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Início Cidades

O deserto brasileiro onde é possível flutuar sem afundar em águas azuis cristalinas e as dunas chegam a 40 metros

Por Maura Pereira
04/09/2026
Em Cidades, Turismo
Um dos lugares mais preservados do Brasil que surpreende mesmo quem já viu de tudo

Jalapão no Tocantins destaca-se por dunas gigantes de 90m, fervedouros cristalinos e cachoeiras no Cerrado, principal porta de entrada por Ponte Alta. // Créditos: Wikipédia

Deserto e abundância de água costumam ser coisas opostas. No leste do Tocantins, as duas dividem o mesmo território: areia alaranjada empilhada pelo vento e, a poucos quilômetros dali, nascentes que jorram com força suficiente para manter uma pessoa boiando. O Jalapão reúne as duas paisagens dentro de uma única unidade de conservação.

Como as dunas de 40 metros se formaram no meio do Cerrado?

A areia vem da rocha que fica logo atrás delas. O material se desprende da Serra do Espírito Santo, é carregado pelo vento e se acumula na base do paredão, formando o campo de dunas que se tornou o cartão-postal da região. Segundo o Governo do Tocantins, essas areias finas e alaranjadas chegam a 40 metros de altura.

Tudo isso está protegido dentro do Parque Estadual do Jalapão, criado em 12 de janeiro de 2001 e concentrado no município de Mateiros. São mais de 158 mil hectares sob gestão do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), o que faz dele a maior unidade de conservação de proteção integral do estado. Comparação inevitável vale com o deserto de areia branca do Maranhão, de área semelhante e paisagem oposta.

No Jalapão, curta banho nos fervedouros, buggy nas dunas e pores do sol relax com vibe aventureira e natureza super acessível e incrível. // Créditos: Wikipédia

Por que é impossível afundar nos fervedouros?

Porque a água empurra o corpo de baixo para cima. Conforme o portal oficial Jalapão Tocantins, do governo estadual, os fervedouros são nascentes com alta pressão da água que sobe do lençol freático, o que permite flutuar sem medo de afundar.

O mecanismo depende do solo. A água subterrânea atravessa uma camada de areia fina e irrompe na superfície com fluxo constante, criando uma piscina rasa de fundo movediço em que o corpo simplesmente não desce. Cada fervedouro tem tamanho, formato e cor próprios, e a diferença de pressão entre um e outro muda bastante a sensação de flutuação. É um fenômeno raro o bastante para não ter equivalente popular em outra língua.

Quantas pessoas visitam o Parque Estadual do Jalapão por ano?

Foram 50.302 visitantes em 2025, contra 43.131 no ano anterior, segundo a Agência Tocantins. O número surpreende para um destino sem aeroporto próprio, alcançado por estradas de terra e com acesso que exige veículo 4×4.

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O controle é rígido justamente por isso. O parque é unidade de proteção integral, categoria que só admite uso indireto dos recursos, como o turismo ambiental, e os dois atrativos monitorados dentro da área são as dunas e a Serra do Espírito Santo. As regras de entrada e saída, o manejo da visitação e a exigência de guia de turismo ou condutor ambiental local foram fixadas por instrução normativa do Naturatins.

O que mais entra no roteiro além das dunas e dos fervedouros?

A região reúne cachoeiras, serras e comunidades tradicionais espalhadas por estradas longas, o que costuma render três dias de viagem no mínimo. Confira abaixo os pontos que organizam o percurso:

  • Serra do Espírito Santo: trilha de cerca de 8 km entre ida e volta até o mirante que abre a vista sobre o campo de dunas.
  • Cachoeira da Velha: queda em formato de ferradura no Rio Novo, a maior do roteiro e ponto de prática de rafting.
  • Cachoeira do Formiga: poço de água esverdeada em Mateiros, com fundo de areia clara visível da superfície.
  • Comunidade Mumbuca: povoado quilombola onde o artesanato de capim dourado é produzido e vendido pelas próprias famílias.
  • Pedra Furada: formação de arenito esculpida pelo vento, em Ponte Alta do Tocantins.

Leia também: A maior feira do agronegócio da América Latina reúne 430 mil pessoas em cinco dias na cidade paranaense que tem menos moradores que isso.

Um dos lugares mais preservados do Brasil que surpreende mesmo quem já viu de tudo
Desperte aventuras no Jalapão: fervedouros mágicos, dunas douradas e natureza intocada que renovam corpo e espírito no coração do Brasil. // Créditos: Wikipédia

Como é o clima no Jalapão ao longo do ano?

Em Mateiros, sede do município que abriga o parque, a temperatura varia pouco e a chuva faz todo o contraste. Em janeiro caem em média 256 mm, enquanto julho e agosto registram média zero, veja abaixo como o calendário se divide:

🌧️ Chuvoso Dez-Mar
Média: 21-29°C
Chuva: 220 a 256 mm
Cerrado verde e estradas de terra encharcadas.
🌤️ Transição Abr-Mai
Média: 20-30°C
Chuva: 31 a 123 mm
Queda rápida no volume mensal.
☀️ Seco Jun-Ago
Média: 19-31°C
Chuva: 0 a 1 mm
Céu aberto, ar seco e máximas em alta.
⛅ Retomada Set-Nov
Média: 21-33°C
Chuva: 12 a 189 mm
Mês mais quente do ano é setembro.
💡 Dica do especialista: O período seco (junho a agosto, 19°C a 31°C) apresenta céu aberto, ar seco e chuvas quase nulas (0 a 1 mm), sendo ideal para explorar a região. No período chuvoso, espere um cerrado verde e estradas de terra encharcadas; a transição traz uma queda rápida no volume mensal; e a retomada (setembro a novembro) registra setembro como o mês mais quente do ano!

Médias climatológicas de 30 anos publicadas pelo Climatempo. As condições variam de um ano para o outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.

O deserto que guarda água em vez de esconder

Poucos lugares no Brasil conseguem colocar lado a lado uma duna de 40 metros e uma nascente que sustenta o corpo na superfície. O que segura essa combinação é o mesmo solo arenoso: ele empilha areia na superfície e deixa a água subterrânea encontrar caminho para irromper alguns quilômetros adiante.

Você precisa encarar as estradas de terra do Jalapão e ver de perto um pedaço de Cerrado que ainda funciona como funcionava antes de qualquer estrada existir.

Tags: JalapãoTocantins
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