ELEIÇÕES 2026

Abstenção e rejeição ao adversário marcam disputa entre Lula e Flávio

Abstenção virou tema central para o segundo turno da disputa ao Planalto. Enquanto Flávio tenta evitar debandada de apoiadores por clima de "já ganhou", Lula quer convencer quem não compareceu às urnas e foca nas redes sociais

A disputa pelo segundo turno da eleição presidencial passa pela mobilização dos eleitores que já escolheram um candidato no primeiro turno e pela conquista de quem ainda está indeciso ou pretende mudar de voto. Enquanto o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que seus apoiadores voltem às urnas em 25 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo para que os eleitores que não compareceram à primeira votação participem do segundo turno.

Em live, Flávio afirmou que a eleição não está decidida e alertou para o risco de parte de seus eleitores deixar de comparecer às urnas por considerar a vitória garantida. O senador também destacou que pessoas que não votaram no primeiro turno podem participar do segundo. "A gente não tem eleição ganha. Todo mundo que foi votar e deu voto de confiança em Flávio Bolsonaro, por favor, no dia 25 de outubro compareçam às urnas de novo", pediu.

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O candidato reforçou que a mobilização precisa continuar mesmo entre os eleitores que já declararam apoio a ele. "Tem muita gente que votou no primeiro turno e, no segundo turno, acha que já está tranquilo e não vai votar. Gente, pelo amor de Deus, não façam isso", afirmou.

Lula também colocou o combate à abstenção entre as prioridades da campanha para o segundo turno. "Uma coisa que eu e o Alckmin vamos fazer é um apelo. É que nós tivemos mais de 30 milhões de pessoas que não compareceram para votar", afirmou, reforçando, ainda, as entregas de sua gestão.

Na campanha petista, ainda, o deputado federal André Janones (Rede-MG) defende uma estratégia centrada na atuação coordenada de apoiadores nas redes sociais. "Não estamos nos anos 80 mais, estamos em 2026. É aqui que a coisa é decidida. A gente perdeu o primeiro turno só na rede social", comentou.

Segundo o cientista político Murilo Medeiro, o período mais curto de campanha exige dos candidatos maior precisão nas estratégias, já que há pouco tempo para ampliar o apoio e pouca margem para erros. "O segundo turno é uma eleição muito mais curta e intensa no confronto dos dois polos políticos. É uma eleição em que os candidatos têm pouco tempo para conquistar novos votos e praticamente nenhum espaço para cometer erros", aponta.

Nesse cenário, a tendência é de uma campanha mais agressiva, com o confronto entre os candidatos ganhando força. Para Medeiro, a disputa deve se concentrar cada vez mais na rejeição ao adversário. Enquanto Lula tende a explorar o medo de uma mudança de governo, Flávio Bolsonaro deve apostar no desejo de mudança entre os eleitores.

Já para o cientista político e sócio da Hold Assessoria Legislativa André César, a rejeição ao PT deve ser um dos principais fatores de mobilização do eleitorado no segundo turno das eleições, especialmente entre os eleitores conservadores. "O antipetismo é o maior partido do Brasil. Essa é uma coisa, e isso é muito explorado pelos adversários, ainda mais por um adversário com o perfil do Bolsonaro e seus aliados", afirma.

Voz do eleitor

A empresária Naira Vilarins afirma que já decidiu mudar o voto em relação ao primeiro turno, quando sua escolha foi motivada pelo interesse em evitar a reeleição e não escolheu nenhum dos dois candidatos que chegaram à reta final. Ela diz que considera a composição do Congresso Nacional um fator importante na decisão do voto neste segundo turno, e que suas convicções sobre responsabilidade social e valores pessoais pesaram na decisão.

"Ter Lula na Presidência não transforma um Congresso de direita em Congresso de esquerda — mas significa colocar um Executivo com outra orientação política diante desse Congresso, com poderes próprios para governar, propor, executar, vetar e negociar", argumenta.

O programador Diogo Demetrius, que votou em Renan Santos (Missão), afirma que pretende votar no presidente Lula, apesar de não se identificar com nenhum dos dois candidatos que seguem na disputa. A decisão, segundo ele, é para decidir quem é o "menos pior". "Não gosto de nenhum dos dois, mas não acho o Flávio melhor que o Lula", declarou.

Ele cita a exploração de minerais críticos como uma questão relevante para sua escolha. "O Lula, pelo menos, não mostrou querer entregar terras raras para os EUA. Sendo que isso é uma das coisas mais importantes do nosso século", disse.

Convicções

Em sentido contrário, o veterano do Exército Ivan Benazzi afirma que manterá o voto dado no primeiro turno em Flávio Bolsonaro. Ele atribui a decisão às suas convicções conservadoras e religiosas. "Sou conservador, defendo a liberdade, a família tradicional e sou católico, não aceito ideologias de gênero nem segregação de raças. Por isso, o Flávio Bolsonaro é meu candidato", afirmou.

Já Rogério Alves, graduado em Educação Física pela Universidade de Brasília (UnB), afirma que votará em Lula por considerar que o petista representa uma opção mais comprometida com a democracia. Ele cita questionamentos públicos envolvendo integrantes da família Bolsonaro e suas supostas relações com pessoas ligadas às milícias e ao crime organizado. "O principal motivo é que considero Lula um democrata, enquanto não acredito no compromisso de Flávio Bolsonaro com a democracia", afirmou Alves.

As campanhas de Lula e Flávio foram procuradas pelo Correio, mas não deram resposta até o fechamento da edição.

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