Quase toda camiseta de algodão passa por um longo processo de tingimento, que consome muita água e produtos químicos. Em Campina Grande, na Paraíba, cientistas encontraram outro caminho: desenvolver plantas cujo algodão nasce colorido. A cidade que no início do século XX foi um grande centro de comércio de algodão abriga hoje a unidade da Embrapa que criou variedades em tons de marrom, verde e vermelho, usadas em roupas, artesanato e até em jeans.
Como surgiu o algodão colorido de Campina Grande?
Com pesquisa feita na própria cidade. Segundo um relatório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Embrapa Algodão, sediada em Campina Grande, lançou entre 2000 e 2018 seis cultivares de algodão de fibras naturalmente coloridas. A primeira foi a BRS 200 Marrom, lançada no ano 2000.
A cor vem de plantas do próprio sertão. Uma nota científica da Embrapa Algodão explica que a BRS 200 é originária de algodões arbóreos nativos do Semiárido, do tipo mocó, cujas fibras apresentavam naturalmente a cor marrom-clara. Os pesquisadores selecionaram e melhoraram essas plantas até chegar a uma variedade com qualidade para uso comercial.

Quais cores de algodão a Embrapa criou?
Tons de verde e marrom. Segundo uma publicação da Embrapa, as variedades vão do verde-claro aos marrons claro, escuro e avermelhado. Estas são as cultivares lançadas pela Embrapa Algodão.
Por que o algodão colorido economiza água?
Porque dispensa o tingimento. Segundo a página técnica da BRS Rubi, da Embrapa, como a fibra é naturalmente colorida, ela não passa pelos processos químicos de alvejamento e tingimento. A Embrapa estima que isso economiza mais de 80% da água usada na produção do tecido e gera um produto que pode ser usado por pessoas alérgicas.
A tecnologia chegou ao jeans. Segundo a Agência Eco Nordeste, que reproduz texto da Embrapa Algodão, a BRS Rubi é matéria-prima para o denim, o tecido usado na produção de jeans, e o novo tecido consome menos água que o jeans tradicional tingido de índigo. A mesma fonte informa que novas linhagens com outras cores estão em teste no campo.
Quem produz o algodão colorido?
Principalmente agricultores familiares do Semiárido. A Embrapa registra que a BRS Rubi é cultivada na Paraíba, no Rio Grande do Norte, no Ceará, em Pernambuco e em Mato Grosso do Sul, beneficiando pequenos produtores, artesãos, comerciantes e consumidores. A nota científica lembra que a BRS 200 é indicada para as áreas mais secas.
A cidade fecha um ciclo. Campina Grande, que ficou conhecida no passado como grande centro de comércio do algodão, volta a ter a fibra como protagonista, agora por meio da ciência. Para o visitante, conhecer a história do algodão colorido é uma forma de ver como a pesquisa agrícola pode unir tradição, sustentabilidade e geração de renda no Semiárido.

Como é o clima de Campina Grande ao longo do ano?
O clima é quente, com pouca chuva e noites mais frescas. Abril registra 66 mm de chuva em média, enquanto novembro tem apenas 14 mm, e agosto tem mínima de 18°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade que reinventou o algodão
Campina Grande transformou a fibra que a enriqueceu no passado em símbolo de inovação. A partir de algodões nativos do sertão, a Embrapa Algodão criou variedades que nascem em tons de marrom, verde e vermelho, dispensam tingimento e economizam grande parte da água usada na indústria têxtil. É a prova de que a ciência pode dar novas cores a uma tradição antiga.
Você precisa conhecer Campina Grande, ver de perto uma peça feita com algodão naturalmente colorido e lembrar que aquela cor nasceu na planta para entender como essa cidade reinventou a própria história.




