Exploração sexual infantil

Rodovias têm 13 mil áreas de risco e novo perfil de vítimas

Levantamento da Polícia Rodoviária Federal e da Childhood Brasil mostra redução nos índices de criticidade, mas mantém alerta para a permanência de 452 locais classificados como críticos em todo o país

Childhood Brasil identifica uma queda de 22,2% na criticidade dos locais avaliados, reflexo do aprimoramento metodológico nos últimos anos -  (crédito: PRF)
Childhood Brasil identifica uma queda de 22,2% na criticidade dos locais avaliados, reflexo do aprimoramento metodológico nos últimos anos - (crédito: PRF)

A edição 2025/2026 da cartilha do Projeto Mapear, divulgada nesta terça-feira (10/06), identificou mais de 13 mil locais com fatores associados à exploração sexual de crianças e adolescentes ao longo das rodovias federais brasileiras. O documento é uma parceria entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF), em parceria com a ONG Childhood Brasil.

O levantamento mapeou 13.758 áreas consideradas vulneráveis e revela mudanças na dinâmica desse tipo de violência, além de subsidiar ações de prevenção, inteligência e repressão. Apesar da redução em relação ao biênio anterior, a permanência de centenas de regiões classificadas como críticas mantém o tema como um desafio para as autoridades.

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Os dados representam uma queda de 22,2% na comparação com o levantamento de 2023/2024. Segundo a PRF e a Childhood Brasil, a diferença está relacionada ao aperfeiçoamento da metodologia utilizada, com a adoção de técnicas de georreferenciamento mais precisas e critérios mais rigorosos para análise. Entre os locais incluídos no estudo estão postos de combustíveis, hotéis, motéis, estabelecimentos comerciais e áreas de parada às margens das estradas.

A classificação leva em conta quatro níveis de vulnerabilidade — baixo, médio, alto e crítico — e não significa, necessariamente, a confirmação da ocorrência de crimes, mas a presença de fatores que favorecem esse tipo de violação.

O percentual de locais classificados como críticos caiu de 4,56% para 3,29%, reduzindo de 807 para 452 registros. Já as áreas de alto risco passaram de 2.566 para 1.858, o equivalente a uma redução de 14,51% para 13,5% do total mapeado.

De acordo com o relatório, a expansão das redes sociais e dos aplicativos modificou a forma de atuação dos criminosos, deslocando parte do aliciamento para o ambiente digital.

Embora a presença visível de vítimas nas margens das rodovias tenha diminuído, a cartilha alerta que a exploração tornou-se mais difícil de identificar e continua exigindo monitoramento permanente. “O objetivo central do Mapear é agir antes que o crime aconteça. O foco é nos pontos críticos e de alto risco”, afirmou, no documento, a coordenadora-geral de Direitos Humanos da PRF, Fernanda Souza.

A região Nordeste concentra o maior número de áreas vulneráveis, com 5.944 registros, seguida pelo Sudeste, com 3.393. O Sul aparece com 1.822 pontos, enquanto o Norte reúne 1.455 e o Centro-Oeste, 1.144. Entre os estados com maior quantidade de ocorrências potenciais estão Piauí, com 2.533 locais identificados, Minas Gerais, com 2.170, e Santa Catarina, com 928.

Em relação à distribuição geográfica, 8.973 pontos estão situados em áreas urbanas, representando 65,2% do total, enquanto 4.785 ficam em regiões rurais, equivalentes a 34,8%.

Quando considerados apenas os locais classificados como críticos e de alto risco, Minas Gerais lidera o ranking nacional, com 283 registros. Em seguida aparecem Santa Catarina, com 215, Bahia, com 192, Rio de Janeiro, com 156, e São Paulo, com 136.

O Distrito Federal contabilizou seis pontos vulneráveis, sendo um deles classificado como crítico, além de registrar aumento na comparação com o levantamento anterior.

Para a diretora da Childhood Brasil, Eva Dengler, ainda existe dificuldade em reconhecer esse tipo de crime. “Há muitas notificações sobre abuso sexual, mas não havia sobre exploração sexual. A sociedade brasileira não enxerga a exploração sexual. O Mapear fornece essas estatísticas”, declarou.

Criado em 2003 pela PRF e fortalecido em 2009 com a participação da Childhood Brasil, o Projeto Mapear é utilizado para orientar políticas públicas e operações voltadas ao enfrentamento da violência sexual contra menores de idade.

Nos anos de 2024 e 2025, a corporação realizou 86 edições da Operação Domiduca em todo o país. As ações fiscalizaram 16.592 locais e resultaram no resgate de 111 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Segundo a PRF, cerca de 90 mil pessoas foram alcançadas por iniciativas educativas em 2024, trabalho que contribui para ampliar a conscientização e fortalecer a rede de proteção voltada à infância e à adolescência.

 *Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares 

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postado em 10/06/2026 18:28
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