Quem tem colesterol alto não precisa necessariamente abandonar o chocolate, mesmo que esteja tentando melhorar a saúde do coração. Segundo o cardiologista francês François Paillard, uma porção de 20 gramas de chocolate amargo com pelo menos 70% de cacau pode fazer parte da alimentação. O segredo está na quantidade consumida e na escolha do produto.
Cardiologista revela quanto chocolate pode comer quem tem colesterol alto
Em entrevista publicada em 23 de outubro de 2026 pelo portal francês Journal des Femmes, o cardiologista François Paillard, integrante da Federação Francesa de Cardiologia, explicou que o chocolate amargo não precisa ser excluído automaticamente da alimentação de pessoas com colesterol elevado.
Segundo o especialista, uma referência razoável é consumir dois quadradinhos de 10 gramas, totalizando 20 gramas por dia. Essa quantidade representa aproximadamente 100 a 120 calorias, dependendo da composição. A recomendação não significa que todos devam comer chocolate diariamente, mas que pequenas porções podem ser compatíveis com uma dieta equilibrada.
Por que o chocolate com 70% de cacau é a melhor escolha?
O chocolate amargo contém uma proporção maior de cacau, ingrediente que apresenta compostos vegetais associados à saúde cardiovascular. A versão com 70% de cacau ou mais geralmente possui menos açúcar do que os chocolates ao leite, embora a quantidade de gordura varie conforme a marca e a receita.
François Paillard explica que uma das gorduras presentes no cacau é o ácido esteárico, um tipo de gordura saturada que não provoca aumento significativo do colesterol LDL. Entretanto, o chocolate também contém outras gorduras saturadas, como o ácido palmítico, que pode elevar o colesterol. Portanto, ter mais cacau não transforma o produto em um alimento de consumo ilimitado.
Chocolate amargo pode trazer benefícios para o coração?
O cacau fornece flavanóis, substâncias antioxidantes estudadas por seus possíveis efeitos sobre os vasos sanguíneos. Esses compostos podem favorecer a produção de óxido nítrico, substância envolvida no relaxamento dos vasos e na regulação da pressão arterial. Algumas pesquisas encontraram pequenas melhorias na função vascular após o consumo de produtos ricos em flavanóis.
Entretanto, a HEART UK, organização britânica especializada em colesterol, alerta que o processamento do chocolate pode reduzir consideravelmente esses compostos. Além disso, a quantidade de flavanóis normalmente não aparece nos rótulos. Por isso, chocolate amargo não é medicamento nem tratamento comprovado para reduzir o risco de infarto.
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Dois quadradinhos podem conter mais gordura do que parece
A quantidade recomendada pelo cardiologista parece pequena, mas merece atenção nutricional. Segundo a British Heart Foundation, uma porção de 20 gramas de chocolate amargo pode fornecer aproximadamente 115 calorias, 8 gramas de gordura, 5 gramas de gordura saturada e 6 gramas de açúcar.
Esses valores ajudam a explicar por que consumir uma barra inteira diariamente não é aconselhável. Mesmo quando o chocolate contém compostos potencialmente benéficos, o excesso pode aumentar bastante a ingestão de calorias e gorduras saturadas. A orientação é considerar o conjunto da alimentação, especialmente para quem precisa controlar o peso e os níveis de colesterol.

Chocolate ao leite e branco exigem atenção diferente
O chocolate ao leite costuma apresentar menor proporção de cacau e maior quantidade de açúcar do que versões amargas. Já o chocolate branco não contém os sólidos de cacau responsáveis pelo fornecimento de flavanóis, embora utilize manteiga de cacau em sua composição. Isso faz com que os três produtos tenham características nutricionais diferentes.
Para quem deseja consumir chocolate com frequência, uma versão amarga com alta concentração de cacau pode ser uma alternativa interessante. Mas é necessário observar o rótulo nutricional, verificando a quantidade de açúcar, gordura saturada e calorias por porção. Produtos com percentuais semelhantes de cacau nem sempre apresentam a mesma composição.
Quem toma remédio para colesterol também pode comer chocolate?
Em geral, pequenas quantidades de chocolate podem fazer parte da alimentação de pessoas que utilizam medicamentos para controlar o colesterol. Entretanto, a orientação depende de fatores como diabetes, excesso de peso, doenças cardiovasculares e outras condições individuais. O consumo de 20 gramas por dia deve ser entendido como uma referência, não como uma prescrição para todos.
Também não é correto acreditar que comer chocolate amargo substitui estatinas ou outros tratamentos prescritos. Os medicamentos atuam diretamente no controle do colesterol e na redução do risco cardiovascular em pacientes que precisam deles. Os possíveis benefícios dos compostos do cacau não justificam suspender medicamentos ou abandonar o acompanhamento médico.
Como incluir chocolate na alimentação sem prejudicar o colesterol?
Uma maneira prática de controlar a quantidade é separar dois quadradinhos antes de começar a comer, evitando consumir diretamente uma barra grande. Prefira produtos com 70% ou mais de cacau, confira as informações nutricionais e observe como essa porção se encaixa nas refeições do dia. Também vale variar as sobremesas com frutas e outras opções nutritivas.
Quem apresenta colesterol LDL elevado deve dar atenção principalmente à redução de gorduras saturadas, ao consumo de fibras e à substituição de gorduras menos saudáveis por fontes insaturadas. A Associação Americana do Coração recomenda uma alimentação equilibrada, atividade física e tratamento individualizado quando necessário. Assim, o chocolate pode continuar no cardápio, sem ocupar o lugar dos cuidados realmente necessários para proteger o coração.




