
Interceptada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), uma conversa de WhatsApp ajuda a decifrar um dos mecanismos da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). A mensagem revela como a facção investe na cooptação de pessoas comuns, incorporando-as em uma empenhada estrutura sustentada pelo crime.
Na manhã desta quarta-feira, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPGO), deflagrou a operação Convergência Nacional - Goiás, destinada a desarticular uma célula do PCC atuante em Formosa (GO) e outros municípios goianos.
A ofensiva integra uma ação do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), do Ministério Público brasileiro objetivada em combater facções no país.
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No diálogo divulgado pelo MPGO, um rapaz escreve: “Foi o PCC que trouxe para mim dar para as crianças. 500 brinquedos, mãe.” Continua em um tom de enaltecimento à organização criminosa. “Tá vendo que não é só matar pessoas e vender drogas”, finaliza.
A suposta mãe responde com caráter de orgulho e incentivo: “ Parabéns. Dá para as crianças e começa a fazer seu nome. Você ficar conhecido. Tô muito orgulhosa.”
Territórios
As ações de caridade eram divulgadas à comunidade pela própria facção. Ofertavam doces e brinquedos. A investigação aponta que a prática ocorria sob a supervisão de integrantes da organização residentes de outros estados da federação.
A operação revelou ainda que a célula instaurada em Formosa mantinha uma estrutura voltada ao domínio territorial. Apurou-se que os investigados monitoravam ações das forças de segurança, planejavam a distribuição de drogas entre pontos de venda e articulavam a aquisição de armas de fogo destinadas a apoiar as atividades do núcleo.
Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão temporária, deferidos pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Goiânia.

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