eleições 2026

Ataques à imprensa crescem 74% no final do primeiro turno

Monitoramento identificou 14.182 agressões nas redes sociais durante as eleições; mulheres concentraram quase 80% dos ataques a jornalistas em parte de setembro

A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) identificou 14.182 agressões no X e no Instagram -  (crédito: Freepik)
A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) identificou 14.182 agressões no X e no Instagram - (crédito: Freepik)

Os ataques contra jornalistas e veículos de comunicação aumentaram no final do primeiro turno das eleições de 2026. Entre 16 de agosto e 4 de outubro, a Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) identificou 14.182 agressões no X e no Instagram. Nos oito dias que antecederam a votação, a média chegou a 327 ocorrências por dia, alta de aproximadamente 74% em relação ao início da campanha.

Os dados fazem parte de um monitoramento realizado pela CDJor em colaboração com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ao longo de 50 dias, a pesquisa analisou cerca de 3,7 milhões de publicações e comentários nas duas plataformas, com o acompanhamento de 652 termos e hashtags ofensivos.

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A disputa presidencial concentrou quase 80% dos ataques relacionados diretamente ao contexto eleitoral no conjunto do primeiro turno. As agressões envolveram críticas à cobertura política, acusações contra veículos de comunicação e tentativas de descredibilizar jornalistas.

Mulheres concentram quase 80% dos ataques no final de setembro

A violência contra jornalistas mulheres ganhou força na segunda metade de setembro. Entre os dias 13 e 26 daquele mês, elas foram alvo de 77,3% dos ataques direcionados a profissionais identificados no X e de 79,1% no Instagram, segundo um boletim da CDJor.

No levantamento referente a todo o primeiro turno, de 16 de agosto a 4 de outubro, as mulheres concentraram 64,8% das agressões contra jornalistas individualmente identificados. Foram 2.013 ataques entre os 3.106 registros dessa categoria.

As mensagens incluíram insultos misóginos e sexuais, tentativas de desqualificar o trabalho jornalístico e incentivo à violência física. Os dados mostram que as agressões não se limitaram ao conteúdo publicado, mas também atingiram as profissionais pessoalmente.

Um dos casos registrados foi o da comentarista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews. Ela recebeu uma onda de ataques após um comentário sobre Nossa Senhora Aparecida e a repercussão de uma retratação da emissora. No período de 13 a 26 de setembro, a CDJor identificou 226 ocorrências contra a jornalista no X. O boletim também registrou mensagens no Instagram com incitação à violência física e à morte.

Outras profissionais também sofreram ataques durante o exercício da atividade jornalística. Natalia Viana, da Agência Pública, recebeu agressões após procurar uma fonte durante uma apuração, antes mesmo da publicação da reportagem. Juliana Dal Piva também foi alvo de ataques no contexto da repercussão de investigações sobre o caso Banco Master.

Ofensas tentam desacreditar o trabalho da imprensa

O monitoramento identificou expressões como “fake news”, “jornalista militante” e “imprensa golpista”, além de acusações de manipulação de pesquisas eleitorais. As mensagens procuravam associar a cobertura jornalística a supostos interesses políticos ou financeiros e colocar em dúvida a credibilidade de profissionais e veículos.

No boletim referente ao período de 13 a 26 de setembro, a expressão “fake news” apareceu 171 vezes no X e 108 vezes no Instagram. Também foram registradas acusações como “caiu pix” e “pesquisa comprada”, usadas para insinuar que jornalistas ou institutos de pesquisa agiriam em troca de dinheiro.

A violência atingiu veículos de grande alcance, entre eles g1, GloboNews, Folha de S.Paulo e CNN Brasil. No conjunto do primeiro turno, o Instagram concentrou 61,8% dos ataques identificados. No final de setembro, porém, o X passou a liderar os registros.

Monitoramento acompanha violência digital durante as eleições

A CDJor publicou ainda boletins quinzenais para acompanhar a evolução dos ataques durante a campanha eleitoral. O trabalho utilizou 652 termos e hashtags ofensivos para localizar conteúdos relacionados à imprensa no X e no Instagram. O material coletado foi processado pelo Labic, vinculado ao Departamento de Comunicação Social da Ufes.

A análise também contou com a colaboração do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), responsável pela avaliação da toxicidade das mensagens por meio da ferramenta Perspective API, do Google. O indicador estima a probabilidade de um conteúdo ser percebido como tóxico, mas não equivale, por si só, à confirmação de uma ameaça ou agressão.

Os resultados estão reunidos no relatório "Cobrir as eleições, enfrentar a violência: uma análise dos ataques à imprensa no primeiro turno de 2026". O documento reúne dados sobre a distribuição das agressões entre plataformas, profissionais e veículos ao longo da campanha.

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postado em 09/10/2026 21:55
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