
Um mutirão para recuperação de seis hectares da Vereda dos Ingleses, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso (GO), acontece nos dias 11 e 12 de setembro. A ação integra o projeto “Plantando Caminhos da Água”, realizado pela Rede de Sementes do Cerrado (RSC), com apoio do Instituto Alok e do Fundo Comunitário Airbnb.
No dia 11, será realizada a coleta de sementes pela Associação Cerrado de Pé, com concentração às 7h30, na Casa de Sementes da entidade. No dia seguinte, voluntários participarão do plantio na nascente do Córrego dos Ingleses, a partir das 8h, na GO-239, no sentido Alto Paraíso-São Jorge. As inscrições devem ser feitas nos formulários disponíveis na página de mutirões abertos do ICMBio.
As veredas armazenam água das chuvas e contribuem para manter nascentes durante períodos de seca. Maria Eduarda Camargo, gestora de restauração da RSC, explica que a recuperação envolve toda a vegetação do ambiente. “As veredas atuam como reguladoras da água na paisagem. Restaurar esse ambiente exige compreender como ele funciona antes mesmo do plantio”, afirma. O trabalho inclui espécies como o buritizeiro e a vegetação rasteira dos campos úmidos.
A iniciativa também envolve geração de renda para comunidades que trabalham com sementes nativas. A Associação Cerrado de Pé reúne cerca de 240 coletores, sendo 77% mulheres e 80% quilombolas da comunidade Kalunga. Segundo Jimena Stringuetti, coordenadora da RSC, a participação dos moradores integra o processo de recuperação.
“Ao destacar o protagonismo das comunidades, pensando junto com a gente nas técnicas de restauração e em como funcionará toda a logística, nós fazemos a verdadeira restauração inclusiva”, aponta.
O projeto conta ainda com a participação do ICMBio, por meio do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, e do Viveiro-Escola Instituto Caminho do Meio Alto Paraíso. Para Devam Bhaskar, diretor do Instituto Alok, a ação relaciona preservação e trabalho comunitário. “Mais do que recuperar uma nascente, este projeto busca fortalecer a relação entre pessoas, território e água.”
*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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