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Início Cidades

Convento histórico de 1558, penhasco e fábrica de chocolate fazem parte do roteiro da cidade mais antiga do Espírito Santo

Por Maura Pereira
12/09/2026
Em Cidades, Turismo
A cidade mais antiga do Espírito Santo tem convento um de 1558 no alto do penhasco e fábrica de chocolate

Vila Velha carrega quase cinco séculos de história em ruas que terminam na areia. / Imagem ilustrativa

Em 1535, durante um domingo de Pentecostes, os portugueses desembarcaram em uma pequena faixa de areia aos pés de um morro rochoso e deram à nova terra o nome de Espírito Santo. Considerada a cidade mais antiga do estado, Vila Velha guarda no alto de um penhasco de 154 metros o santuário que se transformou em um dos principais símbolos capixabas. O cenário ainda reúne 32 km de praias, trilhas com vistas para a baía e a presença da tradicional fábrica da Garoto.

Como Vila Velha entrou para a história da colonização do Espírito Santo?

A ocupação portuguesa do território capixaba começou justamente na área que hoje corresponde ao Sítio Histórico da Prainha, no centro de Vila Velha. Foi ali que o donatário Vasco Fernandes Coutinho desembarcou com sua tripulação e organizou o primeiro núcleo de povoamento. A vila exerceu a função de capital da capitania até 1550, quando os colonizadores se transferiram para a ilha de Vitória, considerada mais protegida diante dos ataques indígenas. O antigo núcleo passou então a ser chamado de vila “velha”, denominação que acabou dando origem ao nome atual do município.

A Prainha preserva alguns dos testemunhos mais antigos desse período. Entre eles está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída entre 1535 e 1551, apontada como a mais antiga do Espírito Santo e a quarta mais antiga do Brasil. O conjunto histórico é tombado pelo IPHAN e inclui ainda casarões coloniais, o Forte São Francisco Xavier de Piratininga e a Casa da Memória. No local, o acervo conta parte da trajetória de Vila Velha e conserva até mesmo um vagão original do bonde inaugurado em 1912.

A cidade mais antiga do Espírito Santo tem convento um de 1558 no alto do penhasco e fábrica de chocolate
Vila Velha é o segundo maior município do Espírito Santo em população e concentra boa parte do comércio, serviços e turismo da região metropolitana. // Créditos: YouTube @feliipe.resende

Como o Convento da Penha se tornou o principal símbolo de Vila Velha?

No alto do penhasco cercado pela Mata Atlântica, o Convento de Nossa Senhora da Penha começou a ser construído em 1558, por iniciativa de frei Pedro Palácios. O santuário se consolidou como o ponto turístico mais visitado do Espírito Santo e recebeu o tombamento do IPHAN em 1943. Sua história também está cercada por uma antiga lenda: o frei teria vivido em uma gruta aos pés do morro, enquanto o quadro de Nossa Senhora dos Prazeres, trazido de Portugal, desapareceu por três vezes e sempre reapareceu no alto da penha.

Existem diferentes maneiras de vencer a subida até o santuário. A mais tradicional passa pela íngreme Ladeira da Penitência, conhecida como caminho dos pagadores de promessa, enquanto a estrada pavimentada leva cerca de 40 minutos e também há a opção de micro-ônibus. No topo, a vista alcança a Terceira Ponte, uma das mais altas do Brasil, a entrada da Baía de Vitória, as praias e as montanhas do horizonte. O espaço recebe missas ao longo do dia e ganha ainda mais movimento durante a Festa da Penha, realizada em abril e considerada a maior romaria do estado.

Quais praias de Vila Velha combinam com cada tipo de passeio?

Os 32 km de litoral permitem alternar entre praias urbanizadas, pontos mais tranquilos e áreas com características de vila de pescadores. As principais faixas de areia da região urbana ficam próximas umas das outras e contam com ligação por ciclovia, facilitando a circulação pela orla.

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  • Praia da Costa: principal cartão-postal entre as praias urbanas, reúne calçadão movimentado, quiosques, bares e ampla estrutura. As ondas atraem surfistas e também favorecem caminhadas à beira-mar.
  • Praia da Sereia: localizada no extremo da Praia da Costa, tem águas sem ondas e condições para caiaque, stand up paddle e mergulho. A Pedra da Sereia ainda funciona como um mirante natural.
  • Praia de Itapoã e Itaparica: regiões que passam por crescimento imobiliário e concentram novos empreendimentos, além de uma estrutura de quiosques.
  • Barra do Jucu: área tradicional das bandas de Congo, com uma faixa litorânea mais rústica e atmosfera associada às antigas comunidades de pescadores.
  • Ponta da Fruta: mais distante da região central, apresenta trechos de restinga preservada e águas mais tranquilas.

Onde encontrar chocolate, moqueca e a tradição do Congo?

A história da Garoto pode ser acompanhada no Museu da Garoto, instalado em Vila Velha. A visita apresenta a trajetória da fábrica de chocolates que começou no município e posteriormente se transformou em uma marca conhecida em todo o país, além de incluir uma loja com chocolates frescos. Na gastronomia, dois preparos ocupam lugar central na identidade capixaba: a moqueca capixaba, que não leva azeite de dendê como a versão baiana, e a torta capixaba, encontradas em restaurantes da orla e da Prainha.

Mais do que uma apresentação cultural, o Congo faz parte da identidade cotidiana de Vila Velha e é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do município. A manifestação chegou com pessoas escravizadas durante o período colonial e combina dança, música e cortejo ao som de instrumentos como tambor, casaca e cuíca. A Barra do Jucu concentra as bandas e recebe boa parte das apresentações, mantendo uma tradição que continua presente na comunidade e não apenas em eventos voltados aos visitantes.

Uma cidade fundada em 1535 une casarões históricos e modernidade, atraindo investimentos próximos às orlas com muita qualidade de vida
Vila Velha vem se consolidando como um dos principais destinos capixabas, combinando vida de cidade grande com atrativos religiosos, culturais e de praia. // Créditos: YouTube @feliipe.resende

Leia também: Uma cidade onde o mar invade as ruas propositalmente para limpar conquista com seu patrimônio histórico no Brasil.

Trilhas e mirantes com vista da baía de Vitória

Para quem gosta de atividade ao ar livre, Vila Velha oferece morros, parques e trilhas com vistas panorâmicas da baía e das pontes.

  • Morro do Moreno: trilha de nível moderado com vista de 360 graus, abrangendo o Convento, a Terceira Ponte e as praias. Acesso gratuito, 24 horas. Há opções de rapel e parapente.
  • Parque Natural Municipal Morro da Manteigueira: trilhas leves com vista da baía, no bairro da Glória.
  • Parque Natural Municipal de Jacarenema: área de restinga e manguezal às margens do Rio Jucu.
  • Museu Vale: instalado na antiga Estação Ferroviária Pedro Nolasco (1927), com acervo de 24 mil itens sobre a história da ferrovia Vitória-Minas. Entrada gratuita e locomotiva a vapor original.

Quando ir e como é o clima em Vila Velha?

O clima é tropical litorâneo, com calor o ano inteiro e chuvas concentradas no verão. O inverno seco e ameno é a melhor época para trilhas e visitas ao Convento sem o calor intenso.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 23-32°C
Chuva: ⛈️ Alta
Temporada de sol intenso, ideal para aproveitar as praias da Costa e Itaparica, além das piscinas naturais que se formam na região.
🥁 Outono Mar – Mai
Média: 21-29°C
Chuva: 🌦️ Média
Auge da cultura local com a Festa da Penha em abril, período excelente para vivenciar o ritmo e a história do Congo.
⛪ Inverno Jun – Ago
Média: 18-26°C
Chuva: ☀️ Baixa
Tempo firme e céu limpo, perfeito para subir ao Convento da Penha, visitar o Museu Vale e realizar trilhas históricas.
🌅 Primavera Set – Nov
Média: 20-29°C
Chuva: 🌦️ Média
Clima ideal para atividades físicas na orla e para contemplar o pôr do sol inesquecível do topo do Morro do Moreno.
💡 Dica do especialista: No verão, os termômetros entre 23°C e 32°C com chuva alta marcam a temporada de sol intenso, sendo ideal para aproveitar as praias da Costa e Itaparica, além das piscinas naturais que se formam na região. Durante o outono, o clima de 21°C a 29°C com chuva média traz o auge da cultura local com a Festa da Penha em abril, período excelente para vivenciar o ritmo e a história do Congo. O inverno traz tempo firme e céu limpo com temperaturas de 18°C a 26°C e chuva baixa, perfeito para subir ao Convento da Penha, visitar o Museu Vale e realizar trilhas históricas. Na primavera, com o clima variando entre 20°C e 29°C e a chuva média, aproveite o clima ideal para atividades físicas na orla e para contemplar o pôr do sol inesquecível do topo do Morro do Moreno.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Essa ilha quase secreta fica a uma hora de São Paulo e chama atenção ao oferecer uma vida mais leve com qualidade de vida exemplar no Brasil
A proximidade com Vitória e o fácil acesso pela Terceira Ponte fazem de Vila Velha uma base prática tanto para morar quanto para explorar o litoral capixaba. // Créditos: YouTube @feliipe.resende

Como chegar a Vila Velha no litoral capixaba

Vila Velha fica a 10 km de Vitória, conectada pela Terceira Ponte. O Aeroporto de Vitória (Eurico de Aguiar Salles) recebe voos de diversas capitais e fica a 15 minutos de carro da Praia da Costa. De carro, o acesso se faz pela ES-060 (Rodovia do Sol) para quem vem do sul ou pela BR-101 para quem vem do norte. Ônibus da Viação Águia Branca conectam Vila Velha ao Rio de Janeiro (520 km) e a Belo Horizonte (530 km).

Suba o penhasco e veja o Espírito Santo nascer de novo

Vila Velha é onde o estado começou, onde o Convento resiste há quase cinco séculos e onde o Congo ainda bate tambor nas ruas da Barra do Jucu. A cidade oferece história colonial, praia urbana de qualidade e chocolate de fábrica, tudo separado por poucos quilômetros.

Você precisa subir o morro da Penha pelo menos uma vez na vida, olhar a baía de Vitória do alto e entender por que o frei escolheu aquele penhasco para ficar.

Tags: espirito santovila velha
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