, explica.
Precedentes
Rudzit lembra que classificações semelhantes já foram aplicadas a grupos criminosos de outros países latino americanos. No México, os cartéis de Sinaloa, Jalisco Nova Geração e La Nueva Familia Michoacana também foram classificados como organizações terroristas internacionais.
O mesmo aconteceu com o Cartel de Los Soles, na Venezuela, cuja existência ainda é controversa e serviu de justificativa para o sequestro do presidente Nicolás Maduro. A facção venezuelana Tren de Aragua também foi classificada como organização terrorista. Em El Salvador, o grupo Mara Salvatrucha/MS-13 também recebeu a classificação do Departamento de Estados norte-americano.
“No México, a classificação serviu, sobretudo, para aumentar pressão, inteligência e instrumentos financeiros. Em El Salvador, os Estados Unidos passaram a deportar supostos integrantes da MS-13”, explica.
Entenda o caso
A classificação do PCC e do CV como organizações criminosas pelo governo dos EUA, na noite desta quinta (28/05), aconteceu dias depois da visita do senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente Donald Trump. O parlamentar afirmou que o tema da classificação das facções foi tratado durante o encontro.
Em nota à imprensa, a administração de Donald Trump afirma que as facções são “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que reúnem “milhares de membros” responsáveis por ataques à policiais, funcionários públicos e civis brasileiros.
“O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos”, diz o comunicado.
A decisão atende aos apelos de políticos da extrema direita no Brasil, como Flávio Bolsonaro, que esteve na Casa Branca esta semana e se reuniu com o Secretário de Estado Marco Rubio. A classificação das duas facções deve entrar em vigor logo após a publicação no Diário Oficial dos Estados Unidos.
“A ação tomada hoje pelo Departamento de Estado demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano”, conclui a nota.
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