INTERNET

Brasil ultrapassa a barreira de 90% da população com internet, aponta IBGE

Idosos apresentaram o maior crescimento percentual de usuários, enquanto crianças de 10 a 13 anos diminuíram o uso devido à preocupação com privacidade ou segurança

A quantidade de usuários da internet no país ultrapassou, pela primeira vez, os 90% da população de 10 anos ou mais, estimada em 186,4 milhões de pessoas. A informação está na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação 2025, a Pnad TIC, divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (2/7).

De acordo com o levantamento, o percentual de pessoas conectadas vem crescendo desde 2016, ano inicial da série Pnad. À época, 66,0% da população de 10 anos ou mais de idade havia utilizado a internet no período de referência, passando de 79,4%, em 2019, para 90,5%, em 2025.

Embora ainda permaneça o menor no grupo de pessoas que usam a internet, a faixa de 60 anos ou mais registrou a maior expansão de pontos percentuais no crescimento de usuários. Em 2024, a proporção era de 70,1% e cresceu para 74,5%, em 2025 — em relação a 2019, o avanço foi de 29,6 pontos percentuais. 

Por outro lado, a população mais jovem, de 10 a 13 anos, apresentou uma queda de 0,5 ponto percentual, sendo a única faixa etária que diminuiu entre 2024 e 2025. O uso da internet por essa parcela da população caiu de 84,9% para 84,4%. Entre os que não acessaram a rede, os principais motivos foram a falta de necessidade (33,8%) e a preocupação com privacidade ou segurança (30,3%). 

Uso de celular

O uso do celular teve um comportamento similar ao uso da internet: crianças de 10 a 13 anos apresentaram uma queda percentual de usuários — de 56,7% em 2024 para 55,2% em 2025  —, enquanto os idosos são a faixa etária com o maior crescimento passando de 78,3% para 80,3% neste mesmo período.

A preocupação com privacidade ou segurança foi o principal motivo da diminuição no número de crianças com um celular pessoal. 

Segundo o médico e professor associado da Universidade de Aalborg, Gustavo Gattino, estudos internacionais mostram que de fato existe uma grande preocupação com a segurança e a privacidade, mas que ao mesmo tempo, ocorre uma ampla discussão sobre o impacto na saúde mental. 

“A literatura sugere que, embora a segurança e a privacidade apareçam numericamente como mais importantes, a saúde mental apresenta um peso equivalente ou até superior sob uma perspectiva mais profunda, uma vez que a discussão abrange os impactos a longo prazo”, disse. 

De acordo com a Psicopedagoga e Diretora do Colégio Sigma, Aline Brito, a proibição de celulares nas escolas nos últimos meses exerce um papel importante na construção de hábitos. Para ela, quando o ambiente escolar estabelece limites para o uso do celular e propõe outras formas de interação, estudo e convivência, envia uma mensagem muito clara para estudantes e famílias sobre o lugar que a tecnologia deve ocupar. 

“Sozinha, a escola não muda um comportamento cultural, mas pode fortalecer escolhas que já vinham sendo discutidas dentro de casa. A combinação entre regras escolares e maior participação das famílias provavelmente contribui para esse cenário”, ressalta. 


*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

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