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Fundada em 1851 por 118 imigrantes europeus, essa cidade fabrica a geladeira da sua cozinha e o cano da sua parede, além de abrigar a única escola do Bolshoi fora da Rússia

Por Maura Pereira
02/10/2026
Em Cidades, Turismo
Fundada em 1851 por 118 imigrantes europeus, essa cidade fabrica a geladeira da sua cozinha e o cano da sua parede, além de abrigar a única escola do Bolshoi fora da Rússia

Atrás das paredes de muitas casas brasileiras também há um pedaço de Joinville. / Imagem ilustrativa

Pouca gente para para pensar de onde vêm as coisas que usa todos os dias em casa. A resposta, muitas vezes, está em Joinville, no norte de Santa Catarina, uma cidade que nasceu do presente de casamento de uma princesa brasileira a um príncipe francês e virou um dos maiores parques industriais do país. Das fábricas da cidade saem refrigeradores, compressores, tubos de PVC e peças de motor, e, no meio delas, funciona a única escola do lendário Teatro Bolshoi fora da Rússia.

Por que Joinville é chamada de cidade dos príncipes?

Por causa de um casamento real. Em 1843, a princesa Francisca Carolina, filha de Dom Pedro I e irmã de Dom Pedro II, casou-se com o francês François Ferdinand de Orléans, que tinha o título de Príncipe de Joinville. Entre os bens do dote estavam terras no norte catarinense, que mais tarde receberiam imigrantes europeus.

A colonização começou em 9 de março de 1851, quando a barca Colon chegou com os primeiros 118 colonos, vindos principalmente da Alemanha, da Suíça e da Noruega. O povoado nasceu como Colônia Dona Francisca, em homenagem à princesa, e depois passou a se chamar Joinville, em referência ao título do marido. A herança daqueles imigrantes, habituados a ofícios e pequenas oficinas, ajudaria a explicar a vocação industrial da cidade.

A maior cidade de SC é a "Capital Nacional da Dança" que abriga o único Bolshoi fora da Rússia e o maior festival de dança do planeta
Em Joinville, desfrute parques, zoológico e eventos culturais únicos que celebram a diversidade. // Créditos: depositphotos.com / paulosezio

O que sai das fábricas de Joinville e chega à sua casa?

Mais coisas do que parece. A Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, mantém em Joinville uma de suas unidades no Brasil, na Rua Dona Francisca, onde são produzidos refrigeradores e freezers. Na mesma cidade, a japonesa Nidec fabrica os compressores Embraco, o “coração” que faz geladeiras e balcões frigoríficos esfriarem, para uso doméstico e comercial.

Atrás das paredes de muitas casas brasileiras também há um pedaço de Joinville. O Grupo Tigre, com sede na cidade desde 1941, informa ter mais de 5 mil produtos em seu portfólio, presença em 30 países e mais de 85 mil pontos de venda. Foi ali que a empresa deu início à produção de tubos e conexões de PVC para instalações hidráulicas, os canos que levam água às torneiras e ao chuveiro.

Como a cidade chega aos motores de caminhões e máquinas?

Pelas mãos de uma fundição nascida na própria cidade. Segundo a Tupy, a empresa foi fundada em 1938 por imigrantes alemães e mantém em Joinville sua primeira fábrica e sua sede. Hoje, emprega mais de 20 mil pessoas e produz blocos e cabeçotes de motor, as peças de ferro fundido que formam a estrutura dos motores, exportadas para cerca de 40 países.

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Na prática, isso significa que caminhões, tratores e máquinas que movimentam o agronegócio e a construção pelo mundo podem ter uma parte essencial fabricada no norte catarinense. A mistura de multinacionais estrangeiras e empresas nascidas na própria cidade transformou Joinville em uma referência industrial, chamada há décadas de Manchester Catarinense, em alusão à cidade inglesa símbolo da Revolução Industrial.

Qual o tamanho da economia de Joinville?

É a maior de Santa Catarina. De acordo com o Governo de Santa Catarina, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Joinville lidera o ranking dos municípios catarinenses pelo Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, à frente de Itajaí e Florianópolis, e aparece entre as maiores economias municipais do Brasil.

Esse peso econômico se traduz em empregos e investimentos constantes, com fábricas que ampliam linhas de produção e grupos que mantêm a sede na cidade. Para quem pensa em morar ali, isso significa um mercado de trabalho diversificado, que vai da metalurgia aos plásticos, passando pela tecnologia e pelos eletrodomésticos.

Por que o Bolshoi escolheu Joinville?

Por causa da paixão da cidade pela dança. A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil funciona em Joinville desde 15 de março de 2000 e é a única filial do Teatro Bolshoi fora da Rússia. A história começou em 1996, quando a direção do teatro russo visitou a cidade durante o Festival de Dança de Joinville e se impressionou com o interesse do público pela arte.

Desde então, a escola forma bailarinos pelo método Vaganova, o mesmo usado em Moscou, como instituição sem fins lucrativos que concede bolsas aos alunos. Em sessão solene pelos 25 anos da escola, o Senado Federal registrou que ela formou quase 500 bailarinos, muitos deles dançando hoje em palcos de Moscou, Paris, Londres e Nova York. Na mesma cidade das fábricas, a disciplina do balé russo encontrou casa.

A maior cidade de SC é a "Capital Nacional da Dança" que abriga o único Bolshoi fora da Rússia e o maior festival de dança do planeta
Joinville é a maior cidade de Santa Catarina, reconhecida pela indústria e cultura vibrante. // Créditos: YouTube @GuilhermeSpengler

Como é o clima de Joinville ao longo do ano?

A chuva é frequente o ano inteiro, com pico no verão. Janeiro concentra 294 mm em média, enquanto agosto registra 91 mm, e julho, o mês mais frio, tem mínima de 13°C.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 21-28°C
Chuva: Muito alta
Programas cobertos e espetáculos da Escola Bolshoi.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 16-27°C
Chuva: Alta
Aniversário da cidade e da escola, em março.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 13-22°C
Chuva: Média
Festival de Dança em julho.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 16-25°C
Chuva: Alta
Passeios pelo centro histórico.
💡 Dica do especialista: Em Joinville chove bastante o ano inteiro, então guarda-chuva é item obrigatório na mala. O inverno é o período menos chuvoso e coincide com o Festival de Dança, em julho, quando vale reservar hospedagem com bastante antecedência.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Leia também: A megaobra inédita de R$ 5,13 bilhões terá o primeiro túnel submerso do Brasil ligando Santos e Guarujá e reduzirá a travessia para 5 minutos.

Uma cidade que fabrica o cotidiano e forma bailarinos

Joinville carrega uma combinação difícil de encontrar. A cidade que nasceu do dote de uma princesa se tornou a maior economia de Santa Catarina, produzindo refrigeradores, compressores, tubos e peças de motor que chegam a casas e estradas do Brasil e do mundo. No meio desse ritmo industrial, a única escola do Bolshoi fora da Rússia transforma jovens brasileiros em bailarinos de carreira internacional.

Você precisa conhecer Joinville, assistir a um espetáculo dos alunos do Bolshoi e lembrar, ao abrir a geladeira em casa, que talvez ela tenha nascido na cidade do príncipe.

Tags: JoinvilleSanta Catarina
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