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"O DF levará grande vantagem", diz presidente do Sindiatacadista

Álvaro Silveira Júnior destacou pontos positivos e negativos da reforma tributária e os benefícios das mudanças para o Distrito Federal

 14/01/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. CB Poder, Álvaro Silveira Júnior, presidente do sindicato do comércio atacadista. Na bancada Samanta Sallum e Ronayre Nunes
       -  (crédito:   Bruna Gaston CB/DA Press)
14/01/2026 Bruna Gaston CB/DA Press. CB Poder, Álvaro Silveira Júnior, presidente do sindicato do comércio atacadista. Na bancada Samanta Sallum e Ronayre Nunes - (crédito: Bruna Gaston CB/DA Press)

Os impactos da reforma tributária no Distrito Federal foi o assunto do CB.Poder — parceria entre o Correio e a TV Brasília — dessa quarta-feira (14/1) com o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista do DF (Sindiatacadista/DF), Álvaro Silveira Júnior. Aos jornalistas Samanta Sallum e Ronayre Nunes, o empresário discorreu sobre pontos positivos e negativos da reforma e explicou como o Distrito Federal se beneficiará com as mudanças. Confira os principais trechos da entrevista:

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O ano de 2026 será desafiador para empresários e para o setor por causa da reforma tributária. Como esse novo cenário vai impactar o setor atacadista no DF?

Impacta não só o setor atacadista, mas todo o setor empresarial. O ano começa já com pequenas mudanças, que mesmo não tendo o impacto agora para o consumidor, elas vão trazer muitos impactos no nosso backoffice. Haverá preparações para a adequação à legislação, entendendo que temos até 2032 para fazer toda a migração. A reforma tributária será muito importante para o Distrito Federal, que levará grande vantagem, no nosso entendimento, porque o setor atacadista é o que mais arrecada impostos aqui no DF.

A grande dúvida é: os custos operacionais que a reforma tributária vai trazer podem impactar no preço final dos produtos ao consumidor? 

A gente observa que, no início, pode sim, mas a médio e a longo prazo a tendência é que estabilize e caia. Mas, nesse início, tem segmentos que serão desonerados ou agravados, como por exemplo, o aluguel. O imposto do aluguel vai subir muito e vai onerar muito o nosso caixa. Porque grande parte do imposto será abatido na hora que você faz a venda, então, isso vai trazer um desencaixe inicial de fluxo de caixa. Depois, o preço vai se acomodando.

Na sua opinião, o que você acha que faltou ou que poderia ser mudado para a reforma ser mais otimizada?

O que nos preocupa muito é a alíquota final da reforma, que ficou muito alta. Nós vamos ter os maiores índices do mundo. Então, temos que entender como isso vai se acomodar. Como a arrecadação vai crescer mais do que antes, ver como isso vai cair depois, para que tenhamos o ganho para o consumidor, que é, ao longo do tempo, poder diminuir essa alíquota. A taxa alcança 28%, mas tem segmentos que pagam metade, como cesta básica e medicamentos. Em outros segmentos, vai passar de 35%. No final, tudo vai para o caixa do governo. Temos que entender como fica esse caixa dentro desses vários segmentos de alíquotas que serão implementadas a partir deste ano. 

Houve excesso de benefícios fiscais? Os setores descontados realmente precisavam?

Os setores com carga reduzida foram os setores sensíveis, como cesta básica e medicamentos. Por exemplo, você não pode ter uma carga de 35% num remédio de uso contínuo. É alto. Então, acho que isso foi um dos pontos positivos da reforma: conseguir desonerar setores que são sensíveis à população. Lembrando que tudo passa para que um governo tenha responsabilidade fiscal, porque não adianta aumentar a arrecadação e também aumentar os gastos, como estamos fazendo desordenadamente. Quanto menos gastarmos, mais alíquota vai poder cair a médio e longo prazo.

Recentemente, o governador declarou que vai ter de fazer um aperto nas contas, porque o GDF vem enfrentando dificuldades de caixa e ele atribui isso a uma queda na expectativa da arrecadação do ICMS e do ISS. É esse o cenário mesmo? 

A preocupação com a desaceleração econômica é pertinente. Vou dar o exemplo de um ramo que foi muito ativo no DF nos últimos anos: a construção civil. Mas com esses juros altos, Selic de 15%, esse cenário atrapalha o fomento das empresas incorporadoras como também o cliente deixa de financiar o apartamento. Precisamos que a taxa de juros caia, para que a economia volte a crescer. No DF, o funcionalismo público perdeu renda, perdeu salário real, e isso impacta nas maiores faixas de consumo.

E qual é a expectativa para este novo ano? Espera que o Banco Central comece a baixar os juros?

Estamos com um ambiente favorável para que isso ocorra: a inflação caiu, e a queda de consumo real força isso. A partir da próxima reunião, o BC já tem ambiente para baixar os juros. Agora, quanto menos nós gastarmos, mais acelerada poderá ser a queda dos juros.

Assista à integra da conversa:

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postado em 15/01/2026 04:30
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