TRIBUNAL DO JÚRI

Atropelamento no Lago Sul: juiz exige laudo de vídeo do momento do crime

Audiência de caso do atropelamento de servidora pública no Lago Sul terminou com prazo de cinco dias úteis para apresentação de documento do Instituto de Criminalística. Vítima ficou impossibilitada de depor devido ao quadro de saúde

Pedro Marra
postado em 31/03/2022 06:00
Audiência com depoimentos das partes durou mais de duas horas -  (crédito: TJDFT/Divulgação)
Audiência com depoimentos das partes durou mais de duas horas - (crédito: TJDFT/Divulgação)

O Tribunal do Júri de Brasília realizou, nessa quarta-feira (30/3), a primeira audiência referente ao caso do atropelamento proposital da servidora pública Tatiana Thelecildes Fernandes Machado Matsunaga, 41 anos. O advogado Paulo Ricardo Moraes Milhomem, 37, é acusado de tentar assassiná-la, em agosto último, no Lago Sul. Até hoje, a vítima permanece em estado de saúde delicado e dependente de cuidados. A sessão para as partes envolvidas prestarem depoimento terminou com um pedido de laudo das imagens feitas na cena do crime, que deverá ser apresentado à Justiça em até cinco dias úteis.

O Instituto de Criminalística (IC) deverá informar o resultado da perícia com base nas imagens das câmeras de segurança que registraram o atropelamento. Após a emissão do documento do departamento da Polícia Civil, as partes terão o mesmo prazo para fazer as alegações finais. Advogado representante de Tatiana, Frederico do Valle Abreu afirmou que a família considera o crime um "ato bárbaro" e que "aguarda apreensiva" a condenação do réu. 

Frederico destaca que a vítima não tem condições de falar sobre o caso, devido a "vaivéns" e instabilidades na memória. Tatiana encontra-se em cadeira de rodas, faz uso de medicamentos, apresenta dores, tem funções biológicas comprometidas e continua com a porção superior do crânio aberta, segundo o advogado. A servidora pública deve voltar a andar, mas a família ainda não sabe se o tratamento e acompanhamento médico alcançarão todos os resultados, por causa da demora na progressão do quadro de saúde. "(Ela) perdeu boa parte da visão de ambos os olhos de forma irreversível. Mas o mais importante, agora, é cuidar do estado emocional e psíquico dela", comenta.

Durante a audiência, os advogados do réu, Afonso Lopes e Leonardo Carvalho, divulgaram um vídeo 3D que reconstitui a cena do atropelamento. As imagens dão a entender que Tatiana teria entrado na frente do carro de Paulo Ricardo no momento em que o réu acelerou. A Justiça não divulgou, na ata da sessão, as respectivas alegações das partes. A reportagem tentou contato por ligação e por mensagem com a defesa, ontem, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.

Sequelas

Na última segunda-feira (28/3), o magistrado Frederico Ernesto Cardoso Maciel, juiz de direito substituto do Tribunal do Júri de Brasília, manteve a prisão preventiva de Paulo Ricardo. O advogado permanece em cela do Batalhão da Polícia Militar na Papuda (leia Ala especial). A decisão saiu em resposta a pedido dos advogados do acusado, que queriam a substituição da detenção por outras medidas cautelares.

Ao negar o pedido, o magistrado mencionou detalhes do laudo técnico relacionados à saúde de Tatiana. O documento destaca que a vítima sofreu sequelas neurológicas e, por isso, não tem como prestar depoimento, bem como as consequências do atropelamento, que causaram "prejuízo da manutenção da atenção e defeito de campo visual esquerdo". "A última ressonância magnética de encéfalo, realizada em serviço externo em outubro de 2021, mostrou lesões em lobos (cerebrais) temporal e frontal direito, e sinais de lesão axonal difusa (disseminada nos axônios, partes do neurônio)", diz o texto.

Ala especial

O Núcleo de Custódia da Polícia Militar faz parte do Complexo Penitenciário da Papuda e recebe detentos vinculados à corporação ou presos provisórios inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil. No caso de PMs que perdem o cargo após a condenação, há transferência dos réus para a ala de ex-policiais, no Centro de Detenção Provisória.

 

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