Violência

Governo libera R$ 68 milhões para recuperar laboratórios da UFPE

Ministério da Ciência libera recurso para reequipar laboratório, destruído em incêndio na quarta-feira à noite. Verba se soma a que o Ministério da Educação repassará

A ministra Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovações) anunciou, ontem, a liberação de R$ 40 milhões para a compra dos equipamentos de laboratório perdidos no incêndio na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na noite de quarta-feira. Um dia antes, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou R$ 28 milhões para a reestruturação da estrutura danificada e para a manutenção das pesquisas em andamento. Em paralelo, a Advocacia-Geral da União (AGU) formará uma força-tarefa para dar suporte jurídico à instituição.

Segundo Luciana, "o que estou me comprometendo desde já é com uma ajuda emergencial daquilo que correspondia ao investimento que nós fizemos em infraestrutura de pesquisa. São os equipamentos que a Finep adquiriu".

Além dos recursos para a recuperação daquilo que foi destruído, o MEC prorrogará as bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado dos pesquisadores que tiveram pesquisas afetadas. A pasta também prevê a construção de um novo prédio para abrigar os laboratórios atingidos — uma estrutura terá cerca de 7 mil metros quadrados, superando os 3 mil m² da estrutura atingida, e utilizará um projeto executivo que já está pronto. A construção deve começar em 30 dias, depois da conclusão da perícia e das investigações sobre o incêndio.

As chamas devastaram instalações de ensino e pesquisa no bloco da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine). Segundo o reitor Alfredo Macedo Gomes, cerca de 200 dissertações e teses foram prejudicadas.

"Nossa grande preocupação é que temos aproximadamente 200 dissertações e teses em andamento, aqui, nos diversos laboratórios, e precisamos evitar que essas pesquisas parem — ou seja, precisamos dar continuidade. E estamos também colocando nossos serviços de psicologia, nossos serviços de outras áreas, para apoiar os nossos estudantes e também os nossos professores e professoras que estão aqui trabalhando", explicou o reitor.

A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para investigar as causas do incêndio, que se alastrou rapidamente em função dos produtos armazenados. A estrutura do prédio ficou muito danificada por conta da intensidade do fogo. Há indícidos de que esse novo episódio — o terceiro registrado nas dependências da UFPE em apenas uma semana — tenha sido criminoso. Isso porque, segundo o reitor, houve ameaças de ataques à UFPE nas redes sociais.

"Há muitos boatos em torno dessa questão. Nós achamos um absurdo uma instituição pública, com a tradição que é a Universidade Federal, ser objeto, portanto, de ataques nas redes sociais. Repudiamos profundamente essa atitude. Então, pedimos à Polícia Federal a abertura de processos em relação às causas do incêndio e também a circulação de ameaças à nossa comunidade estudantil", afirmou.

São duas as frentes de investigação sobre o incêndio: a identificação da origem do fogo, a partir de uma perícia no prédio, e o período que antecedeu o incêndio, conforme explicou que o delegado regional executivo e substituto da Superintendência da PF em Pernambuco, Rodrigo Bastos. Ele disse que a perícia depende de melhorias no escoramento estrutural, sob responsabilidade da UFPE, para que os peritos possam entrar no local com segurança. Um levantamento inicial no interior da estrutura foi realizado na manhã de quinta-feira utilizando um robô.

UFF e UFS

A Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), remeteu denúncia à Polícia Federal (PF) sobre ameaças contra estudantes e ataques aos prédios da instituição. As agressões foram feitas por meio de um aplicativo de mensagens após a realização de manifestações por estudantes em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em um grupo com o nome “Juntos com Bolsonaro”, agressores enviam mensagens com uma lista convidando pessoas a incendiar,de madrugada, alguma das instalações da UFF, que se espalham por toda a cidade. Um usuário não identificado envia um recado de uma manifestação e afirma “vamos bater nos petistas”.

Outro grupo, intitulado “Direita Brasil”, uma participante descreve um kit para levar à manifestação estudantil em apoio ao Lula. Os integrantes sugerem o uso de soco inglês, canivete, ovos e tinta. “Pode bomba no nosso ato?”, indaga outro integrante. As intimidações gerou insegurança no ambiente acadêmico a ponto de o Instituto de Letras da UFF suspende temporariamente as aulas.

Em nota, a universidade afirmou que após tomar conhecimento dos conteúdos, encaminhou o material à PF e a outros órgãos de segurança para que as ameaças sejam investigadas. O centro acadêmico da instituição solicitou a Felipe Ordacgy,secretário do Gabinete de Gestão Integrada de Niterói, reforçona segurança dos campi.

“Seguimos atentos à situação, pautando nossa atuação pela agilidade e responsabilidade, para garantir a segurança de toda a comunidade universitária, a preservação da vida e a proteção do patrimônio público”, frisa a nota do Gabinete de Gestão Integrada. Procurada, a PF explicou que não se manifesta sobre eventuais investigações em andamento.

Em Sergipe, o sargento da Polícia Militar Manoel Messias dos Santos foi afastado das funções e teve a arma recolhida pela suspeita de ter feito um disparo numa manifestação de estudantes na Universidade Federal de Sergipe (UFS). O ato, promovido quinta-feira pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE/UFS), debatia a importância do voto e a participação dos jovens nas eleições. Segundo testemunhas, um homem, que seria o sargento, chegou ao local em um carro e fez um disparo para o alto. Ninguém se feriu.

Em nota, a UFS afirmou que acompanha o episódio e está em contato com as autoridades de segurança pública. “Reafirmamos nosso compromisso com a segurança da comunidade acadêmica, liberdade de expressão e a convivência democrática e pacífica”, enfatiza a nota da instituição.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

 

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