Investigação

MP pede que comandante seja afastado após PMs irem obrigados a culto religioso

Comandante de batalhão responsável pela Esplanada dos Ministérios, o tenente-coronel Rodrigo Abadio teria ordenado, via WhatsApp, que PMs fossem em evento em igreja evangélica, onde ocorreu pregação de um pastor nesta terça-feira (27/2)

MP pede investigação por parte da Corregedoria da PMDF -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
MP pede investigação por parte da Corregedoria da PMDF - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
postado em 28/02/2024 19:42

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pediu, nesta quarta-feira (28/2), o afastamento do tenente-coronel Rodrigo Abadio, comandante do 6° Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). O caso envolve a participação obrigatória de policiais militares para pregação de um pastor, no Conic, na manhã de terça-feira (27/2).

O caso foi revelado pelo portal ICL Notícias e confirmado pela reportagem do Correio. O oficial, que até então ocupava a função de comandante do batalhão responsável pela segurança da Esplanada dos Ministérios, ordenou, por meio de um ofício enviado aos PMs pelo WhatsApp, para irem à “Formatura Geral”, em função da passagem de comando para outro oficial.

O evento ocorre normalmente no Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento (Cefor), da Câmara dos Deputados, para parabenizar, também, o trabalho dos policiais. No entanto, o espaço está em reformas. De acordo com a PMDF, o evento ocorreu para passagem de comando e que o local onde foi realizado “possui amplo espaço que comporta todo o efetivo”.

“A cerimônia ocorreu três meses após a chegada do novo comandante e foi realizada em espaço cedido, sem custos, pela igreja na área do 1º Comando Regional, a qual o batalhão pertence”, escreveu a corporação, em nota (veja completa abaixo).

Investigação

Além do pedido de afastamento do tenente-coronel encaminhado à Justiça, o MP pediu que o oficial seja transferido de unidade. O ofício enviado pelos promotores à PMDF pede que a corporação abra uma investigação na Corregedoria para apurar o caso.

“Os elementos apurados até o momento apontam indícios da suposta prática dos crimes de peculato; prevaricação; inobservância da lei, regulamento ou instrução; aplicação ilegal de verba ou dinheiro; abuso de confiança ou boa-fé; patrocínio indébito; usurpação de função, todos do Código Penal Militar, além da prática de improbidade administrativa prevista na Lei nº8.429/92, que será apurada”, escreveu o MP, em nota.

Nota da PMDF

A PMDF informa que ocorreu uma formatura geral da unidade para homenagear os policiais destaques e para orientações à tropa, em função da mudança de comando do Batalhão.

A cerimônia ocorreu três meses após a chegada do novo comandante e foi realizada em espaço cedido, sem custos, pela igreja na área do 1º Comando Regional, a qual o batalhão pertence.

O local onde foi realizado possui amplo espaço que comporta todo o efetivo. O antigo local que se utilizava, o Cefor (Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento) da Câmara dos Deputados, está em reforma.

Durante a cerimônia, o novo comandante dirigiu-se à tropa e o pastor fez um momento ecumênico de reflexão, como é habitual nas formaturas da Polícia Militar do Distrito Federal.

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