SÃO PAULO

Jovem de 22 anos morre dez meses após intoxicação por metanol

Guilherme Torres lutava contra as sequelas da intoxicação a quase 10 meses; família compartilhava rotina nas redes sociais

Jovem de 22 anos morre em São Paulo 10 meses depois de intoxicação por metanol   -  (crédito: Reprodução/Redes Sociais )
Jovem de 22 anos morre em São Paulo 10 meses depois de intoxicação por metanol - (crédito: Reprodução/Redes Sociais )

Após quase dez meses de luta por graves sequelas causadas pela ingestão de bebida adulterada com metanol, Guilherme Torres da Silva, de 22 anos, morreu no domingo (14/6), e foi sepultado na segunda-feira (15/6). 

Morador de Itapecerica da Serra (SP), Guilherme deu entrada no Hospital Municipal M’Boi Mirim em 16 de agosto de 2025, por suspeita de intoxicação, após consumir algumas doses de gin compradas em uma adega ao lado de casa e começar a se sentir mal.

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Inicialmente, ele achou que fosse "apenas uma ressaca", mas precisou ser levado ao hospital, onde teve diversas paradas cardíacas. Guilherme chegou a ficar entubado e respirando por aparelhos. O jovem passou cerca de 10 meses lutando contra as sequelas, chegando a ficar paralisado e usar cadeira de rodas. 

O irmão de Guilherme, Igor David, conta que ele estava internado desde a última quinta-feira (11/6) em estado bastante debilitado. Ele diz que nos últimos dias, Guilherme falava bem pouco e sentia fortes dores no estômago e no peito. Ao ser levado ao hospital, constataram uma infecção pulmonar grave. 

No fim de 2025, a família criou uma página nas redes sociais, onde compartilhava diariamente a rotina de recuperação dele, incluindo suas sessões de fisioterapia, além de iniciar uma campanha de arrecadação on-line para ajudar a custear o tratamento. Igor conta que o irmão chegou a ter períodos de evolução e melhora durante esses 10 meses.

Na manhã de terça-feira (16/6), familiares publicaram uma nota de pesar nas redes sociais informando a morte do jovem. A família também agradeceu o apoio recebido durante o período de tratamento. 

"Muito obrigado a todos que compareceram ao sepultamento e aos que nos ajudaram até aqui de todas as formas possíveis, com contribuições, doações e mensagens positivas ao longo de toda essa trajetória. Nosso luto será eterno, mas ficarão as boas lembranças", escreveu a família.

Entenda o caso 

Entre setembro e outubro de 2025, a crise de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas gerou um alerta de saúde pública e vitimou pessoas em diferentes estados do Brasil, principalmente jovens adultos. 

A substância, que é incolor e inodora, leva a sintomas que se assemelha a uma ressaca comum, como náuseas, vômitos e tontura. Mas entre 9 a 24 após o consumo, surgem sinais mais graves, como visão turva e cegueira, que pode ser irreversível. 

O estado de São Paulo acumulou o maior número de ocorrências, com mais de 50 casos entre suspeitos e confirmados, e oito mortes. Até o final de 2025, 51 pessoas foram presas por algum tipo de envolvimento nas intoxicações de bebidas no estado.

De acordo com balanço do governo estadual, mais de 21,4 mil garrafas e mais de 121,8 mil vasilhames vazios foram apreendidos. Também foram recolhidos mais de 105,2 mil insumos e 480 mil rótulos.

Em nota, a Prefeitura de Itapecerica da Serra informou que aguarda o recebimento dos laudos para confirmar a causa da morte e avaliar se há ligação com o quadro de intoxicação anteriormente investigado. "Somente após a conclusão dessas análises pelos órgãos competentes será possível confirmar se o caso possui relação com o evento ocorrido em 2025", diz a nota. A família acompanha de perto a investigação. 

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postado em 17/06/2026 12:49
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