
Um porteiro foi levado à Central de Flagrantes de Maceió, na noite desta sexta-feira (16/10), após participar de um panelaço em um edifício no bairro da Ponta Verde, área nobre da capital alagoana.
O protesto ocorreu durante a entrevista de Flávio Bolsonaro ao Jornal Nacional, da TV Globo, que provocou manifestações semelhantes em diversas cidades brasileiras. Além de conduzir o funcionário à delegacia, a Polícia Militar apreendeu a panela utilizada por ele durante o ato.
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O homem, que estava de serviço no momento da manifestação, foi o único participante encaminhado à unidade policial. Segundo o morador Felipe Verlaine, que divulgou um vídeo relatando o episódio, a abordagem ocorreu depois que um motorista que passava pela rua acionou a PM.
Segundo o relato inicial da ocorrência, a situação envolvia uma reclamação de barulho que estaria prejudicando o descanso de uma criança recém-nascida. Durante a abordagem, os policiais teriam tentado sensibilizar o porteiro do estabelecimento sobre a situação, momento em que, conforme o registro policial, teria ocorrido um desacato à equipe. Diante das circunstâncias relatadas, o funcionário foi conduzido à Central de Flagrantes.
O caso mobilizou outros moradores do condomínio, que acompanharam o porteiro até a Central de Flagrantes em solidariedade ao funcionário. Embora ele tenha sido liberado, a panela permaneceu apreendida na delegacia. A ocorrência foi encerrada por volta das 1h40 da madrugada.
Manifestação e ameaças
Antes da chegada dos policiais, o protesto transcorria tanto na rua quanto nas dependências do edifício. De acordo com Felipe Verlaine, ele estava na área interna do condomínio, segurando uma bandeira de Lula, quando o porteiro decidiu se juntar à manifestação. Os dois participavam do panelaço, por volta das 21h30, quando um motorista que passava pelo local começou a hostilizá-los.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Felipe descreveu o comportamento do homem, identificado por ele como apoiador de Bolsonaro, que teria feito gestos obscenos e dirigido ameaças aos manifestantes.
"Tinha várias pessoas na rua fazendo, inclusive no prédio também. Eis que um cidadão bolsonarista estava vindo no carro, abaixou os vidros e começou a fazer gestos obscenos com dedo em riste, xingando todo mundo, ameaçando quem estava falando as coisas a favor do presidente Lula"
A discussão se intensificou quando o motorista parou o veículo em frente ao condomínio e passou a insultar diretamente o morador. Felipe, que registrou parte da confusão em vídeo, contou que permaneceu com a bandeira enquanto o porteiro aumentava o barulho da panela, em uma tentativa de encobrir as ofensas.
"Eu continuei balançando a bandeira, e o porteiro começou a bater com mais intensidade ainda a panela, para abafar aquela aquela baixaria toda."
Segundo o relato, a situação se agravou quando o homem saiu do carro, aproximou-se dos dois e os provocou para uma briga. Diante das ameaças, Felipe retornou ao apartamento e utilizou o interfone para avisar os demais moradores que participavam do panelaço, na tentativa de reunir diferentes registros do episódio.
O morador também procurou as autoridades para denunciar a conduta do motorista, contra quem afirmou ter registrado um boletim de ocorrência.
"Eu abri um boletim de ocorrência contra o cidadão, pois ele ameaçou a gente."
Conduta dos policiais será apurada
Além de confirmar o encaminhamento do porteiro à Central de Flagrantes, a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar de Alagoas anunciaram que a atuação dos agentes responsáveis pela abordagem será submetida a uma investigação interna.
Veja a nota na íntegra:
A Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) e a Polícia Militar de Alagoas (PMAL) informam que, na noite desta sexta-feira (16), uma guarnição foi acionada para atender a uma ocorrência de perturbação do sossego no bairro da Ponta Verde, em Maceió.
Segundo o relato inicial da ocorrência, a situação envolvia uma reclamação de barulho que estaria prejudicando o descanso de uma criança recém-nascida. Durante a abordagem, os policiais teriam tentado sensibilizar o porteiro do estabelecimento sobre a situação, momento em que, conforme o registro policial, teria ocorrido um desacato à equipe. Diante das circunstâncias relatadas, o funcionário foi conduzido à Central de Flagrantes.
Na unidade policial, foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), e o cidadão foi liberado após a realização dos procedimentos legais.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública, em articulação com a área estadual de Direitos Humanos, acompanha o caso e reforça que toda atuação policial deve observar os princípios da legalidade, da proporcionalidade, do respeito à dignidade humana e da garantia dos direitos individuais.
A Corregedoria-Geral da Polícia Militar instaurou procedimento de apuração para esclarecer as circunstâncias da ocorrência, verificar a veracidade dos fatos relatados e avaliar a conduta dos agentes envolvidos, inclusive quanto à adequação dos procedimentos adotados.
O Governo de Alagoas reafirma seu compromisso com a proteção dos cidadãos, o respeito aos direitos humanos e a transparência na apuração de ocorrências que envolvam agentes de segurança pública.
Política
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