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Início Cidades

De cidade despovoada nos anos 1930 a Capital do Agronegócio, essa cidade abriga a maior esmagadora de soja do mundo, um sítio rupestre de 10 mil anos e cresce 4 vezes mais que a média do Brasil

Por Maura Pereira
05/09/2026
Em Cidades, Turismo
Apenas 216 km de Cuiabá existe uma cidade onde a força econômica convive com cenários naturais que surpreendem o Brasil

Rondonópolis possui o segundo maior PIB do estado e lidera o ranking de exportações, sendo um gigante logístico do país. / Imagem ilustrativa

A 210 km de Cuiabá, no sudeste de Mato Grosso, Rondonópolis combina indicadores raros no interior brasileiro. É a 2ª maior economia do estado atrás apenas da capital, lidera o ranking estadual de exportações e abriga a maior planta esmagadora de soja do mundo, operada pela ADM, ao lado da maior esmagadora da América Latina, da Bunge. Guarda ainda 263 mil habitantes que cresceram 25% em uma década, um sítio arqueológico com pinturas rupestres com até 10 mil anos, um parque estadual com 6.422 hectares e mais de 20 quedas d’água distribuídas pelo território de 4.824 km². Uma cidade que, entre 1931 e 1947, ficou praticamente despovoada e hoje mais parece uma capital regional em plena expansão.

Do Rio Vermelho a Rondonópolis: uma história de retomada

A história começa em 1902, quando famílias vindas de Goiás e Cuiabá formaram o povoado do Rio Vermelho, batizado por causa da coloração das águas do rio que corta o município. Em 1918, o vilarejo ganhou o nome de Rondonópolis em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, que liderou entre 1907 e 1909 a construção das linhas telegráficas da Comissão Rondon na região. A ideia era integrar o Brasil Central à Amazônia por meio da comunicação telegráfica, projeto pioneiro na integração do interior do país.

A parte mais surpreendente vem em seguida. Segundo o Correio Braziliense, enchentes sucessivas, epidemias e a corrida pelos diamantes descobertos na vizinha Poxoréu esvaziaram o distrito entre 1931 e 1947. A retomada só veio com a chegada de colônias agrícolas e a emancipação oficial em 10 de dezembro de 1953. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Censo 2022 registrou 244.911 habitantes, com estimativa de 263.708 em 2025, IDHM alto de 0,755 e escolarização de 98,96% entre crianças de 6 a 14 anos.

A Capital Nacional do Agronegócio guarda pinturas rupestres milenares e o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina
Explore Rondonópolis além do agro, conhecendo cachoeiras, formações rochosas e o Casario histórico às margens do rio, cenário que revela a alma do Cerrado mato-grossense. // Créditos: YouTube.com/@gilmardasilvaleal

A maior esmagadora de soja do mundo fica aqui

O apelido de Capital Nacional do Agronegócio tem lastro numérico. Segundo dados divulgados pela Prefeitura Municipal e pelo Correio Braziliense, Rondonópolis abriga a maior planta esmagadora de soja do mundo, operada pela americana ADM (Archer Daniels Midland), e a maior planta esmagadora da América Latina, da também americana Bunge. Ambas processam grãos vindos das lavouras do Cerrado mato-grossense, o maior produtor de soja do Brasil. O município também é o maior polo de refino e envase de óleo de soja do país.

A infraestrutura logística sustenta essa operação. A cidade fica no entroncamento das rodovias federais BR-163 e BR-364, principais eixos de escoamento do Centro-Oeste brasileiro. Em 2013, chegou o Terminal Ferroviário da Rumo, maior operadora de ferrovias do Brasil, que criou uma rota direta para o Porto de Santos e transformou a logística agrícola nacional. Segundo dados oficiais da Prefeitura, o terminal intermodal da Rumo é hoje o maior importador de fertilizantes do país. Esse arranjo rendeu à cidade outros dois títulos econômicos: Capital Nacional do Bitrem, pelo intenso fluxo de carga, e a histórica Rainha do Algodão.

Por que Rondonópolis cresce 4 vezes mais que a média do Brasil?

A combinação de empregos qualificados no agronegócio, ensino superior público consolidado e infraestrutura urbana em expansão explica a taxa. Segundo dados divulgados pela Revista Oeste, o município cresceu 25% em dez anos entre os Censos IBGE, a uma taxa de 1,89% ao ano, quase quatro vezes a média nacional projetada para as próximas décadas. É a 3ª maior população de Mato Grosso, atrás apenas de Cuiabá e Várzea Grande.

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A educação superior é um dos pilares. A Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), desmembrada da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em 2018, atende mais de 4.300 estudantes em 19 cursos de graduação, e aprovou para 2026 a criação do inédito curso de Tecnólogo em Inteligência Artificial. Em 2026, o município recebeu o Selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, certificação do Ministério da Educação (MEC) após subir 33 posições no ranking estadual de alfabetização. Três escolas municipais ficaram entre as 100 melhores de Mato Grosso no Prêmio Educa-MT do governo estadual.

O que significa morar em Rondonópolis?

Morar em Rondonópolis combina economia agrícola pesada, ensino superior público em expansão e um cotidiano ainda com ritmo de interior mato-grossense. Alguns indicadores explicam a atração de novos moradores.

  • 2ª maior economia de MT: PIB de mais de R$ 17 bilhões, atrás apenas de Cuiabá segundo dados oficiais da Prefeitura e do IBGE.
  • Crescimento populacional acelerado: 25% em uma década, taxa de 1,89% ao ano, quase quatro vezes a média nacional segundo o IBGE.
  • Ensino superior consolidado: UFR com mais de 4.300 estudantes em 19 cursos e a UFMT com campus regional integrando a rede federal.
  • Educação básica em ascensão: Selo Ouro do MEC pela alfabetização e três escolas municipais entre as 100 melhores do estado em 2026.
  • Escolarização quase universal: 98,96% das crianças de 6 a 14 anos matriculadas, um dos índices mais altos de Mato Grosso segundo o IBGE.
  • Logística de referência nacional: entroncamento das BR-163 e BR-364 e o Terminal Ferroviário da Rumo, o maior importador de fertilizantes do país.

Um sítio rupestre de até 10 mil anos e a Cidade de Pedra

Além da economia agrícola, Rondonópolis guarda um dos capítulos mais antigos da presença humana no Centro-Oeste brasileiro. O Sítio Arqueológico Ferraz Egreja, registrado pelo IBGE, conserva pinturas rupestres em paredões de arenito que, segundo estudos citados por veículos oficiais, podem ter entre 5 mil e 10 mil anos. Antes da chegada dos colonizadores europeus e das famílias goianas, a região era território do povo Bororo, cuja herança ainda é preservada em museus locais.

A geologia da região favorece esse tipo de descoberta. A Cidade de Pedra, formação geológica com paredões e canyons de arenito esculpidos pela erosão do Rio Vermelho, é uma das paisagens mais fotografadas do interior mato-grossense e ainda pouco explorada pelo turismo em massa. O Parque Estadual Dom Osório Stoffel, criado em 2002 com 6.422 hectares, protege parte desse patrimônio geológico e faz parte da rede de unidades de conservação estaduais administradas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT).

O que fazer nos fins de semana?

A agenda combina cachoeiras no Cerrado, sítios arqueológicos e a agenda intensa de feiras do agronegócio. Boa parte das atrações fica a menos de 40 minutos do centro urbano.

  • Sítio Arqueológico Ferraz Egreja: paredões de arenito com pinturas rupestres com até 10 mil anos, registrado pelo IBGE, uma das relíquias arqueológicas do Centro-Oeste.
  • Cidade de Pedra: formação geológica com paredões e canyons de arenito esculpidos pelo Rio Vermelho, cenário lunar pouco explorado no interior mato-grossense.
  • Parque Estadual Dom Osório Stoffel: 6.422 hectares de Cerrado preservado com trilhas, cachoeiras e observação de fauna, criado em 2002.
  • Cachoeira do Salto: uma das mais de 20 quedas d’água do território municipal, com poço para banho e trilha curta de acesso.
  • Museu Rondon: acervo dedicado à história do Marechal Cândido Rondon e à cultura da etnia Bororo, que habitava a região antes da colonização.
  • Parque das Águas: parque urbano no centro da cidade, com lago, pista de caminhada e área de lazer para famílias.
  • Exposul Rural: uma das maiores feiras de agronegócio e shows do estado, realizada anualmente na primeira quinzena de junho.

Leia também: A 2ª maior praça urbana do mundo, na capital de apenas 36 anos que virou a 7ª melhor para se viver no país.

O que se come na Capital do Agronegócio?

A gastronomia mistura raízes mato-grossenses do Pantanal e do Cerrado com influências dos migrantes vindos do Sul, Nordeste e São Paulo nas últimas décadas. Peixes de água doce, carnes e frutos regionais formam a base.

  • Peixe pintado na brasa: peixe símbolo dos rios do Pantanal, servido inteiro com farofa de banana, arroz e pirão.
  • Mojica de pintado: caldo grosso de pintado cozido com mandioca, temperado com cheiro-verde e pimenta, prato símbolo da cozinha mato-grossense.
  • Costela de tambaqui na brasa: costela de peixe amazônico com pele crocante e carne macia, especialidade dos restaurantes rurais.
  • Arroz com pequi: fruto símbolo do Cerrado cozido inteiro com arroz e temperos regionais, presente em restaurantes tradicionais.
  • Farofa de banana e doces do Cerrado: acompanhamentos e sobremesas com compotas de bacuri, mangaba, buriti e cagaita, herança das quitandas rurais.

Como chegar a Rondonópolis

A cidade fica a 210 km de Cuiabá pela BR-163, cerca de três horas de carro. O Aeroporto Municipal Maestro Marinho Franco recebe voos domésticos regulares, principalmente conexões via Cuiabá e São Paulo. O principal aeroporto internacional próximo é o Marechal Rondon, em Várzea Grande, com voos diários das principais capitais brasileiras. Por rodovia, o acesso a partir de São Paulo e Goiânia é pela BR-364. Rondonópolis integra o roteiro do Centro-Oeste com Cuiabá, Chapada dos Guimarães e o Pantanal Norte.

A caçula que virou motor econômico de Mato Grosso

Rondonópolis entrega uma combinação improvável no interior brasileiro. Uma cidade que ficou despovoada nos anos 1930 e virou 2ª maior economia de Mato Grosso, sedia a maior planta esmagadora de soja do mundo, guarda um sítio rupestre de até 10 mil anos e cresce quatro vezes mais que a média nacional. Poucos municípios brasileiros conseguem unir agronegócio de escala mundial com patrimônio arqueológico preservado e ensino superior público em expansão.

Você precisa conhecer Rondonópolis num fim de semana de junho, visitar o Sítio Arqueológico Ferraz Egreja e reservar um dia para as trilhas do Parque Estadual Dom Osório Stoffel para entender por que a Capital Nacional do Agronegócio virou um dos destinos mais completos do interior de Mato Grosso.

Tags: Mato GrossoRondonópolis
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