Apostas on-line

PF desarticula grupo que lavava dinheiro por meio de empresas de bets ilegais

Investigação em seis estados aponta o uso de influenciadores digitais para promover os sites irregulares e empresas intermediadoras de pagamento para receber, movimentar e dispersar os recursos obtidos com a atividade ilícita

A investigação revelou que os aportes financeiros dos apostadores eram direcionados para pessoas jurídicas sem autorização para exploração da atividade

 -  (crédito:  Bruno Peres/Agencia Brasil)
A investigação revelou que os aportes financeiros dos apostadores eram direcionados para pessoas jurídicas sem autorização para exploração da atividade - (crédito: Bruno Peres/Agencia Brasil)

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (15/7), a Operação Slots, com foco em desarticular grupo criminoso investigado pela prática de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada de plataformas ilegais de apostas de quota fixa (bets), com objetivo de ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos. A ação contou com o apoio técnico da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda (MF). 

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Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária, expedidos pela Justiça do Espírito Santo, nos estados do Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Paraíba e Sergipe. 

Também foram autorizadas medidas cautelares de bloqueio e sequestro de bens e valores até o montante de R$ 951.140.294,00, além do sequestro de um imóvel e de veículos de luxo, além da proibição de divulgação de plataformas de apostas irregulares pelos investigados e da suspensão das atividades das empresas investigadas. 

A investigação teve início a partir de dados que apontaram para a possível prática de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas. No decorrer das diligências, a Polícia Federal identificou uma estrutura criminosa voltada à exploração clandestina de plataformas de apostas on-line, utilizando influenciadores digitais para promover os sites irregulares e empresas intermediadoras de pagamento para receber, para movimentar e para dispersar os recursos obtidos com a atividade ilícita.

Para o advogado tributarista, Alessandro Batista, a promoção de um site irregular não configura um crime, no entanto o influenciador tem o dever de saber a legitimidade e a veracidade do veículo para o qual oferece promoção, sob pena de ser responsabilizado por danos provocados por este site.

“A identificação de um crime vai depender do nível de envolvimento do influenciador na operação, e a partir do envolvimento o influenciador pode ser acusado de participação ativa, e o resultado pode ser condenação por formação de quadrilha cuja pena concatenada com outros crimes pode chegar a 40 (quarenta) anos de prisão”, frisou. 

Além disso, foi evidenciado a evolução patrimonial incompatível com a capacidade econômica formalmente declarada pelos investigados, além da utilização de pessoas jurídicas com características de empresas de fachada.

Também se identificou que as plataformas divulgadas pelos investigados não possuíam autorização para funcionamento no território nacional. Essas bets se utilizavam indevidamente de símbolos gráficos, de selos ou de referências visuais relacionadas ao Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP) do MF, criando falsa aparência de regularidade perante os consumidores. A investigação revelou que os aportes financeiros dos apostadores eram direcionados para pessoas jurídicas sem autorização para exploração da atividade.

O especialista em crimes cibernéticos, Rodrigo Fragola, explicou que esse tipo de fraude não significa que o sistema do governo tenha sido invadido. O mais comum é que os criminosos simplesmente copiem a identidade visual de órgãos públicos (logotipos, cores, selos e até textos) para criar uma falsa aparência de legitimidade. 

“O problema é que o cérebro humano tende a confiar em símbolos de autoridade. Um selo oficial, uma bandeira do Brasil ou um endereço semelhante ao de um órgão público aumentam a credibilidade percebida. É por isso que golpes desse tipo são tão eficazes. O usuário deve sempre confirmar se a empresa consta na lista oficial de operadores autorizados da Secretaria de Prêmios e Apostas e verificar se o domínio pertence realmente à empresa licenciada, em vez de confiar apenas na aparência do site”, afirmou. 

Segundo o especialista, as plataformas ilegais não garantem que o algoritmo utilizado seja justo ou auditado. O operador pode alterar probabilidades, manipular resultados, impedir saques ou até simular apostas que nunca existiram. 

Além disso, Fragola aponta que muitos desses sites não se limitam a explorar apostas ilegais. Eles também podem coletar dados pessoais, documentos, informações bancárias e credenciais de acesso. Em alguns casos, o próprio site solicita esses dados durante o cadastro; em outros, a página pode instalar códigos maliciosos, redirecionar o usuário para golpes de phishing ou induzir a instalação de aplicativos falsos.

“Por isso, o prejuízo pode ir muito além do valor perdido na aposta. A vítima pode sofrer roubo de identidade, invasão de contas bancárias e comprometimento de outras contas que utilizem a mesma senha. A recomendação é acessar apenas plataformas oficialmente autorizadas, nunca reutilizar senhas e desconfiar de links divulgados em redes sociais, principalmente quando prometem ganhos fáceis ou bônus exagerados”, assegura. 


*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

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CY
postado em 15/07/2026 11:25 / atualizado em 16/07/2026 10:17
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