INDÍGENAS NO DF

GDF faz derrubada e desocupação de aldeia indígena no Paranoá

Operação aconteceu nesta sexta-feira (23/2) na aldeia Ahain Aam, na Arie do Paranoá Sul

A operação gerou revolta entre os indígenas nesta sexta-feira -  (crédito: Imagens cedidas ao Correio)
A operação gerou revolta entre os indígenas nesta sexta-feira - (crédito: Imagens cedidas ao Correio)
postado em 23/02/2024 16:02 / atualizado em 23/02/2024 16:18

Uma operação do Governo do Distrito Federal nesta sexta-feira (23/2) gerou revolta entre indígenas da aldeia Ahain Aam na Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) do Paranoá Sul. Vídeos gravados pelos moradores da comunidade mostram grupo de servidores do DF Legal, Polícia Militar e outros órgãos distritais em abordagem por volta de 12h.

Em nota, DF legal confirmou a ação. Segundo a pasta, a finalidade da operação é "desconstituir ocupação irregular instalada recentemente em uma área próxima ao balão do Paranoá em que parte dela pertence à Terracap e outra parte pertence ao DF após desapropriação".

Nas imagens, o responsável pela operação alega que a área pertence à Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) e que a desocupação seria feita a menos que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) solicitasse que eles parassem, mas a Funai não apareceu. O servidor também informou que a Funai deveria ter chegado no local às 9h. Procurada, a Terracap afirmou que a terra pertence à pasta, mas que a autarquia não participou da operação.

Por volta das 16h desta sexta-feira (23/2), os oficiais entraram com um trator e dentro do local e derrubaram o portão feito pela comunidade. Segundo Muriã Pataxó, morador da Ahain Aam, eles conseguiram fazer contato com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), que enviou representante ao local para negociar com o GDF. Membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também participa da negociação, informou Muriã.

Os indígenas afirmaram que a operação era brutal e questionaram o número de agentes armados na ação. “Para derrubar lona não precisa de facão não, o facão é para quê?”, questionou um dos moradores. Mesmo com a resistência, os agentes desmontaram construções de madeira e lona do local. Os servidores afirmaram que não iriam mexer nas residências dos indígenas, apenas em uma parte do local.

Gostou da matéria? Escolha como acompanhar as principais notícias do Correio:
Ícone do whatsapp
Ícone do telegram

Dê a sua opinião! O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores pelo e-mail sredat.df@dabr.com.br

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação