Dois meses antes de protagonizar uma cena de mal-estar ao vivo durante uma transmissão válida pela cobertura da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, o apresentador e jornalista Alex Escobar já sentia os primeiros sintomas da miastenia gravis, rara doença de caráter autoimune.
Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, Escobar contou que cenas que vieram antes do momento serviram como uma espécie de prelúdio para o entendimento do tamanho do problema. Consultas e exames ainda identificaram, segundo ele, um tumor no timo, uma glândula situada na região do peito, retirada após intervenção cirúrgica.
O comunicador relembrou que sentia, já na viagem de cobertura, dificuldades para mastigar. Durante as refeições, começava normal, mas, assim que a mastigação avançava, passava a sofrer para abrir a boca.
No dia da transmissão em questão, Escobar afirmou que o mesmo drama para comer voltou durante o café da manhã. Apesar disso, se organizou para a participação ao vivo dele na televisão, conforme já estava agendado. Ao começar a falar, citou a dificuldade para pronunciar algumas palavras. "Minha língua estava dura, que é um sintoma da doença, da miastenia", detalhou. Ele ainda afirmou que estava "completamente consciente" do que estava acontecendo.
Em seguida, Alex foi levado a um hospital, onde permaneceu internado por dois dias. Foram descartadas hipóteses relacionadas a um acidente vascular cerebral (AVC) e esclerose múltipla. No entanto, foi identificada uma massa no mediastino, no centro do tórax.
Sem diagnóstico conclusivo, precisou voltar ao Brasil no meio da cobertura. "Eu peguei um avião sozinho, voltando para casa e no escuro. Eu não tinha a menor ideia do que eu tinha. Podia ser tudo", relembrou. A suspeita de miastenia gravis foi apontada já no Rio de Janeiro. Em resumo, trata-se de uma pane do sistema de defesa do corpo, que passa, por engano, a atacar a comunicação entre nervos e músculos. Apesar de, em muitos casos, não ter cura, a condição pode ser abrandada com tratamento adequado.
Escobar ainda contou que poderia correr risco de morte, caso não tivesse o tumor descoberto. Ele chegou a ouvir, inclusive, que poderia ter apenas mais um ano de vida. "Eu fui salvo pelo gongo. O gongo se chama miastenia. Então, tudo que eu tenho passado de perrengue, eu passo agradecendo (...) Poderia morrer de infarto sem saber que tinha um tumor", afirmou. Escobar também contou que a volta aos trabalhos acontecerá de forma gradual.
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