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Consumidora compra geladeira inox por R$ 5.800 pela internet, o produto chega com a lateral amassada e a loja exige R$ 350 de frete para recolher o eletrodoméstico; PROCON notifica o e-commerce com base no Artigo 18 do CDC, que atribui o custo da troca inteiramente ao fornecedor

Por Daniely Cardoso
21/08/2026
Em Notícias
Segundo as regras gerais do Código Civil, quem causa dano ou assume o risco de atividade lucrativa tem o dever de reparar as perdas materiais.

Segundo as regras gerais do Código Civil, quem causa dano ou assume o risco de atividade lucrativa tem o dever de reparar as perdas materiais.

Ao receber uma geladeira inox comprada por R$ 5.800, Clarice foi surpreendida por uma cobrança indevida de frete de produto avariado. A lateral do eletrodoméstico veio amassada da entrega e a loja virtual exigiu R$ 350 para realizar a coleta do item no domicílio. Inconformada, ela acionou os órgãos de proteção para barrar a taxa abusiva. A história é fictícia, mas ilustra como a lei brasileira protege quem recebe mercadoria danificada em compras online.

Como começou a compra da geladeira de Clarice pela internet?

Para renovar a cozinha com equipamentos modernos, Clarice passou semanas pesquisando modelos de grande capacidade em lojas virtuais. Ela encontrou uma oferta vantajosa e realizou o pagamento à vista para garantir a entrega rápida em sua residência.

A compradora concluiu o pedido confiando na segurança das transações do comércio eletrônico brasileiro. Ela acreditava que grandes redes do varejo garantiam a integridade física da mercadoria durante todas as etapas do transporte rodoviário.

Ela encontrou uma oferta vantajosa e realizou o pagamento à vista para garantir a entrega rápida em sua residência.

Leia também: Três ônibus levavam estudantes quando a PRF encontrou 2 motoristas apenas com CNH B e um terceiro sem habilitação; um veículo tinha licenciamento vencido desde 2016 e acabou removido ao pátio

O que aconteceu quando o eletrodoméstico foi descarregado na residência?

No momento do desembarque da carga, Clarice retirou o plástico protetor e constatou um amassado profundo na chapa de aço lateral. O dano estético comprometeu o visual do aparelho recém-adquirido.

A cliente acionou a central de atendimento para solicitar a troca do produto avariado por uma unidade nova. A resposta da empresa causou espanto: o agendamento do caminhão de coleta só ocorreria após o pagamento de taxa de frete adicional.

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O que o Código de Defesa do Consumidor estabelece sobre despesas de troca?

Essa exigência financeira descumpre frontalmente a legislação vigente. Conforme estabelece o Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 18, os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de qualidade que tornem os produtos impróprios ou diminuam o seu valor.

O ordenamento jurídico determina que o custo da logística reversa obrigatória é encargo exclusivo do fornecedor. Cobrar transporte do consumidor para reparar erro na entrega configura vantagem manifestamente excessiva e prática ilegal.

No momento do desembarque da carga, Clarice retirou o plástico protetor e constatou um amassado profundo na chapa de aço lateral.

As normas de proteção existem para limitar o comércio ou garantir o equilíbrio?

A proibição de repassar despesas de devolução não pretende inviabilizar as operações das transportadoras, mas proteger o cidadão contra prejuízos alheios. Segundo as regras gerais do Código Civil, quem causa dano ou assume o risco de atividade lucrativa tem o dever de reparar as perdas materiais.

Transferir o valor do transporte reverso para a família do comprador quebra o equilíbrio contratual. A lei impede que as empresas repassem o risco da atividade empresarial para o elo mais vulnerável da relação de consumo.

Quais são as opções da compradora ao receber um produto danificado?

Diante do impasse com a loja, o consumidor pode registrar reclamação formal perante a ouvidoria do Procon para exigir a imediata substituição sem taxas. A empresa tem a obrigação de retirar o item defeituoso sem repassar custos operacionais.

As alternativas legais asseguradas ao comprador prejudicado por vícios no produto são:

01 Substituição imediata por outro produto da mesma espécie em perfeito estado de conservação.
02 Restituição integral da quantia paga devidamente corrigida monetariamente.
03 Abatimento proporcional do preço caso o comprador aceite permanecer com a peça amassada.

O que muda quando comparamos a conduta da loja com o caminho legal?

A diferença entre a exigência feita a Clarice e a conduta regular não está no valor cobrado, mas na responsabilidade civil pela entrega adequada do bem.

A comparação entre a recusa indevida da empresa e o que a legislação determina fica evidente na tabela:

EtapaO que a loja fezO que a lei exige
Entrega do produto Transporte rodoviárioDescarregou o refrigerador amassadoGarante entrega em perfeitas condições de uso
Notificação de dano Contato no suporteCondicionou o recolhimento ao pagamento extraObriga o agendamento de coleta gratuita
Custo logístico Frete de devoluçãoCobrou taxa de 350 reais da clienteAtribui despesas integralmente ao comerciante
Solução do vício Prazo de reparoReteve o atendimento sem justificativa válidaDetermina troca em até trinta dias corridos
Fiscalização pública Ação dos órgãosInsistiu na exigência de encargos ilegaisAplica autuação administrativa por cobrança abusiva

O que se aprende com a história de Clarice?

A história de Clarice é fictícia, mas a imposição de custos indevidos na troca de produtos atinge consumidores diariamente. O planejamento da compra virtual não era o problema. O erro esteve na tentativa da empresa de transferir as despesas de uma avaria no transporte para a cliente.

Quem realmente quer trocar um produto avariado sem pagar frete precisa seguir esse roteiro: recuse o recebimento no ato da entrega ou registre fotos detalhadas da avaria, formalize a reclamação por escrito citando o Código de Defesa do Consumidor e protocole denúncia nos órgãos de proteção caso a loja imponha cobranças. É mais burocrático do que ceder à taxa. Mas é o que protege seu orçamento e assegura o cumprimento da lei.

Tags: cdcfretegarantiaProcon
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