Investigação

PF faz operação no Conter e Justiça afasta três dirigentes; conselho se manifesta

Investigação apura contratos de R$ 3,5 milhões com escritórios de advocacia; buscas ocorrem em 13 endereços em quatro estados. O Conter afirmou que continuará colaborando com a investigação e que adotará as medidas jurídicas e administrativas que considerar cabíveis

Operação da Polícia Federal na sede da Conter na manhã desta terça-feira (29/9) -  (crédito: Material cedido ao Correio)
Operação da Polícia Federal na sede da Conter na manhã desta terça-feira (29/9) - (crédito: Material cedido ao Correio)

A Polícia Federal (PF) cumpriu, na manhã desta terça-feira (29/9), mandados de busca e apreensão na sede do Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia (Conter), em Brasília, em uma investigação sobre suposto desvio de recursos por meio da contratação de escritórios de advocacia. A Justiça também afastou por 180 dias três integrantes da diretoria da autarquia.

Nomeada de Operação Raio-X, a ação ocorre a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e é um novo desdobramento das suspeitas envolvendo contratos firmados pela gestão do Conter, reveladas pelo Correio em 4 de agosto. Nesta terça (29), a PF cumpre buscas em 13 endereços no Distrito Federal, em São Paulo, Pernambuco e Bahia.

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O inquérito apura possíveis crimes de peculato, contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Segundo decisão da 15ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, obtida pelo Correio, estão sob investigação quatro contratos com três escritórios de advocacia, que somam R$ 3,557 milhões. A PF aponta indícios de direcionamento das contratações, conflito de interesses, sobreposição de serviços e falta de documentos que comprovem parte dos trabalhos. 

Além disso, a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados também revelou movimentações financeiras que passaram a ser apuradas pela PF. Um dos escritórios recebeu R$ 1,839 milhão do Conter em 13 operações, valor superior ao previsto no contrato, segundo a decisão. A investigação identificou ainda que 86% do dinheiro pago pela autarquia à banca foi transferido para a conta pessoal do titular. 

A decisão também proibiu os investigados de manter contato entre si, autorizou a análise de celulares, computadores e outros equipamentos apreendidos e determinou o sequestro de um imóvel na Bahia. 

O que diz o Conter

Em nota ao Correio, o Conter confirmou o cumprimento do mandado na sede e afirmou que apresentou à PF todos os documentos solicitados e permanece à disposição para prestar esclarecimentos. O conselho ressaltou que o Tribunal de Contas da União (TCU) já analisou as contratações e, segundo a autarquia, concluiu que não houve fraude ou dano ao erário.

O Conter afirmou ainda ter recebido a operação com “surpresa”, especialmente porque o caso já havia sido analisado pelo TCU. Apesar disso, disse que continuará colaborando com a investigação e que adotará as medidas jurídicas e administrativas que considerar cabíveis. Segundo o conselho, as atividades da autarquia e o processo eleitoral continuarão normalmente.

Leia a nota da Conter na íntegra:

"Na manhã desta terça-feira (29/09/2026), a Polícia Federal esteve na sede do Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia, cumprindo mandado de busca e apreensão nos arquivos físicos e digitais, bem como nos materiais de trabalho da Autarquia.

A operação foi acompanhada presencialmente pela ASSEJUR e pelo Gerente Administrativo do órgão.

Isso aconteceu com o objetivo de averiguar supostas irregularidades na contratação de escritórios de advocacia no ano de 2023.

Importante lembrar que o Tribunal de Contas da União (TCU), no âmbito do Processo nº 033.952/2023-0, já apreciou o caso e concluiu que não houve a ocorrência de fraude ou dano ao erário.

Ainda, o Conselho ressalta que suas atividades, tais como o processo eleitoral e demais tarefas do dia a dia, continuarão com regular andamento, de modo que não haverá prejuízos para o funcionamento da Autarquia.

O CONTER reforça que está à disposição das autoridades competentes, tendo apresentado todos os documentos solicitados e permanecendo disponível para prestar os esclarecimentos necessários. Essa postura de colaboração, contudo, não afasta a surpresa do Conselho diante da medida, especialmente considerando que a questão já havia sido apreciada no âmbito do Tribunal de Contas da União (TCU). O Conselho seguirá contribuindo com a investigação e adotará todas as medidas jurídicas e administrativas cabíveis na defesa dos direitos do Sistema CONTER/CRTRs como um todo".

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postado em 29/09/2026 17:16 / atualizado em 29/09/2026 18:54
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