
Por Ivan Iunes - Especial para o Correio e Sylvia Cyntrão - Especial para Correio
Quando o então recém-formado advogado e procurador do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Luiz Carlos Alvim Dusi recebeu a proposta para vir a Brasília, foi a mulher, Marilda Nepomuceno Dusi, quem, de cara, topou o desafio de deixar a capital fluminense. Pioneira, aportou em terras candangas em 1960. Durante 65 anos, construiu diversas histórias: da família à atuação como servidora da Justiça do Trabalho, passando pela consolidação do Clube Cota Mil. Nesta quinta-feira (1/1), Marilda partiu, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC).
Carioca de Vila Isabel, Marilda nasceu em 1936. Não se intimidou pelos costumes e pela pouca abertura do ambiente universitário para mulheres nos anos 1950, formando-se em Direito pela então Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro). Do tempo de Rio de Janeiro, conservou até os últimos dias o amor pelo carnaval e o fascínio pelo samba - expressava com orgulho ser do bairro de Noel Rosa.
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Estabelecida em Brasília, teve os filhos André e Marta, participou da consolidação do Cota Mil – o marido, Luiz Carlos, foi comodoro do clube - e tornou-se servidora do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. Fez da própria casa porto seguro para e amigos e pioneiros que buscavam abrigo até se estabelecer em Brasília. Viúva desde 2018, sofreu um AVC em casa, no dia seguinte ao Natal.
Seguindo a vontade expressa por ela, as despedidas finais foram reservadas à família. Marilda deixou os dois filhos, André e Marta, duas sobrinhas, cinco netas e duas bisnetas - suas últimas paixões, como ela gostava de repetir.

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