MEIO AMBIENTE

Recife lidera parceria de R$ 300 milhões contra a poluição plástica

Iniciativa com a Fundação Ellen MacArthur e grandes empresas busca criar um novo modelo de reciclagem e gestão de resíduos para todo o Brasil

A cidade do Recife está no centro de uma nova parceria para combater a poluição plástica no Brasil. A iniciativa, anunciada em 1º de julho, une a Fundação Ellen MacArthur, a prefeitura local, o governo federal, a Clean Rivers e grandes empresas como Mars Inc., Nestlé, PepsiCo e Unilever.

O objetivo é mobilizar R$ 300 milhões em um investimento plurianual para transformar os sistemas de coleta e reciclagem da capital pernambucana. O projeto busca criar um modelo que possa ser replicado por outras cidades do país e apoiar a construção de políticas públicas nacionais.

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Em evento de lançamento, o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e a Prefeitura do Recife assinaram acordos formais com a fundação. Nos próximos seis meses, será elaborado um plano detalhado para a cidade, com a expectativa de iniciar as atividades já em 2027.

Um novo modelo para a gestão de resíduos

A colaboração se baseia nas conclusões do relatório "Fechando o Ciclo: Transformando os sistemas de resíduos urbanos e protegendo os rios do Brasil". O estudo revela que a melhoria na coleta e reciclagem poderia economizar R$ 14 bilhões anuais em materiais que hoje vão para aterros.

A medida também poderia gerar cerca de 9.300 empregos nas cadeias de coleta e triagem, além de outros 64.000 postos de trabalho na reciclagem de plásticos até 2030.

Recife foi escolhida por refletir desafios de outras cidades brasileiras. Com 1,6 milhão de habitantes, a cidade tem uma vasta rede de rios e cursos d'água. Apesar de ter registrado um crescimento de 16,6% na reciclagem de plásticos em 2024, apenas 1% dos domicílios têm acesso à coleta seletiva formal.

"O Recife se destacou no fortalecimento de políticas voltadas à gestão de resíduos sólidos", avalia Victor Marques, prefeito da cidade. Ele destaca que o projeto ajudará a avançar na busca por uma cidade mais limpa e no desenvolvimento social.

O papel dos catadores

O Brasil possui cerca de 800 mil catadores, responsáveis por recuperar até 90% de todos os materiais recicláveis do país. No entanto, a maioria trabalha sem remuneração justa ou condições seguras.

O relatório defende o reconhecimento formal desses profissionais, a remuneração pelos serviços prestados e um papel ativo na gestão da coleta e reciclagem nas cidades, com base em um princípio já previsto na política nacional.

Luisa Santiago, diretora para a América Latina da Fundação Ellen MacArthur, aponta que o país tem "uma rede sofisticada de quase um milhão de catadores, que são o motor do sistema de reciclagem".

O Brasil é um dos cinco maiores geradores de resíduos sólidos urbanos do mundo. Estima-se que 3,5 milhões de toneladas de plástico acabem em bueiros, rios e ecossistemas anualmente. A "Agenda 2030 para Plásticos para Empresas", da fundação, identificou a infraestrutura de coleta e reciclagem como uma barreira central para a economia circular.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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