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Início Cidades

No sertão da Paraíba, cientistas desenvolveram um algodão que nasce colorido e pode economizar até 80% da água usada na fabricação de tecidos

Por Maura Pereira
25/10/2026
Em Cidades, Turismo
Essa cidade do Nordeste é dona do Maior São João do Mundo e acaba conquistando qualquer um pela arquitetura e gastronomia

Uma cidade alegre com parques, museus e eventos que celebram a tradição nordestina. // Créditos: depositphotos.com / contato@caciomurilo.com.br

Quase toda camiseta de algodão passa por um longo processo de tingimento, que consome muita água e produtos químicos. Em Campina Grande, na Paraíba, cientistas encontraram outro caminho: desenvolver plantas cujo algodão nasce colorido. A cidade que no início do século XX foi um grande centro de comércio de algodão abriga hoje a unidade da Embrapa que criou variedades em tons de marrom, verde e vermelho, usadas em roupas, artesanato e até em jeans.

Como surgiu o algodão colorido de Campina Grande?

Com pesquisa feita na própria cidade. Segundo um relatório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Embrapa Algodão, sediada em Campina Grande, lançou entre 2000 e 2018 seis cultivares de algodão de fibras naturalmente coloridas. A primeira foi a BRS 200 Marrom, lançada no ano 2000.

A cor vem de plantas do próprio sertão. Uma nota científica da Embrapa Algodão explica que a BRS 200 é originária de algodões arbóreos nativos do Semiárido, do tipo mocó, cujas fibras apresentavam naturalmente a cor marrom-clara. Os pesquisadores selecionaram e melhoraram essas plantas até chegar a uma variedade com qualidade para uso comercial.

Essa cidade do Nordeste é dona do Maior São João do Mundo e acaba conquistando qualquer um pela arquitetura e gastronomia
Conheça Campina Grande, um polo de inovação, cultura vibrante e tradição nordestina. // Créditos: depositphotos.com / contato@caciomurilo.com.br

Quais cores de algodão a Embrapa criou?

Tons de verde e marrom. Segundo uma publicação da Embrapa, as variedades vão do verde-claro aos marrons claro, escuro e avermelhado. Estas são as cultivares lançadas pela Embrapa Algodão.

1
BRS 200 Marrom (2000) A primeira cultivar, de fibra marrom-clara, originada de algodões arbóreos nativos do Semiárido.
2
BRS Verde (2003) Variedade de fibra verde, desenvolvida a partir de algodões herbáceos.
3
BRS Rubi (2005) Fibra marrom-avermelhada, mais escura que outras variedades marrons do país.
4
BRS Safira (2005) Também de tom marrom-avermelhado, lançada no mesmo ano da Rubi.
5
BRS Topázio (2010) e BRS Jade A Topázio tem coloração marrom-clara; a Jade completa as seis cultivares lançadas até 2018.

Por que o algodão colorido economiza água?

Porque dispensa o tingimento. Segundo a página técnica da BRS Rubi, da Embrapa, como a fibra é naturalmente colorida, ela não passa pelos processos químicos de alvejamento e tingimento. A Embrapa estima que isso economiza mais de 80% da água usada na produção do tecido e gera um produto que pode ser usado por pessoas alérgicas.

A tecnologia chegou ao jeans. Segundo a Agência Eco Nordeste, que reproduz texto da Embrapa Algodão, a BRS Rubi é matéria-prima para o denim, o tecido usado na produção de jeans, e o novo tecido consome menos água que o jeans tradicional tingido de índigo. A mesma fonte informa que novas linhagens com outras cores estão em teste no campo.

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Quem produz o algodão colorido?

Principalmente agricultores familiares do Semiárido. A Embrapa registra que a BRS Rubi é cultivada na Paraíba, no Rio Grande do Norte, no Ceará, em Pernambuco e em Mato Grosso do Sul, beneficiando pequenos produtores, artesãos, comerciantes e consumidores. A nota científica lembra que a BRS 200 é indicada para as áreas mais secas.

A cidade fecha um ciclo. Campina Grande, que ficou conhecida no passado como grande centro de comércio do algodão, volta a ter a fibra como protagonista, agora por meio da ciência. Para o visitante, conhecer a história do algodão colorido é uma forma de ver como a pesquisa agrícola pode unir tradição, sustentabilidade e geração de renda no Semiárido.

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Campina Grande destaca-se pelo maior número proporcional de doutores no Brasil e eventos culturais como o São João.// Créditos: depositphotos.com / contato@caciomurilo.com.br

Leia também: Em 1996, um suposto encontro com um ET colocou esta cidade mineira nas manchetes. Hoje, ela também chama atenção pela tranquilidade de viver no interior.

Como é o clima de Campina Grande ao longo do ano?

O clima é quente, com pouca chuva e noites mais frescas. Abril registra 66 mm de chuva em média, enquanto novembro tem apenas 14 mm, e agosto tem mínima de 18°C.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 21-30°C
Chuva: Baixa
Dias quentes e secos na Borborema.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 21-30°C
Chuva: Média
Época mais chuvosa, com abril no topo.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 18-26°C
Chuva: Média
Temperaturas mais amenas do ano.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 19-30°C
Chuva: Muito baixa
Pouca chuva e calor voltando.
💡 Dica do especialista: por estar a quase 600 metros de altitude, Campina Grande tem noites mais frescas do que o litoral nordestino, especialmente no inverno. Leve um agasalho leve se viajar entre junho e agosto.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Uma cidade que reinventou o algodão

Campina Grande transformou a fibra que a enriqueceu no passado em símbolo de inovação. A partir de algodões nativos do sertão, a Embrapa Algodão criou variedades que nascem em tons de marrom, verde e vermelho, dispensam tingimento e economizam grande parte da água usada na indústria têxtil. É a prova de que a ciência pode dar novas cores a uma tradição antiga.

Você precisa conhecer Campina Grande, ver de perto uma peça feita com algodão naturalmente colorido e lembrar que aquela cor nasceu na planta para entender como essa cidade reinventou a própria história.

Tags: campina grandeParaíba
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