A 314 km de Belo Horizonte e 300 km de São Paulo, no coração do Sul de Minas Gerais, Varginha reúne uma combinação improvável de recordes. É mundialmente conhecida como a Cidade do ET desde 20 de janeiro de 1996, quando três jovens afirmaram ter visto uma criatura de olhos vermelhos no bairro Jardim Andere. Guarda ainda o Porto Seco Sul de Minas, primeira Estação Aduaneira do Interior a entrar em funcionamento no Brasil, foi eleita entre as sete melhores cidades mineiras para se viver pela Organização das Nações Unidas (ONU) e, em 2023, liderou o ranking nacional de exportação de café, movimentando mais de US$ 1,5 bilhão segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Da Vila do Espírito Santo em 1882 à Capital Cafeeira do Sul de Minas
A história começa em 1882, quando a Vila do Espírito Santo da Varginha foi elevada à categoria de cidade pelo governo provincial. A prosperidade veio rapidamente. Segundo dados do Portal de Turismo da Prefeitura Municipal, o café foi o grande motor da evolução no final do século XIX e início do XX, transformando Varginha no principal centro de beneficiamento e comercialização da região. A cidade atraiu ferrovias, bancos e uma elite cafeeira visionária que moldou a arquitetura do centro histórico.
O apogeu logístico veio com a instalação do Porto Seco Sul de Minas, primeira Estação Aduaneira do Interior do Brasil, ainda em operação, que hoje concentra o maior centro de logística aduaneira do interior mineiro. A altitude aproximada de 907 metros e o solo de origem vulcânica fizeram do Sul de Minas a maior região produtora de café arábica do país, e Varginha se consolidou como principal ponto de exportação. Em 2023, movimentou mais de US$ 1,5 bilhão em exportações de café, segundo o MDIC, superando todos os demais municípios brasileiros do ranking nacional.

O caso do ET em 1996: como três jovens colocaram Varginha nas manchetes mundiais
O episódio que marcaria o imaginário da cidade aconteceu na tarde de 20 de janeiro de 1996, no bairro Jardim Andere. Três jovens cruzaram um terreno baldio e afirmaram ter visto uma criatura bípede com pele manchada e olhos vermelhos agachada junto a um muro. Uma sequência de acontecimentos estranhos nos dias seguintes, incluindo relatos de movimentação militar na região, fortaleceu os depoimentos e chamou a atenção da imprensa internacional. A notícia virou reportagem no jornal norte-americano The Wall Street Journal, e Varginha entrou definitivamente no mapa mundial da ufologia.
Nos anos seguintes, a Prefeitura tomou uma decisão incomum: em vez de tentar apagar o episódio, resolveu abraçá-lo como parte da identidade oficial. O Caso ET foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial do município, na categoria Lugares, conforme o inventário oficial de proteção do patrimônio cultural. Uma caixa d’água em formato de disco voador virou cartão-postal, esculturas do clássico Grey se espalharam por praças e calçadas, e o Memorial do ET, com planetário moderno, se tornou uma parada obrigatória no roteiro turístico.
Por que Varginha está entre as 7 melhores cidades de MG para se viver?
Os números confirmam o rótulo. Segundo o Portal de Turismo da Prefeitura, Varginha tem IDHM de 0,778, classificado como alto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e figura entre as sete melhores cidades mineiras para se viver, segundo levantamento da ONU baseado em renda, educação e longevidade. O PIB per capita é de R$ 58.817,87, um dos mais altos do Sul de Minas, e a densidade demográfica alcança 345,14 hab/km² em 395 km² de território.
A infraestrutura urbana explica boa parte do desempenho. Varginha tem universidades, hospitais de alta complexidade especializados em oncologia e o primeiro data center do Sul de Minas. Funciona como hub regional em saúde, educação e comércio, atendendo dezenas de municípios vizinhos, o que atrai famílias em busca de qualidade de vida com serviços de capital. A cidade tem cerca de 136.467 habitantes segundo o Censo IBGE 2022, com estimativa de 143.676 em 2025, o que a coloca entre as três maiores do Sul de Minas.
O que fazer em Varginha?
A agenda combina turismo ufológico, patrimônio arquitetônico do ciclo do café e atrações naturais nos arredores. A maioria fica a menos de 15 minutos do centro urbano.
- Memorial do ET: espaço educativo e lúdico que conta a história do Caso ET, com planetário moderno e exposição sobre a ufologia brasileira.
- Caixa d’água em formato de disco voador: cartão-postal da cidade, uma das imagens mais fotografadas do turismo ufológico no Brasil.
- Praça do ET: ponto de encontro com esculturas do clássico Grey, obrigatória no roteiro turístico da cidade.
- Theatro Capitólio: inaugurado no início do século XX, é um dos mais antigos teatros em funcionamento em Minas Gerais.
- Morro do Chapéu: mirante com vista panorâmica do vale e da serra, acessível por trilha curta a poucos minutos do centro.
- Fazendas de café da região: propriedades nos arredores abrem para visitas guiadas com sessões de cupping, trilhas entre cafezais e compra de microlotes rastreados.
- Cachoeira dos Possidônios: queda d’água na estrada entre Varginha e Monsenhor Paulo, boa opção para banho em dias quentes.

O que se come na Capital do Café do Sul de Minas?
A gastronomia mistura tradição mineira das quitandas rurais com a cultura do café que sustenta a economia. Cafeterias autorais, restaurantes tradicionais e cantinas familiares definem os endereços mais procurados.
- Café arábica do Sul de Minas: microlotes rastreados servidos em cafeterias autorais no centro, com grãos colhidos a poucos quilômetros dali.
- Feijão tropeiro: prato símbolo da cozinha mineira, com feijão, torresmo, farinha, linguiça e couve refogada.
- Torresmo crocante: acompanhamento clássico presente em quase todos os cardápios tradicionais da região.
- Doce de leite artesanal: tradição das fazendas do Sul de Minas, servido em compotas e como recheio de bolos e broas.
- Café colonial: mesa farta com pães, cucas, geleias, queijos artesanais e embutidos, herança das fazendas do ciclo do café.
Como é o clima e como chegar
Varginha tem clima tropical de altitude, com verões chuvosos e amenos e invernos secos e frios pela elevação. Os meses mais propícios para caminhar pelo centro histórico e visitar fazendas de café vão de abril a setembro, quando a temporada de colheita coincide com o tempo firme.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Varginha fica a 314 km de Belo Horizonte e a 300 km de São Paulo, com acesso pela Rodovia Fernão Dias (BR-381) e pela BR-491. Ônibus intermunicipais partem regularmente das rodoviárias das duas capitais, com viagem estimada em 5h30. Quem vem do Rio de Janeiro enfrenta cerca de 8h30 de estrada. O Aeroporto Major Brigadeiro Trompowsky opera voos regionais.
A cidade do ET que virou capital do café
Varginha entrega o que quase nenhuma cidade média brasileira reúne. O único registro brasileiro de um caso ufológico como Patrimônio Cultural Imaterial municipal, a liderança nacional em exportação de café com mais de US$ 1,5 bilhão em 2023, o primeiro Porto Seco do interior do país e uma classificação entre as sete melhores cidades mineiras para se viver segundo a ONU. Uma cidade que soube transformar um mistério de janeiro de 1996 em identidade oficial sem abrir mão da economia mais robusta do Sul de Minas.
Você precisa conhecer Varginha num fim de semana de julho, tomar um café arábica em uma cafeteria autoral do centro e reservar uma tarde para o Memorial do ET para entender por que a única cidade brasileira que virou capital ufológica também é a maior exportadora de café do país.




