O motivo está em um hormônio chamado melatonina, responsável por regular seu ciclo de sono. Quando a luz das telas, especialmente a luz azul, atinge seus olhos à noite, a produção desse hormônio pode atrasar, tornando seu descanso mais superficial e sua noite mais longa do que deveria ser,
Como a luz das telas “engana” o cérebro?
Os olhos possuem células sensíveis à luz que enviam informações diretamente ao núcleo supraquiasmático, uma região do cérebro responsável por coordenar o relógio biológico. Quando há exposição à luz intensa no período da noite, esse sistema interpreta que ainda é hora de permanecer desperto.
Como consequência, a liberação de melatonina pode ser atrasada, tornando o início do sono mais difícil e alterando o ritmo circadiano.

A luz azul é a única responsável?
A luz azul tem um efeito particularmente importante sobre o relógio biológico, mas ela não é a única responsável. A intensidade da luz, o tempo de exposição e o conteúdo consumido também influenciam o estado de alerta.
Vídeos, jogos, redes sociais e notícias estimulantes podem manter o cérebro ativo justamente no momento em que ele deveria começar a desacelerar. Por isso, o problema envolve tanto a iluminação da tela quanto o nível de estimulação mental antes de dormir.
Quais são os efeitos de dormir menos ou dormir pior?
Uma rotina de sono insuficiente ou de baixa qualidade pode afetar diversas funções do organismo, incluindo memória, atenção, humor e desempenho durante o dia.
Listamos abaixo as principais consequências decorrentes da desregulação do sono, evidenciando como a falta de qualidade no descanso pode impactar negativamente tanto o funcionamento cognitivo quanto o bem-estar emocional:

O filtro de luz noturna realmente funciona?
Os modos noturnos disponíveis em celulares, tablets e computadores reduzem a emissão de luz azul e podem diminuir parte do impacto sobre a produção de melatonina. No entanto, especialistas destacam que eles não eliminam completamente os efeitos da exposição às telas, principalmente quando o uso é prolongado.
Por isso, o filtro de luz noturna deve ser visto como uma estratégia complementar, e não como uma solução única.
Como proteger o sono em um mundo conectado?
Pequenas mudanças na rotina noturna podem fazer diferença para a saúde do cérebro e a qualidade do repouso. Evitar o uso de telas por pelo menos 30 a 60 minutos antes de dormir, ativar o filtro de luz noturna nos dispositivos eletrônicos ao anoitecer e reduzir o brilho das telas durante a noite são medidas que ajudam a minimizar a exposição à luz azul.
Além disso, substituir o tempo em frente aos eletrônicos por atividades relaxantes, como a leitura de um livro impresso ou exercícios de respiração, e manter horários regulares para dormir e acordar contribuem para uma rotina de sono mais saudável.
Veja a seguir um vídeo do YouTube do canal Rafael Gratta, que apresenta orientações baseadas em evidências científicas para estabelecer uma rotina de sono eficiente, desde a exposição matinal à luz solar até estratégias noturnas para otimizar o descanso e a qualidade do sono:
Um sono de qualidade começa antes de deitar
O cérebro depende de sinais ambientais para ajustar o relógio biológico diariamente. Reduzir a exposição às telas no período noturno ajuda a favorecer a produção natural de melatonina e prepara o organismo para um sono mais reparador.
Em uma rotina cada vez mais conectada, criar um pequeno intervalo longe do celular antes de dormir pode ser uma das estratégias mais simples para melhorar o descanso, preservar a saúde cerebral e acordar com mais disposição no dia seguinte.










