
Em um país onde o trânsito faz parte da rotina das grandes cidades, existe um lugar onde buzinas, semáforos e congestionamentos simplesmente não fazem parte da paisagem. Localizada em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, a Ilha Grande chama atenção por uma característica que desperta a curiosidade de quem a visita. Carros particulares são proibidos e a vida acontece em um ritmo muito mais tranquilo, cercada por mata atlântica preservada e praias de águas cristalinas.
A Ilha Grande tem cerca de 193 quilômetros quadrados, sendo a maior ilha do estado do Rio de Janeiro. A população fixa varia entre 5 mil e 6 mil moradores, mas o número cresce bastante durante feriados e períodos de férias. Mais de 60% do território está protegido pelo Parque Estadual da Ilha Grande, criado para preservar um dos mais importantes trechos de Mata Atlântica do país. A região também integra o sítio reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco por seu valor natural e cultural.
Quem pretende conhecer a ilha precisa deixar o carro no continente. Os visitantes costumam utilizar estacionamentos particulares em Angra dos Reis ou em Conceição de Jacareí antes de embarcar. A travessia pode ser feita em barcos convencionais, que levam entre uma hora e meia e duas horas, ou em flex boats, embarcações mais rápidas que fazem o percurso em cerca de 30 minutos. Depois do desembarque, a locomoção acontece a pé, por trilhas ou de barco, já que não existem ruas preparadas para veículos particulares.
A Vila do Abraão é a principal porta de entrada da ilha e concentra a maior parte da estrutura turística. É ali que estão pousadas, restaurantes, mercados e agências responsáveis pelos passeios de barco que levam visitantes a praias conhecidas, como Lopes Mendes, Aventureiro e Dois Rios. Além das embarcações, as trilhas fazem parte da experiência e ligam diversas praias espalhadas pelo litoral da ilha.
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Além das paisagens, a Ilha Grande também guarda uma história marcada por diferentes fases. Antes da chegada dos europeus, a região era habitada pelos povos indígenas Tamoios. Ao longo dos séculos, serviu de rota para piratas e recebeu um lazareto destinado à quarentena de imigrantes. Mais tarde, ficou conhecida por abrigar o Instituto Penal Cândido Mendes, um dos presídios mais famosos do Brasil, desativado apenas em 1994. Curiosamente, esse período ajudou a reduzir a ocupação desordenada e contribuiu para a preservação da natureza que hoje é um dos maiores atrativos da ilha.
Quem visita o destino costuma destacar justamente a sensação de desacelerar. Ao Correio a turista Letícia Luz, moradora do Rio de Janeiro, conta que se surpreendeu com o clima da ilha. “É um lugar muito simples e tranquilo. Parece que o tempo passa mais devagar. Achei os preços parecidos com os de outras praias e foi tudo muito fácil. Deixamos o carro em um estacionamento no continente e seguimos de barco até a ilha", disse. Para muitos visitantes, essa combinação entre natureza preservada, ausência de carros e ruas movimentadas apenas por pedestres faz da Ilha um dos destinos mais diferentes do litoral brasileiro.
*Estagiária sob supervisão de Aline Gouveia

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